
Fale-nos sobre você.
Tenho uma jornada um tanto exótica. Quando criança ajudava em tarefas rurais como plantio e pastoreio. Quando adolescente, aos dezessete anos, cheguei a trabalhar com recicláveis. Me tornei cabeleireira aos 19 anos, trabalhando por 13 anos nessa área como contratada e como empresária. Após os trinta anos de idade, já casada e com uma filha, me formei psicóloga, atuando em clínica por 7 anos. Em seguida me lancei como escritora e desde então publiquei cerca de 15 títulos em 4 anos.
Fale-nos sobre o livro que está lançando. O que a motivou a escrevê-lo?
“Sim, tenha medo” nasceu de um “rompante”, um pesadelo do qual não conseguia me livrar, a ponto de eu ter alguns outros tormentos oníricos correlacionados, e me ver obrigada a pausar a escrita de um romance, Caetana II, que estava trabalhando na época. Só consegui voltar à rotina após finalizar “Sim, tenha medo”. Há alguns trechos que foram escritos anteriormente, cenas avulsas que imaginei e transformei para caberem na história. É, sem dúvida, minha narrativa mais pesada em gore.
Fale-nos sobre seus outros livros.
Há algumas características comuns às minhas histórias: brasilidade, críticas sociais, grande protagonismo feminino e um recorrente apelo ao sobrenatural – ainda que eu costume trabalhar a ideia de que “o homem é o lobo do homem”.
Você foi a vencedora do VIII Prêmio Aberst (Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror). Como é a sensação de ganhar esse honroso prêmio?
Creio que o que mais me impactou foi perceber que por ter ganhado o prêmio “eu não estou fazendo as coisas tão erradas assim” – já que esta era uma sensação recorrente dada a constante batalha para convencer leitores a dar uma chance aos meus livros. Ainda mais por se tratar de um prêmio especializado em gêneros literários específicos, sobretudo o terror que, não raro, é visto como uma escrita menos relevante, de nicho menor. Assim, ter tido o livro escolhido dentre tantos outros minorou a sensação de “nadar e nadar, e morrer na praia”.
Como analisa a literatura de terror/horror escrita e publicada por brasileiros?
Tenho contato com histórias muito boas e escritas criativas e instigantes, ainda assim, trata-se de escritores pouco lidos, desconhecidos do grande público. A maior força da escrita brasileira é justamente a coragem e a criatividade, mesmo que as publicações representem mais trabalho do que sucesso literário, e com isso me refiro a ser lido e não obter ganho financeiro, vejo persistência. Autores e editoras (pequenas e médias) demonstram constantes esforços para construir um caminho de credibilidade, ofertando publicações que nada devem às grandes editoras e menos ainda ao conteúdo vindo de fora do país.
Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder?
O que espero que o leitor leve consigo ao finalizar “Sim, tenha medo”.
Gostaria que os leitores sentissem que o horror vai além do sobrenatural, que ele está, muitas vezes, tão entranhado em nossa realidade que passa despercebido e, em algumas ocasiões, há quem feche os olhos para os “pequenos” atos de horror. Se houver leitores que terminem a história com algo ecoando em sua consciência, se uma cena inquietar e trouxer questionamentos: vejo-me realizada.
Link para o livro: https://aveceditora.com.br/produto/sim-tenha-medo/
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Ambos com formação em Letras, são professores, escritores e palestrantes, com dezenas de livros publicados por diversas editoras. São colunistas da revista Conexão Literatura.




Eu já li todos os livros da Sheise Piezentini e posso dizer que sou fã do seu trabalho. E não estou falando apenas das suas histórias de terror. Para quem ainda não conhece toda a sua versatilidade, Sheise também escreve maravilhosamente bem para o público infantil, com diversos livros encantadores já publicados para os pequenos.
Além disso, adoro o seu lado leve e bem-humorado, que ela nos apresentou de forma brilhante em Fugi da Ficção. Essa capacidade de transitar entre gêneros tão diferentes, sempre mantendo a qualidade da escrita, é uma das marcas que mais admiro na autora.
Enfim, tenho certeza de que ainda ouviremos falar muito da Sheise Piezentini. Seu talento, criatividade e dedicação à literatura fazem dela uma autora que merece cada vez mais reconhecimento.