
Todos conhecemos os nem-nem, aquele grupo de jovens (às vezes nem tanto) que nem estudam, nem trabalham. Se você pensou em dizer “nem estudam e nem trabalham”, atenção! A locução conjuncional “nem…nem” tem valor aditivo negativo, pois soma duas negações, dispensando o conectivo “e”. O uso de “e nem” somente é admitido nas sentenças formadas por uma oração inicial afirmativa, à qual se opõe uma segunda de sentido negativo, em que se poderia utilizar a conjunção adversativa “mas”. Por exemplo: “Vestiu o blusão e nem estava frio”, substituível por “Vestiu o blusão, mas não estava frio”. Outro exemplo: “Seus amigos deram uma festa e nem o convidaram”, equivalente a “Seus amigos deram uma festa, mas não o convidaram”. Ou ainda: “Fez a prova correndo e nem se deu ao trabalho de revisá-la”, intercambiável com “Fez a prova correndo, mas não se deu ao trabalho de revisá-la”.
Portanto, estudantes, cuidem-se: erros no uso de “e nem” poderão tirar pontos no Enem.
A versatilidade da conjunção “nem” é fantástica e bem ilustra a plasticidade da língua portuguesa, que nem desserviu Fernando Pessoa, nem Guimarães Rosa. Entretanto, essa mesma plasticidade não implica que se possa fazer o que quiser com o idioma. Trata-se de uma falsa impressão, assim como pensar que todos os nem-nem se comprazem em não fazer o que se esperaria que fizessem. Claro que há aqueles que não estão nem aí.
Mãe: – Não vai estudar nem um pouco hoje, filho?
Filho: – Nem a pau! Tô cansado da página de ontem.
Pai: Nem leu um parágrafo, já quer descanso; trabalho, nem vai procurar…
Filho: Pra quê? Nem que a vaca tussa alguém me contrataria.
Correção: “Nem que a vaca tossisse alguém me contrataria”. Convenhamos: a versão correta soa um tanto pernóstica. Talvez o melhor, nesse caso, seja tolerar a fala do nem-nem, mas corrigi-lo na redação (no dia em que essa se materializar…).
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Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



