
Dois amigos não se falam há bastante tempo. Reencontram-se, casualmente, na mesma calçada. Após a previsível sequência de saudações e cumprimentos, vem a pergunta:
– E a mulher, como vai?
– Depende… Qual delas?
– Ué, tem mais de uma? – indaga o primeiro, surpreso.
– Bem… tem a titular e também uns rolos por aí.
A ambiguidade poderia ter sido evitada se o primeiro tivesse perguntado ao amigo: “E a esposa, como vai?”. Afinal, o termo esposa é específico; mulher, no entanto, possui mais de um sentido. Se esposa é tecnicamente preciso, seria, em tese, preferível utilizá-lo, correto? Curiosamente, não é assim. De acordo com uma seita formada por iniciados em etiqueta linguística – aposto que já tem gente vendendo curso na internet – o uso do termo esposa equivale a sinal inequívoco de breguice. É feio; cafona, dizem. Desconfio que os gurus da etiqueta linguística, do alto de seu esnobismo dissimulado, não tolerem expressões que soem cultas em bocas populares. Portanto, doravante muita atenção: quem falar esposa é mulher do padre! (Mulher, nesse caso, significa amante ou concubina?)
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Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



