Douglas Jefferson, jovem estudante de filosofia do interior paulista, e a paraibana Ester Barroso, estudante do curso de Letras, também são claros exemplos desse processo. Ambos são responsáveis por uma página em crescente ascensão nas paragens do Facebook. A fanpage já conta com quase 2 milhões de seguidores (isto mesmo: dois milhões!). A página tem prioritariamente uma função difusora de textos literários, em sua grande maioria de autorias diversas. Mas os dois também são poetas e publicam seus textos neste espaço cibernético batizado com o nome de “Moça, você é mais poesia que mulher” (a conferir: https://www.facebook.com/mocaepoesiaoficial/).
DO VIRTUAL AO IMPRESSO
Eles também fazem parte dos autores que começam publicando na Internet e não demoram a alcançar a publicação em livro.
“Nascente” é a primeira a obra dos dois, uma coletânea conjunta que reúne uma seleção de seus poemas mais inspirados. Poemas que misturam inquietações lírico-românticas com crítica social, a exemplo destes versos do poema “Sonhadores” (Douglas Jefferson, p. 123): Donde me perguntava –, nas sombras dos arranha-céus / E na velocidade dos veículos perante o minuto propulsor, / Como a vida moderna esgarçando todos os seus véus, / Há de brotar a mais pura e singela flor?. Já o poema “Comportas” (Ester Barroso, p. 18) dá outro tom ao livro: No meu cercado, senhor / Repousam as asas cansadas e banhadas de vento / Do sabiá que beijou o boa-noite / E perseguiu as velas das nuvens sob a aquarela / Desenhada no céu do horizonte / Pela madrugada molhada tão esperada / Que caiu em gota de tinta verde na serra.
Como a bela flor ilustrada na capa do livro – que germina, desponta e desabrocha – esta antologia dupla representa o momento em que a poesia, ainda que amadora, é sentida, lapidada e finalmente nascida do âmago de quem se faz poeta.
O Prof. Maurílio Camello, autor de vários livros no campo da Filosofia, escreve o seguinte comentário na 4º capa do livro: “Aqui estão dois poetas jovens que vivem, nestas páginas, instantes de eternidade. Recolhem, em seus poemas, o pássaro da poesia, mas não o aprisionam. Passam a outros, a todos nós, seu divino canto […]. Não é pouca coisa essa demiurgia da beleza e do mistério. Sem ela, vivermos é por demais penoso, na aridez do deserto sem sentido em que fomos jogados. Com ela, transluz a lição mais profunda das coisas […]. No mundo sombrio em que vivemos, em que falta poesia e sobra materialismo, é um gesto que salva”.
A POESIA DA FOME
Outro jovem talento que despontou na Internet, destacadamente na mesma rede social, é o paulistano André D’Soares, que estreou em 2016 com um livro de contos (Cheiro de Mofo, Penalux).
Seu segundo livro, uma coletânea poética cuja irreverência já se estampa no título – “Poemas que escrevi com fome” –, tem conquistado, pela força crua de seus poemas, muitos leitores desde o seu lançamento em maio deste ano.
André é um escritor nascido e crescido na periferia da grande São Paulo, onde ainda vive em meio a inúmeras dificuldades. Neste ambiente muitas vezes hostil para quem sonha com literatura, o escritor extrai a matéria-prima para sua escrita, na qual destila um humor corrosivo e, por vezes, um senso de realidade que beira o pessimismo, como bem se vê nestes versos do poema “Inspiração” (p. 15-16): Longe da civilização, / Trancado num minúsculo quarto / Sob telhas velhas […] / Usando o computador, tentei uma poesia. / Uma poesia capaz de sacudir o mundo […] / Bati nas teclas na mesma proporção / Que a fome batia em minhas tripas; […] / A inspiração não veio./ E a poesia que iria sacudir o mundo, nem a mim sacudiu. / Eu era mesmo uma farsa ou talvez, só Deus sabe, / A própria poesia, que era impossível de ser transcrita.
Sobre o livro, a jornalista e escritora Nanete Neves escreve na 4ª capa: “Poesia rude, sem técnica nem estética, que fala de amor, abandono, aponta injustiças, denuncia o machismo e os preconceitos, sofre com a indiferença, e prova que a palavra é a arma para virar o jogo. André D’Soares admite que escreve com o desespero daqueles cuja maior dificuldade para emergir na sociedade ‘está na diferença de largada’. Essa diferença, o jovem poeta combate debochando com a hipocrisia ou denunciando os opressores, em versos que golpeiam o estômago e nos fazem refletir.”
*
Iniciativas como essas da Editora Penalux não só dão voz e vez a jovens talentos, mas, sobretudo, quem sabe, tragam a eles uma perspectiva de um futuro melhor.
Sobre os autores:
Douglas Jefferson, natural de Taubaté, São Paulo, escreve desde bem pequeno. Da infância, usando lápis e cadernos, passou a usar uma velha máquina de escrever na adolescência. É estudante de Filosofia na Faculdade Dehoniana e idealizador do projeto Caixa Carpe Diem, presente atualmente em sete países e em todos os Estados do Brasil, além de coadministrador da página Moça, você é mais poesia que mulher. Sagrou-se vencedor do segundo lugar no VI Concurso Nacional Pérolas da Literatura, na categoria poesia adulto.
Título: Nascente (poesia)
Autores: Ester Barroso e Douglas Jefferson
Publicação: 2017
Tamanho: 14×21
Páginas: 126
Preço: R$ 34 reais
Link para compra:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?products_id=593
Título: Poesias que escrevi com fome
Autor: André D’ Soares
Publicação:
Tamanho:
Páginas: 110
Preço: R$ 30,00
Link para compra:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?products_id=568






