Francinalva Alves de Sousa Muniz — pedagoga, escritora e poetisa brasileira. Nascida em vinte e quatro de novembro de mil novecentos e setenta e cinco, em Pedreiras – MA, admiradora das três gerações românticas e de suas diferentes características melancólicas, introspectivas e pessimistas — principalmente quanto aos temas do amor romântico, interrogações sobre a morte e o descontentamento das injustiças sociais. É membro da Academia Bacabalense de Letras, ocupando a cadeira nº 24, cujo patrono é o Prof. Matias Brito. Selecionada em antologias de poesias eróticas e românticas, é autora de Por Alguns Minutos, Eles, Mordomos do Mundo – Ecopoesias e outras obras em andamento para publicação.

Entrevista | Revista Conexão Literatura com Francinalva Alves de Sousa Muniz

Revista Conexão Literatura: A obra “Por Alguns Minutos, Eles” traz inspirações da trajetória de uma família em particular. Em que momento você decidiu que as memórias deles deveriam ser eternizadas em um livro?”

Francinalva Alves de Sousa Muniz: Um membro da família era, à época, um grande amigo meu. Ele havia comentado que ainda lhe faltava realizar um sonho: ver a história da família dele ser retratada em um livro. Decidi realizar seu sonho, pois eu já escrevia desde os dezesseis anos. Na época, eu tinha 27 anos e ele, 45. Foi a força do acaso que nos uniu e nos casamos anos depois. O livro eu já havia rascunhado, mas, depois de muito tempo, foi possível concretizá-lo.

Revista Conexão Literatura: Embora a obra esteja inserida em um contexto histórico marcado por guerras, pandemias e pela ditadura militar, o foco permanece na vida cotidiana da família. Como você equilibrou os acontecimentos históricos com a narrativa íntima dos personagens?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: A contextualização histórica foi fundamental para potencializar os sentimentos, sonhos e vivências de cada personagem ao longo dos anos.

Revista Conexão Literatura: A educação aparece como um dos principais instrumentos de transformação ao longo da história. Como pedagoga, de que forma sua experiência profissional influenciou essa abordagem?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: Uma conscientização mais apurada sobre o papel da educação, especialmente para as famílias mais humildes. O seu acesso é um agente transformador do meio, pelo qual o menino pobre descobre o mundo em que ele pode ter uma chance de realizar seus sonhos e seus talentos natos.

Revista Conexão Literatura: O livro retrata dificuldades como a fome, a pobreza e a falta de oportunidades, mas também destaca valores como honestidade, trabalho e amor. Que mensagem você espera transmitir aos leitores por meio desse contraste?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: Que vale a pena não desistir no meio do caminho quando se decide iniciar uma luta ou vencer uma batalha. Apesar das injustiças, você ainda é capaz de trazer luz ao mundo. O trabalho dignifica o homem, mas ele precisa de oportunidades para ter seu lugar ao sol. Ninguém chega a um milagre sozinho.

Revista Conexão Literatura: As descrições de alimentos, aromas, festas populares e elementos da natureza maranhense enriquecem a narrativa. Qual foi a importância de preservar essas memórias sensoriais e culturais na construção da obra?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: Além de ter sido fundamental para descrever a rotina e as passagens importantes da família, algumas memórias trazem uma nostalgia significativa para os dias atuais e culturas que ainda são muito fortes, como o bumba meu boi, as festas juninas e a cidade de São Luís, pela qual a família tem paixão e admiração por sua beleza e cultura.

Revista Conexão Literatura: A narrativa apresenta momentos de grande emoção, como a doença da mãe, a mudança para São Luís e a perda de dona Venuta. Houve algum episódio que foi especialmente difícil de escrever?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: Sou autista, tenho facilidade de me colocar no lugar do personagem e viajar em cada detalhe vivido, às vezes, até sentir tudo o que sentiram… dor, sofrimento, choro… E, sendo mãe, chorei ao lembrar dos momentos da morte da mãe e dos momentos em que dona Venuta vê da porta os dois filhos, Cinaldo e Joãozito, partirem para longe em busca de seus horizontes. Também o momento em que descrevo a morte de dona Venuta.

Revista Conexão Literatura: Além da prosa, a obra incorpora recursos poéticos, como o acróstico e a ode assinados por Cinaldo. Como surgiu a ideia de integrar esses textos ao livro e qual o significado deles dentro da narrativa?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: Eu também sou poetisa e talvez eu tenha influenciado um dos protagonistas a escrever algo em forma de poesia, pois a admiração pelos pais era muito poderosa e eu quis colocar no livro para que o leitor observasse essa admiração poética dentro da narrativa.

Revista Conexão Literatura: Você é autora de poesias e admiradora das gerações românticas da literatura. De que maneira sua trajetória como poetisa influenciou o estilo narrativo de Por alguns minutos, eles?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: Fui influenciada pela admiração dos protagonistas pela cidade escolhida para morar e encontrar meios de vida melhores, pela influência da música popular brasileira, pela leitura de bons livros da literatura brasileira, por revistas e observações da história de seu país.

Revista Conexão Literatura: O Maranhão ocupa papel central na obra, retratando sua cultura, paisagens e tradições. O quanto foi importante valorizar a identidade maranhense por meio dessa narrativa?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: A cultura popular, a beleza de sua capital, São Luís, com forte influência portuguesa e francesa, considerada Patrimônio da Humanidade.

Revista Conexão Literatura: Depois da publicação de Por alguns minutos, eles e de outras obras como Mordomos do Mundo – Ecopoesias, quais são seus próximos projetos literários e o que os leitores podem esperar de sua produção futura?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: Ímpetos, Relacionamentos com Vários Olhares (volume 1 e volume 2), A Ruína daquele Castelo, entre outros. O leitor pode esperar bastante emoção, conflitos, superação e uma viagem sensorial.

Revista Conexão Literatura: Como os leitores poderão saber mais sobre você, acompanhar seu trabalho e conhecer suas publicações em livros?

Francinalva Alves de Sousa Muniz: No Instagram, Facebook e WhatsApp.

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