Formado em jornalismo pela Cásper Líbero e em história pela USP (bacharel e licenciado), Paulo Henrique Galvão é mestre em relações internacionais pela UNESP (San Tiago Dantas) e especialista em jornalismo econômico pela PUC; em telejornalismo, pela USP; e em jornalismo impresso pela Cásper Líbero. Em 2022, foi premiado como melhor apresentador de rádio pela APCA. Trabalha em rádio e TV desde 1994, com passagens por Jovem Pan, Eldorado, Bandeirantes e RedeTV. Desde 2018 é âncora na rádio CBN, onde apresenta o CBN Madrugada para todo o Brasil.

Revista Conexão Literatura: O seu livro, de quase 300 páginas, mais de 600 notas de rodapé, com 28 páginas de notas, demorou cerca de trinta meses, entre pesquisa e escrita, para ficar pronto. Qual é a sensação de vê-lo publicado? E o que você espera que o leitor possa encontrar no livro?

Paulo Henrique Galvão: A sensação é a melhor possível. Creio que o livro sintetiza, de certa forma, os saberes que fui acumulando, tanto na vida acadêmica quanto no trabalho como jornalista, ao longo de quase quatro décadas. As propostas contidas nos subtítulos são ousadas, admito. Espero ter conseguido, nestas 262 páginas, mostrar como a educação focada no coletivo, e não no indivíduo, pode ser a chave para a construção de um país menos desigual. E ainda o que podemos fazer para combater a radicalização, que mina as chances de o Brasil avançar, e retomar a confiança na política e na democracia.

Revista Conexão Literatura: Você diz no primeiro capítulo que boa parte da população mundial está ressentida com o regime democrático. Poderia nos explicar?

Paulo Henrique Galvão: Esse ressentimento ocorre porque os anseios dessas pessoas, muitas vezes, não estão sendo atendidos. E em vez de buscar uma saída pela via democrática, ou seja, optar, por meio do voto, por novos representantes, estão se virando contra o regime democrático, dando margem para o surgimento dos chamados “salvadores da pátria”, o que é perigoso. Creio que o maior problema é que as pessoas estão esperando da democracia algo que ela não pode oferecer. Não esqueçamos Churchill. “É a pior forma de governo, com exceção das demais”. Principalmente em um país tão plural e desigual como o Brasil, é mais do que esperado que haja inúmeros conflitos de interesses. Não haverá consensos. Cabe aos nossos governantes e parlamentares administrarem da melhor forma esse dissenso. Democracia requer “um certo nível de resignação ante as realidades do mundo”, escreveu Moisés Naím.

Revista Conexão Literatura: A obra sugere que a busca por um olhar mais empático deve começar pela educação de nossas crianças. Como você analisa a educação em nosso país, de maneira geral? Ela tem levado os discentes à empatia, à criticidade ou à mantença do status quo? 

Paulo Henrique Galvão: Este é um passo importante que ainda precisamos dar. Mudar o foco da educação do indivíduo para o coletivo. Isso não ocorreu no passado e não está presente, hoje, em nossa sociedade. Continuamos formando gente para “vencer na vida”, como se estivéssemos numa competição, com ganhadores e perdedores. A Unesco propõe essa mudança. Não é algo que será alterado do dia para a noite. Talvez necessitemos de algumas gerações. Mas a velocidade, hoje, não é o mais importante, mas, sim, a direção. Só teremos governantes comprometidos, de verdade, com a redução das desigualdades, quando tivermos eleitores com esse propósito. Gente sensibilizada com o que chamei de “a esquerda de Bobbio”, que não tem nada a ver com comunismo ou socialismo. Trata-se, apenas, daquele “profundo sentimento de insatisfação e de sofrimento perante as iniquidades das sociedades contemporâneas”.

Revista Conexão Literatura: Você é jornalista em rádio e TV desde 1994. Conte-nos sobre esse percurso.

Paulo Henrique Galvão: Minha estreia no rádio foi em 1994, na Jovem Pan. Me formei no ano anterior, mas não tinha, ainda, nenhuma experiência profissional na área da comunicação, pois, durante o curso, trabalhava como oficial do Exército. Permaneci nas Forças Armadas por 6 anos. Deixei a farda como 1º tenente. Passei, depois, pela Rádio Eldorado e Rádio Bandeirantes, onde permaneci por 19 anos, sempre apresentando programas, nos períodos da noite e da tarde. Tive uma experiência de pouco mais de um ano na Rede TV, em 2017, e no ano seguinte, cheguei à CBN, onde estou até hoje. Apresento o CBN Madrugada, que vai ao ar da meia-noite às 5h, para todo o Brasil.

Revista Conexão Literatura: Você realizou cerca de 18 mil entrevistas com profissionais de diversas áreas, como cientistas políticos, sociólogos, economistas, políticos, educadores, executivos etc. Dessas entrevistas, quais foram as mais impactantes, em termos não só de conteúdo, como também de histórias de vida e contribuição para o desenvolvimento da nossa humanidade?

Paulo Henrique Galvão: Esse número é uma estimativa, levando em consideração os mais de 30 anos de atuação em rádio e TV. Hoje, na CBN, faço uma entrevista por dia. Mas houve períodos na Rádio Bandeirantes, quando apresentava um programa diário de três horas e outro no domingo à noite, que fazia cerca de 20 entrevistas por semana. As pautas, durante a semana, normalmente, são voltadas para o noticiário factual da política, economia e, cada vez mais, das relações internacionais. Gostava muito do meu programa de domingo, o Bandeirantes Acontece, porque abria espaço para outros temas ligados ao comportamento. Eram momentos em que podíamos nos aprofundar mais em assuntos ligados à sociologia e à filosofia, tão importantes para o desenvolvimento crítico da nossa sociedade. Muito difícil destacar alguma conversa específica, mas lembro aqui algo que citei no livro. Uma entrevista com o hebiatra Maurício de Souza Lima, médico especialista em adolescentes, sobre a importância do “não” na criação dos filhos. “Impor limites é um ato de amor”, lembrou.

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