Fale-nos sobre você.

Maurinéa Aparecida dos Santos, nascida em Lambari-MG em 1971, reside atualmente em Santo André-SP. Dedicada à Igreja há 35 anos, é secretária e cuidadora do Bispo emérito Dom Nelson Westrupp. Leitora voraz e autora de oito livros publicados, aborda temas como cuidado, família, luto e solidariedade social, além de campanhas para pessoas vulneráveis. Possui também um livro infantil ainda não publicado.

Fale-nos sobre seus livros. O que a motiva escrevê-los?

Jamais havia levado a sério a possibilidade de ter um livro meu publicado. De ler e escrever, sempre gostei.
Quando, em 2019, trabalhei em meu primeiro livro, pensava que publicar fosse um bicho de sete cabeças, um mundo fora do meu alcance. Estudei as possibilidades, aprofundei meu conhecimento sobre editoras e publicações. Considerei ser possível. Fui atrás e consegui! Foi uma enorme vitória para mim, um sonho imenso que se realizou.
Cada um dos meus oito livros publicados traz no seu núcleo o tributo à vida, à família, à natureza, aos valores fundamentais e inalienáveis.
O que me motiva a escrever é o pulsar da vida, as questões inerentes ao ser humano, a justiça, a paz, o amor, a convivência.
Na escrita, derramo minha alma, expresso-me com liberdade, fantasia e êxtase.

Como analisa a questão da leitura no país?

É triste constatar que o Brasil apresenta atraso em relação ao hábito da leitura. Não somos um país de leitores, o que revela um problema cultural profundo e persistente.
A pobreza do Brasil não é só material, é, sobretudo, cultural. Uma pena! O que vem antes? A pobreza material ou a cultural? Uma arrasta a outra e vice-versa. Onde se instala a pobreza material, ali não haverá interesse cultural. Quanto mais pobre, menos leitura, menos atividades que faz crescer e desenvolver o intelecto.
Não se pode negar que há iniciativas importantes no ramo cultural; pessoas e entidades que apoiam e fomentam a leitura em favelas, por exemplo, mas ainda é pouco, comparando com o número da população.
Percebo com tristeza que as redes sociais vêm em primeiro lugar nas ocupações diárias da adolescência e juventude.
Se você para num ponto de ônibus, numa sala de espera ou numa fila qualquer, o que as pessoas têm à mão? Um livro ou celular? Então, não é difícil perceber que a leitura no Brasil é pouca, insuficiente, pobre.

Que livro está lendo no momento?
No momento estou lendo O Primo Basílio do escritor português Eça de Queirós. Trata-se de um romance de época (1878). Uma forte crítica à burguesia e suas falsidades. Apresenta o enfado que a vida vazia traz, o conflito familiar, a questão do adultério, a chantagem.

De que tipo de leitura você mais gosta?

Adoro ler literatura clássica. Já li Machado de Assis, Graciliano Ramos, Gabriel Garcia Márquez, Victor Hugo,Alexandre Dumas. Aprecio e aprendo muito com a literatura filosófica de Fiódor Dostoiévski e Liev Tolstói.
Para mim, faz diferença ler e comentar minhas leituras. Comento com meus amigos e através das redes sociais. Dificilmente chego ao final da leitura de um livro sem fazer uma pequena análise, uma reflexão.

Site: www.maurineaasantos.com.br

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