Fale-nos sobre você.

 Meu nome é Lenita Barreto Carneiro. Nasci e resido na cidade de Itaperuna, no noroeste do estado do Rio de Janeiro, vizinha de Minas Gerais e do Espírito Santo. Já morei em Niterói, em Barra Mansa no Sul Fluminense e, mais recentemente, em Viçosa, na Zona da Mata mineira.
Cursei Ciências Sociais e iniciei a vida profissional aos dezoito anos como professora da rede pública de ensino. Depois me graduei em Direito e ingressei na carreira de analista judiciário do Tribunal de Justiça do Rio, onde me aposentei.
Sou mãe da Helena — que acabou de se formar em Arquitetura na UFV —, avó do pet Rodan Salsicha, caminhante e “pilateira”, taurina apreciadora de massas e vinhos, leitora (muito) eclética e fã de filmes de terror e suspense desde menina.
Trouxe para a minha obra essa paixão antiga pelo cinema de horror, com destaque para John Carpenter, Ridley Scott, toda a filmografia baseada em Stephen King, além dos mais recentes M. Night Shyamalan e Ghillermo Del Toro. Hoje também aprecio o trabalho de Ari Aster, Jordan Peele, James Wan e Mike Flanagan, e venho observando com alegria os avanços do gênero no cinema nacional.
Na literatura destaco, nesse momento, a influência de Isabel Allende, Rosa Montero e Mariana Enriquez; e a dos clássicos eternamente.

Fale-nos sobre os seus livros e o que a motivou a escrevê-los.

 Sou autora da série REMANSO DO HORROR, publicada pela editora Novo Século e integrada, até aqui, pelas obras REMANSO DO HORROR (2021) e REMANSO DO HORROR – O CASAL ESPECTRAL (2023). O terceiro e último volume encontra-se na fase de edição e deverá ser lançado no meio do ano.
 Trata-se de um suspense sobrenatural com pitadas cósmicas que remetem à Mitologia Amarela de Chambers, aos monstros de Lovecraft e à literatura de King, além de trazer referências a clássicos nacionais como Machado, Graciliano e Rosa.
Ambientada num fictício vilarejo serrano do sudeste brasileiro, famoso pelo entardecer escarlate e por relatos de manifestações espectrais e extraterrestres, a trama gira em torno de quatro amigos de infância destinados a combater uma entidade antiga e obscura que há séculos habita as entranhas do lugar, ameaçando seus habitantes e a família Cardoso.
Alternando passado e presente a história aborda, de forma leve e ao mesmo tempo densa, questões familiares e sociais relevantes, como a violência familiar e os distúrbios comportamentais. Destina-se ao público jovem em especial, mas pode ser apreciada por leitores de todas as idades.
Composta de livros curtos, perfeitos para quem deseja se arriscar no gênero, apresenta personagens envolventes, intensas aventuras, entidades antigas, aparições, óvnis e aquele irresistível sabor de infância no interior. Como já destacou uma leitora, entre risos, “muita coisa acontece em Remanso!”
Quanto à motivação, descobri no trabalho minha paixão pela escrita e o prazer de brincar com as palavras. Parafraseando Caetano, “gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões”.
Escrever ficção, contudo, era um sonho antigo que imaginava fora do meu alcance, porque não me via como uma pessoa criativa. Nunca fui iluminada com ideias impactantes ou assaltada por sonhos fantásticos, como muitos autores relatam.
Até que em 2019, com a vida já desacelerada e inspirada pelo cosmicismo de “True Detective” e do livro “O Rei de Amarelo”, fui tomada pela “febre do escriba”. Decidi sentar para escrever um conto, sem roteiro ou personagens preconcebidos, convicta apenas de que seria um terror com ambientação rural.
Escolhi, como ponto de partida, a igreja em obras do meu bairro, e daí foi só puxar uma espécie de fio, algo como um acumulado de informações e ideias e conceitos que eu nem sabia que carregava. Um personagem — o padre, por óbvio — foi trazendo o outro, a escrita fluiu e assim nasceu o meu Remanso, consolidado depois de meses de intermináveis revisões.
Gosto de destacar que sou uma autora gestada na maturidade, cujo trabalho, repleto de imperfeições e dúvidas, é fruto da persistência e do acúmulo de experiências que só o tempo é capaz de proporcionar. Então posso afirmar, sem pudores, que escrevo porque decidi escrever.

Como analisa a questão da leitura no país?

Atribuo o pouco interesse dos adultos, especialmente à falta de tempo, decorrente de jornadas extenuantes de trabalho; e à ausência do hábito, que precisa ser construído no decorrer da vida. Ler demanda disponibilidade, arcabouço linguístico, capacidade de interpretação, nem sempre desenvolvidos a contento, o que pode dificultar a prática e desanimar os principiantes.
Quanto aos jovens, pesa especialmente o apelo fácil das redes sociais. Não vislumbro uma solução efetiva a curto prazo porque, para crianças e adolescentes, faz-se necessário o exemplo dos mais velhos, entre outros fatores.
Destaco a importância da escola e da família no esforço de construir leitores, e me alio aos que consideram o Terror um excelente gênero de formação porque, sem abrir mão da aventura e do suspense, é capaz de traduzir, de forma alegórica ou explícita, as grandes questões que afligem a humanidade.

Que dica poderia fornecer a quem deseja ser escritor?

Sei que cada autor desenvolve métodos próprios, mas, na minha humilde experiência, e tendo em conta que considero o processo de escrita resultante mais da expiração que da inspiração, tenho somente uma dica: sente e escreva. Arranque de dentro e escreva, não levante até conseguir escrever. E no dia seguinte faça de novo, e de novo. Essa é a parte mais difícil e a mais relevante, todo o restante vem depois. Depois você pensa em como revisar, como preparar uma apresentação atraente para a obra, como publicar—livro físico ou digital, independente ou por editora —, como distribuir e divulgar. Cada etapa a seu tempo.
Ao começar a escrever, adquira o hábito de ter sempre consigo um mecanismo, analógico ou digital, para registrar as pequenas (ou grandes) ideias que surgem nos momentos mais inapropriados, de forma a não esquecer ou desperdiçar. Utilizei, em casa, um caderno amarelo de capa dura, e na bolsa sempre carregava uma pequena agenda.
Depois do lançamento, recomendo, se possível, a participação em feiras, eventos regionais e bate-papos em escolas, a fim de divulgar a obra, trocar ideias e contribuir para a formação de novos leitores. Guardo a lembrança de momentos incríveis vivenciados nos colégios e nas exposições onde apresentei meu trabalho, e o orgulho de ter ajudado a despertar, em muitos jovens e crianças, o hábito da leitura.
Por fim, não se iluda acreditando que vai fazer fortuna com literatura no Brasil, em que pesem as raras e honrosas exceções. Escreva por gosto, por prazer. Escreva para ajudar a impulsionar outra atividade profissional, se for o caso. Escreva por vaidade, por que não? Ela também é uma excelente motivação.

Há outros projetos em pauta?

Acabei de concluir o terceiro e último volume da trilogia REMANSO DO HORROR. O original já está com a editora em fase de preparação e será lançado, se tudo correr bem, no meio do ano.
Esse momento é importante e exige a dedicação do autor quanto à revisão, diagramação, capa e outros aspectos da edição de um livro, pois tudo é decidido em comum acordo.
Depois do lançamento, é sempre necessário investir um pouco de tempo na divulgação. No caso das séries, um livro costuma puxar o outro, então acabo voltando a trabalhar com os três volumes.
Por conta de tudo isso, não devo abraçar outros projetos por ora. Talvez no próximo ano, sem pressa.

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Uma resposta

  1. Uma alegria essa interação com os talentosos colegas Sérgio e Cida!
    Amei o resultado e agradeço pela oportunidade, pois sou grande admiradora da Revista Conexão Literatura!

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