| Luis Krausz – Foto divulgação |
Muita gente gostaria de viver em Schalaraffenland, país imaginário descrito em Opulência, quinto romance do escritor e tradutor paulista Luis Sérgio Krausz. O título será lançado pela Cepe Editora, dia 10 de março, das 19h às 21h, na Livraria da Vila, em São Paulo. Na ocasião haverá um bate-papo entre o autor e o crítico literário e professor da Unicamp Márcio Seligmann.
Também conhecido como Cocanha, Schalaraffenland é um lugar mitológico criado na Idade Média, onde não há dificuldades para viver. O mundo ideal, utópico.
“No Schlaraffenland os peixes nadam na superfície da água, bem
perto das margens, e já vêm assados ou cozidos. Mas se alguém tiver
preguiça demais, como convém a um verdadeiro Schlaraff, basta chamar,
“Pst! Pst!”, e os peixes já saem sozinhos da água e se encaminham,
saltitando, direto para as mãos do bom Schlaraff, que nem mesmo
precisa se abaixar.”
O autor conta que frequentou Campos do Jordão desde que nasceu, em 1961, até 2004, e acompanhou de perto o que chamou de “tragédia da sua deterioração ambiental e urbana, a invasão de hordas cada vez mais numerosas de um turismo predatório, a expansão comercial, a instalação de shopping centers, a destruição das matas nativas, a instauração de grandes congestionamentos e a favelização da cidade. Foi, ao mesmo tempo, o paraíso da minha infância e o lugar onde os terríveis equívocos do projeto (ou melhor, ausência de projeto) ‘desenvolvimentista’ do Brasil se tornaram mais evidentes para mim: à flor da pele, por assim dizer”.
No mato e nas ervas daninhas que crescem e derrubam o concreto surge a esperança de que, nesta guerra do homem contra a natureza, o lado que só vem perdendo por fim se vingue. Infelizmente, porém, as opulentas araucárias e orquídeas – tão comuns na paisagem de Campos de Jordão – não triunfarão juntamente com esse mato. “Há uma concepção tradicional judaica de história, que foi retomada por Walter Benjamin, e que entende o chamado ‘processo histórico’ como uma grande sucessão de catástrofes – e o chamado ‘progresso’ como um acúmulo incessante de escombros. É disto, também, que trata este livro: da impossibilidade de reconstruir mundos perdidos, da resignação (mas também da revolta) ante a destruição e ao acúmulo de escombros”.
“As pragas que tinham crescido do jardim abandonado eram como os refugiados de um continente maldito. Comparar seres humanos a pragas é abominável. Mas há muita gente que não resiste a cometer semelhante abominação.”
Luis Sergio Krausz cresceu em meio a uma consciência do exílio. “Dizem que tudo aquilo que uma geração não é capaz de elaborar e de expressar é passado, silenciosamente, como um baú secreto, para a geração seguinte. Sou o legatário desse grande baú de sentimentos e de emoções nunca expressas e, em minha escrita, procuro revirá-lo, compreendê-lo, apreciar suas belezas e também suas grandes ironias”. Daí a questão temporal tão abordada em seu romance, assim como as memórias, a menção à opulência européia de momentos passados.
Sobre o autor
Luis atua em três segmentos de atividade literária: pesquisa acadêmica, a criação literária e a tradução. Já publicou um romance pela Cepe: Outro lugar, vencedor do Prêmio Cepe de Literatura (2016), e do Prêmio Machado de Assis (2018). O primeiro romance, Desterro: memórias em ruínas, foi publicado em 2011. Em 2016 e 2014 ganhou segundo lugar na categoria Romance e foi finalista do Prêmio Jabuti, respectivamente, com os títulos Bazar Paraná e Deserto, ambos da editora Benvirá.
Também já publicou seis livros acadêmicos sobre literatura judaico-alemã e literatura judaica, e realizou 15 traduções de autores como Franz Kafka (no prelo), Thomas Mann (no prelo), Aharon Appelfeld e Friedrich Christian Delius.
Serviço
Lançamento do livro Opulência (Cepe Editora) e bate-papo com Márcio Seligmann
Quando: 10 de março
Onde: Livraria da Vila (R. Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena)
Horário: 19h às 21h
Preço do livro: R$ 30,00 (impresso) e R$ 9,00 (E-book)

