
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
“JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM
PERCEPÇÕES DE FATORES EMOCIONAIS E SOCIODEMOGRÁFICOS NA GESTÃO FINANCEIRA PESSOAL DE UNIVERSITÁRIOS BRASILEIROS
Projeto de pesquisa de Doutorado apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem, Faculdade de Ciências – UNESP – Campus de Bauru. Orientadora: Profª Drª Flavia H. dos Santos
RESUMO
A gestão financeira pessoal é uma habilidade essencial para o bem-estar financeiro e a segurança econômica ao longo da vida. No entanto, fatores emocionais e sociodemográficos, como ansiedade, consumo e impulsividade nas compras, podem influenciar significativamente as decisões financeiras das pessoas, especialmente dos jovens adultos em fase universitária. Este projeto de tese de doutorado versa sobre as percepções de fatores emocionais e sociodemográficos na gestão financeira pessoal de universitários no Brasil. O objetivo principal deste estudo é compreender como os fatores emocionais e sociodemográficos influenciam as decisões de gestão financeira pessoal entre universitários brasileiros. Os objetivos específicos são: criar um banco de dados com informações referentes a esta temática, realizar uma fatores emocionais e sociodemográficos associados a comportamentos financeiros, e analisar a relação entre esses fatores. O primeiro estudo da pesquisa será conduzido por meio de uma abordagem quantitativa. A coleta de dados será realizada por meio de questionário on-line com universitários de diferentes áreas de estudo, explorando suas percepções em relação à gestão financeira e às emoções associadas. Além disso, será realizada uma análise estatística para identificar como os fatores emocionais como atitudes em relação à matemática, ansiedade financeira, impulsividade nas compras e bem-estar financeiro interferem nas estratégias de gestão financeira de acordo com as características dos estudantes universitários. Espera-se que este estudo forneça indicações sobre a influência dos fatores emocionais e sociodemográficos na gestão financeira pessoal dos universitários no Brasil. Os resultados podem vir a contribuir para indicar modos de manejo da gestão de recursos financeiros, relacionados às necessidades emocionais dos jovens adultos, voltados para a promoção do bem-estar financeiro da população universitária e seu impacto futuro. A compreensão das interações entre fatores emocionais e gestão financeira pessoal poderá beneficiar os universitários brasileiros na tomada decisões financeiras planejadas e sustentáveis ao longo de suas vidas.
Palavras-chave: Gestão financeira. Fatores emocionais. Universitários.
1 INTRODUÇÃO
A gestão financeira pessoal é uma habilidade essencial que permeia todas as esferas da vida moderna. Ela se refere ao processo de gerenciar de forma eficaz os recursos financeiros disponíveis para indivíduos, famílias ou grupos, com o objetivo de sentir-se bem ou alcançar metas financeiras específicas, como poupar para a aposentadoria, adquirir bens duráveis, ou lidar com emergências inesperadas (Seguins, 2023; Veiga et al, 2019; Júnior et al, 2019; Deaton, 2008). No entanto, a gestão financeira vai muito além do simples ato de administrar dinheiro; é um reflexo das escolhas, valores e emoções de uma pessoa em relação ao seu dinheiro.
O estudo das percepções de fatores emocionais e sociodemográficos na gestão financeira pessoal de universitários no Brasil é de significativa relevância social, uma vez que aborda questões que impactam diretamente as vidas das pessoas em sua jornada acadêmica e além dela. No contexto brasileiro, no qual a educação financeira ainda é uma lacuna no currículo escolar e universitário, compreender como os aspectos emocionais, como ansiedade, autocontrole e bem-estar psicológico (Silva, 2022; Marques e Gois, 2022; Martins, 2020; Veiga et al, 2019) influenciam as decisões financeiras dos jovens adultos é crucial para promover uma sociedade mais financeiramente saudável e resiliente. Aspectos sociodemográficos, incluindo gênero, etnia, idade, estado civil, ocupação, formação, renda familiar, moradia, meio de transporte, forma de movimentar as finanças, itens de maior consumo, educação e planejamento financeiro, também desempenham papéis fundamentais, conforme evidenciado por estudos anteriores (Seguins, 2023; Costa, 2022; Ostemberg, 2022; Júnior, 2019; Melo, 2016).
A falta de habilidades financeiras adequadas pode levar a consequências negativas de longo prazo, como endividamento excessivo, falta de planejamento para o futuro e dificuldades financeiras persistentes (Ostemberg, 2022; Grohmann, 2018; Junior, Melo e Silva, 2017; Brown e Taylor, 2014). Ao investigar como fatores emocionais e sociodemográficos, como ansiedade, consumo e impulsividade afetam a gestão financeira dos universitários, podemos desenvolver estratégias de educação financeira mais eficazes, adaptadas às necessidades emocionais específicas desses estudantes.
Além disso, entender as percepções sobre gestão financeira pessoal pode ajudar a identificar barreiras emocionais que dificultam o desenvolvimento de comportamentos financeiros saudáveis, permitindo a criação de programas de apoio e intervenções personalizadas para promover uma maior saúde financeira entre os jovens adultos (Henningen, Walter e Paim, 2017; Moreira, 2002).
Do ponto de vista científico, a investigação das percepções de fatores emocionais e sociodemográficos na gestão financeira pessoal dos universitários no Brasil preenche uma lacuna significativa na literatura acadêmica nacional (Costa, 2022; Veiga et al., 2019; Campara, Vieira e Ceretta, 2016; Melo, 2016). Internacionalmente, encontram-se estudos mostrando que fatores emocionais, como ansiedade financeira, autocontrole e estresse, influenciam as decisões financeiras de jovens adultos (Megreya e Al-Emadi, 2024; Cipora et al., 2022; Martins, 2020; Grohmann, 2018; Dowker, Sarkar e Looi, 2016; Brown e Taylor, 2014; Xavier, 2013; Gathergood, 2012; Shapiro, 2012; Fuentes, Lima e Guerra, 2009; Joo, Durband e Grable, 2008; Deaton, 2008; Ashcraft, 2002). No entanto, a aplicação desses conhecimentos relativos à gestão financeira pessoal no contexto brasileiro do ponto de vista da psicologia é ainda incipiente (Costa, 2022; Veiga et al., 2019; Melo, 2016). Embora haja um corpo crescente de pesquisa sobre educação financeira e comportamento financeiro no Brasil (Costa, 2022; Veiga et al., 2019; Junior, 2019; Melo, 2016; Sampaio, Camino e Roazzi, 2010), poucos estudos se concentraram especificamente nas influências emocionais e sociodemográficas sobre as decisões financeiras dos jovens adultos brasileiros. Sendo assim, destaca-se o ineditismo do projeto de pesquisa em tela, diante da escassez ou inexistência de literatura científica específica em bases de dados acadêmicas em nível de doutorado que aborde especificamente a gestão financeira pessoal do ponto de vista da psicologia (Seguins, 2023; Silva, 2022; Ostemberg, 2022; Costa, 2022; Martins, 2020; Melo, 2016).
Ao explorar essa interseção entre finanças e emoções, percebe-se a vantagem em interligar o conhecimento nas áreas de psicologia financeira, economia comportamental e educação financeira (Xavier, 2013; Coria et al, 2005; Moreira e Tamayo, 1999). As descobertas podem fornecer indicações valiosas para pesquisadores, educadores e profissionais de políticas públicas interessados em promover uma melhor compreensão dos fatores que influenciam o comportamento financeiro e desenvolver estratégias eficazes para melhorar a saúde financeira da população jovem brasileira.
Em qualquer sociedade, a estabilidade financeira é fundamental para o bem-estar e a qualidade de vida, e no Brasil, essa questão se torna, ainda mais, crítica devido à sua história marcada por instabilidade econômica. Fatores como a escravidão, ditaduras, governos de extrema direita e esquerda, além da corrupção generalizada, contribuíram para uma enorme desigualdade social e econômica (Ostemberg, 2022; Coria et al., 2005; Moreira, 2002). Nesse contexto, a gestão financeira eficaz não se limita apenas à geração de renda, mas também envolve saber como utilizar os recursos de forma estratégica e planejada, a fim de maximizar os benefícios a longo prazo, especialmente, em um cenário de incerteza econômica.
Neste contexto, é crucial considerar a influência de fatores emocionais e sociodemográficos na gestão financeira pessoal, especialmente entre os universitários no Brasil. A ansiedade matemática, por exemplo, desempenha um papel significativo na forma como as pessoas lidam com situações financeiras que envolvem cálculos e números (Cipora et al., 2022; Dowker, Sarkar e Looi, 2016; Ashcraft, 2002). Tal tipo de ansiedade desvela-se em atitudes em relação à matemática conforme Silva (2022), Tortora e Pirola, (2020), Fuentes, Lima e Guerra (2009), e Faria, Moro e Brito (2008), pois a ideia de realizar operações matemáticas relacionadas a finanças pode vir a desencadear sentimentos de desconforto, insegurança e até mesmo medo, o que pode afetar negativamente suas decisões financeiras.
Além da ansiedade matemática relacionada às atitudes em relação à matemática, a ansiedade financeira é outra dimensão emocional que pode influenciar a gestão financeira pessoal. A ansiedade financeira é caracterizada por preocupações persistentes e angustiantes relacionadas a questões financeiras, como dívidas, despesas inesperadas e dificuldades financeiras futuras (Martins, 2020; Shapiro e Burchell, 2012; Joo, Durband e Grable, 2008). Essa ansiedade pode levar os indivíduos a adotar comportamentos de evitação em relação ao enfrentamento de questões financeiras, dificultando ainda mais a sua situação financeira e perpetuando um ciclo de estresse financeiro.
Às dimensões emocionais relacionadas à ansiedade, pode-se acrescentar a impulsividade nas compras, a qual exerce uma influência significativa na gestão financeira pessoal. A impulsividade refere-se à tendência de agir sem considerar completamente as consequências de uma decisão, levando a compras impulsivas e gastos excessivos (Veiga et al., 2019; Campara, Vieira e Ceretta, 2016; Gathergood, 2012). Para muitos universitários, especialmente aqueles que estão experimentando uma independência financeira pela primeira vez, a tentação de satisfazer desejos imediatos pode levar a escolhas financeiras prejudiciais a longo prazo.
É importante salientar que a forma como os fatores emocionais e sociodemográficos influenciam a gestão financeira pessoal pode ter um impacto significativo no bem-estar financeiro das pessoas (Seguins, 2023; Marques e Gois, 2022; Ostemberg, 2022; Silva, 2015; Sampaio, Camino e Roazzi, 2010; Moreira e Tamayo, 1999). O bem-estar financeiro não se resume apenas à quantidade de dinheiro que uma pessoa possui, mas também à sua capacidade de gerenciar eficazmente seus recursos financeiros, manter hábitos financeiros saudáveis e experimentar uma sensação de segurança e tranquilidade em relação às suas finanças.
Dessa forma, compreender as percepções de fatores emocionais e sociodemográficos na gestão financeira pessoal dos universitários no Brasil torna-se fundamental para desenvolver estratégias eficazes de educação financeira e intervenções que possam capacitá-los a tomar decisões financeiras planejadas, reduzir a ansiedade e impulsividade relacionadas às finanças, e promover um maior bem-estar financeiro e qualidade de vida.
Sendo assim, interpõe-se a pergunta de pesquisa: Em que medida os fatores emocionais e sociodemográficos influenciam a gestão financeira pessoal de estudantes universitários no Brasil?
A partir desta, expõe-se o objetivo geral: compreender como os fatores emocionais e sociodemográficos influenciam as decisões de gestão financeira pessoal entre universitários brasileiros. Em seguida, situam-se os objetivos específicos: criar um banco de dados com informações referentes a esta temática, descrever os fatores emocionais e sociodemográficos preponderantes associados aos comportamentos financeiros e analisar a relação entre esses fatores.
Com base na literatura existente e nas características da população, algumas hipóteses serão testadas: (1) estudantes com atitudes positivas em relação à matemática fazem uma gestão mais equilibrada dos recursos financeiros; (2) universitários que realizam compras por impulso frequentemente apresentam mais ansiedade financeira do que aqueles que planejam as compras; (3) estudantes de exatas estão mais satisfeitos com a gestão dos próprios recursos financeiros do que estudantes de outras áreas; (4) renda familiar mais elevada proporciona maior bem-estar financeiro; (5) universitários com ansiedade financeira mais frequente apresentam menor bem-estar financeiro. Essas hipóteses visam direcionar a análise dos dados coletados, proporcionando uma compreensão mais profunda das dinâmicas emocionais e demográficas na gestão financeira pessoal.

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Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com
