
Em um momento em que o Brasil enfrenta números alarmantes de violência contra a mulher, a literatura surge como uma forma poderosa de posicionamento.
É nesse contexto que o Coletivo Literário Aspas Duplas lança um novo projeto editorial com vocação declaradamente simbólica: a coletânea “Meu Brasil Feminil: mulheres que escrevem para resistir”, apresentada como um verdadeiro livro-manifesto em defesa da voz feminina na literatura.
O lançamento do projeto está marcado para 8 de março, data em que o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher, uma escolha que reforça o caráter cultural e político da iniciativa.
Mais do que uma coletânea literária, a proposta é um convite: dar voz às mulheres por meio da palavra escrita.
Literatura como resistência
Os números que motivam iniciativas como essa são preocupantes. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra mais de mil casos de feminicídio por ano, um crime que representa o assassinato de mulheres motivado por violência de gênero.
Além disso, milhares de casos de violência doméstica continuam sendo registrados anualmente em todo o país, evidenciando um problema estrutural que ainda desafia políticas públicas e transformações culturais.
Diante desse cenário, o Coletivo Aspas Duplas propõe um gesto simbólico: transformar a literatura em espaço de resistência e expressão.
Mas com um detalhe importante: a coletânea não pretende explorar a dor como espetáculo nem transformar a experiência feminina em narrativa de vitimização. A proposta editorial é outra: valorizar o protagonismo das mulheres. Em vez de pedir silêncio ou resignação, o livro convida escritoras a ocuparem a página com aquilo que desejarem dizer.
Um Brasil feminil
O título da obra carrega uma provocação poética.
Ao longo da história brasileira, a expressão “Brasil varonil” tornou-se um clichê patriótico frequentemente associado à imagem de bravura e força nacional. Um imaginário que dialoga com versos conhecidos do Hino Nacional Brasileiro, por exemplo, que exaltam a coragem e o espírito combativo do país.
O projeto literário do Coletivo Aspas Duplas propõe ampliar esse imaginário.
Se há um Brasil varonil celebrado na retórica histórica, também existe — e sempre existiu — um Brasil feminil, formado por mulheres que pensam, criam, escrevem e transformam a cultura.
Por motivos óbvios, a coletânea busca justamente dar visibilidade a essa dimensão da identidade brasileira.
Temas livres, vozes livres
A coletânea “Meu Brasil Feminil: Mulheres que escrevem para resistir” aceitará contos, poesias e crônicas, mas com uma característica que a torna ainda mais singular: o tema é completamente LIVRE.
A decisão editorial segue um princípio simples: se a proposta é celebrar a liberdade feminina, também não faria sentido impor limites temáticos. Sendo assim, as escritoras podem falar de amor, política, memória, cotidiano, fantasia, humor ou qualquer outro universo criativo que desejarem explorar.
A única condição é que o texto carregue aquilo que toda literatura autêntica deve possuir: voz própria.
Uma tradição feminina na literatura
A história da literatura está repleta de mulheres que desafiaram o silêncio imposto por suas épocas.
No Brasil, nomes como Clarice Lispector, Carolina Maria de Jesus, Cecília Meireles, Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles e Conceição Evaristo demonstraram que a escrita feminina pode assumir múltiplas formas: da introspecção filosófica à denúncia social, da poesia à narrativa experimental. Cada uma delas, à sua maneira, ampliou o espaço da mulher dentro da literatura brasileira.
O projeto do Coletivo Aspas Duplas dialoga com essa tradição ao incentivar novas autoras a também ocuparem esse território.
Um convite às escritoras
Ao lançar “Meu Brasil Feminil: Mulheres que escrevem para resistir”, o Coletivo Literário Aspas Duplas transforma a coletânea em um chamado aberto. Um convite para que mulheres escrevam, publiquem e compartilhem suas histórias.
Porque a literatura, quando se torna espaço de expressão, pode cumprir um papel que vai além da estética: o de afirmar presenças que por muito tempo foram silenciadas.
Neste 8 de março, a proposta do coletivo é clara: que nenhuma mulher precise pedir licença para escrever. Que nenhuma voz seja reduzida ao silêncio. E que cada página dessa coletânea lembre algo essencial: quando uma mulher escreve, ela não apenas conta uma história… ela ocupa um lugar no mundo.
Para mais informações: www.coletivoaspasduplas.com.br
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



