
Vander Godoy acredita que escrever é uma forma de tocar a alma do leitor. Natural de São Bernardo do Campo – SP, casado e pai da Sophia. Engenheiro de formação e católico de coração. Seus livros convidam a refletirmos sobre a vida, estimulando o leitor olhar além das limitações impostas pelos próprios preconceitos e paradigmas. Com sensibilidade, suas obras propõem ampliar horizontes e viver em harmonia consigo mesmo, com os irmãos e com Deus. Respeitando o direito das pessoas pensarem diferente de nós, sem renunciarmos a nossas crenças e convicções.
ENTREVISTA:
Revista Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?
Vander Godoy: Costumo dizer que sou uma afronta ao sistema. Meus pais não tiveram oportunidade de estudar. O sonho da minha mãe era que eu terminasse o ensino médio. Apesar disso, estudei bastante, me formei Engenheiro Mecânico, pós-graduado e ousei escrever meus próprios livros…
Infelizmente, nunca precisei ler um livro na escola. Somente aos 24 anos li um livro pela primeira, Sherlock Holmes. A leitura me conquistou. Aos 32 anos, enfrentei uma enfermidade que os médicos não conseguiam explicar. De um dia para o outro, minha vida mudou completamente. Eu acordava, trabalhava e dormia pensando nas dores. Passava o dia pensando e remoendo os problemas, o que só aumenta o sofrimento. Não conseguia me distrair — nem mesmo ler. Foram três anos de incertezas e sofrimentos, até que o Padre Rodrigo me disse uma frase mudou minha vida:
“Nem sempre nossos problemas são improdutivos, às vezes consegue-se aprender algo nas adversidades do deserto.”
Tomei posse daquela mensagem, e no dia seguinte, escrevi num pedaço de papel: “Mesmo no solo árido do deserto, devo continuar plantando as sementes do amor, pois uma hora elas germinarão.” Dessa frase nasceu meu primeiro livro — Sementes no Deserto: perseverando diante das adversidades. Descobri que escrever era uma forma de cura. Não curava a enfermidade, mas curava meu coração. Foi um caminho sem volta. Escrever se tornou uma grande paixão.

Revista Conexão Literatura: Você é autor do livro “Saudades sim, tristeza não!”, poderia comentar?
Vander Godoy: Esse é meu novo lançamento. Escrevi durante o luto pela perda do meu pai. Naquele momento, senti a necessidade de compreender melhor esse tema tão delicado. Percebi que a falta de conhecimento dificulta vivenciarmos o luto de forma adequada. Muitos evitam até mesmo pronunciar as palavras morte e luto, como se o silêncio pudesse afastar a realidade. Mas ignorar o tema não fará com que ele deixe de existir.
Precisamos vencer o preconceito e conversar abertamente sobre a finitude da vida, preparando-nos mental, espiritual e até burocraticamente para esse momento inevitável.
Refletir sobre a morte não significa antecipá-la, nem elimina a dor do luto.
Mas a consciência de que esse dia chegará para todos nós pode ajudar atravessarmos o luto com menos desespero. Sobretudo, refletir sobre a finitude deve nos inspirar a valorizar a vida, os momentos e as pessoas que amamos enquanto ainda temos tempo.
Na correria do dia a dia, deixamos tantas coisas para depois — e o depois pode não existir.
O dia para amar, perdoar e deixar marcas no coração de quem amamos é hoje.
Esse é o propósito de “Saudades sim, tristeza não!”: acolher quem está passando pelo luto, mas principalmente, convida-nos a valorizarmos a vida e as pessoas que amamos.
Revista Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?
Vander Godoy: Com certeza, aprendi muito com grandes autores. Como diz o professor Mario Sergio Cortella: “Seus livros são uma releitura de tudo que aprendeu na vida.” Sinto que é exatamente assim comigo. Escrevo a partir de tudo o que vivi, aprendi e considero valioso compartilhar. Minha inspiração vem do coração e das experiências do cotidiano — dos sentimentos, das perdas, das alegrias e das pequenas reflexões que a vida nos oferece. Escrever, para mim, é uma forma de tocar a alma e o coração do leitor — sempre com respeito e acolhimento. Ao partilhar minhas vivências, espero ajudar o leitor a olhar para dentro de si e refletir sobre assuntos que muitas vezes deixamos de lado — nossa relação com Deus, com os outros e conosco mesmos. É um convite para valorizarmos a vida e as pessoas que amamos enquanto ainda temos tempo. Respeitando sempre o direito de pensarem diferente de nós. Acredito que o respeito é essencial para vivermos em harmonia. Respeitar é diferente de aceitar, mas é o primeiro passo para uma convivência saudável. Deus nos deu o livre-arbítrio — quem sou eu para tomar o lugar Dele e dizer como cada um deve usar sua liberdade?
Não desejo impor meus pensamentos. Apenas plantar sementes — de amor, fé, respeito e vida — e deixar que cada leitor reflita de acordo com sua própria realidade.
Revista Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?
Vander Godoy: Será um prazer compartilhar um trecho com os leitores, convidando-os enxergarem a vida com um novo olhar.
“Este livro não oferece respostas prontas para superar o luto.
Mas acolhe o enlutado e convida todos nós a refletirmos sobre a finitude da vida — valorizando os momentos e as pessoas que estão ao nosso lado, deixando rastros de saudade no coração de quem amamos, cultivando lembranças que serão eternas.”
“Podemos imaginar a vida como uma ponte: ao nascer, iniciamos sua travessia.
A cada passo adiante, um pedaço dela se desfaz atrás de nós.
Não há como voltar — nossa única opção é seguir em frente.
Alguns atravessam rapidamente, outros lentamente, mas todos chegarão ao destino final: a morte.
A vida é apenas uma ponte que liga a margem do nascimento à margem da morte.
Aproveite a travessia. Crie memórias e afetos em seu percurso.
Em algum momento, todos nós chegaremos ao destino final.”
Revista Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?
Vander Godoy: Meus livros estão disponíveis em versões física e digital, em plataformas como a Amazon.
Podem ser adquiridos também diretamente pelo site da editora Clube de Autores.
Convido o leitor a me acompanhar pelas redes sociais, onde compartilho reflexões, trechos dos livros e novidades sobre meus projetos.
Instagram: @vandervgodoy
Revista Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?
Vander Godoy: Apesar de não receber o apoio necessário dos nossos governantes, fico feliz em ver a leitura alcançando cada vez mais os jovens.
O número de escritores independentes cresce a cada dia, mesmo com as dificuldades do mercado literário. Esse movimento mostra que a leitura continua viva e necessária em nossa sociedade.
Vivemos novos tempos. A forma de alcançar os leitores mudou — os estilos literários se diversificaram, os formatos se ampliaram, e o livro digital ganha cada vez mais espaço.
Mas se complementam sem competição. Há público para todos os estilos e plataformas.
O mais importante é que o hábito da leitura permaneça no coração das pessoas, é por meio dela que expandimos nossa consciência, alimentamos a alma e transformamos o mundo ao nosso redor.
Revista Conexão Literatura: Deseja deixar alguma mensagem aos leitores?
Vander Godoy: Sim, você que tem um sonho ou desejo no coração, não desista.
Muitas vezes deixamos de agir achando que não somos bons o suficiente — mas a verdade é que “o feito é melhor que o perfeito”.
Dê o primeiro passo com fé e siga em frente. Continue estudando, se aprimorando, aprendendo… mas nunca desista de tornar real aquilo que faz seu coração pulsar.
Revista Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?
Vander Godoy: Sim, a cabeça de um escritor vive cheia de ideias. Algumas demoram a sair do papel diante das dificuldades do mercado literário, mas sigo firme com novos projetos.
Este ano foi especialmente produtivo: lancei Saudades sim, tristeza não! e inscrevi outro livro no Prêmio Kindle de Literatura — O Homem por Trás da Batina.
Essa nova obra convida o leitor a refletir, por meio de uma história fictícia, sobre como a fé pode, em certos contextos, ser usada como instrumento político. Por trás de cada líder religioso existe um cidadão com direitos e anseios como qualquer outro. O problema surge quando a liderança espiritual se mistura a interesses pessoais.
A polarização que vivemos no país me preocupa, especialmente quando alcança o campo da fé. A igreja deveria ser um espaço de acolhimento, diálogo e respeito. Não precisamos pensar iguais — mas precisamos nos respeitar nas diferenças. É nisso que acredito, vivo e escrevo.
Perguntas rápidas:
Um livro: O Alquimista – Paulo Coelho.
Um ator ou atriz: Tony Ramos.
Um filme: Senhor dos Anéis.
Um hobby: Ler e escrever.
Um dia especial: Nascimento da minha filha Sophia.
Revista Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Vander Godoy: Convido o leitor a refletir comigo nas páginas de Saudades sim, tristeza não!
Quem está enfrentando o luto, sinta-se acolhido e abraçado pela leitura. Aos demais, deixo o convite para refletirmos sobre a importância de valorizarmos a vida, os momentos e as pessoas que amamos enquanto temos oportunidade. Hoje é o dia de escrevermos um novo capítulo em nossa história — um capítulo repleto de afetos e memórias no coração de quem amamos.
Agradeço a oportunidade de compartilhar um pouco da minha trajetória com os leitores da Revista Conexão Literatura. Acompanho sempre a revista e sinto-me honrado por fazer parte dessa história.
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



