
Felipe Rebello Ananias, 41, conhecido como Pipo, é escritor, copywriter e estrategista de conteúdo com mais de dez anos de experiência em comunicação. Transitou do jornalismo para a escrita criativa, unindo técnica narrativa e visão de mercado. É autor do romance Os Homens Não Conhecem o Amor, obra que aborda vulnerabilidade masculina e amadurecimento emocional sob uma perspectiva contemporânea. Seu trabalho combina sensibilidade literária com posicionamento estratégico, ampliando o diálogo entre literatura, cultura e sociedade. A partir do próprio livro, estruturou um projeto de difusão literária com o objetivo de fortalecer a conversa sobre afetividade e ampliar o acesso à leitura.
Revista Conexão Literatura: Os Homens Não Conhecem o Amor nasceu de uma ideia antiga, ainda da época da faculdade, mas só ganhou forma anos depois. O que mudou em você, entre 2008 e 2022, que tornou possível escrever essa história?

Pipo R. Ananias: Acredito que com mais bagagem de vida e principalmente com mais conhecimento sobre a escrita, técnicas de escrita eu passei a enxergar o mundo com mais coragem e entendi a importância de abrir conversas sobre masculinidade, sentimentos e o amor.
Revista Conexão Literatura: Você escreveu o livro em apenas 15 dias, em um momento de desemprego e fragilidade emocional. Como esse estado emocional influenciou o tom confessional e intenso da narrativa?
Pipo R. Ananias: Fui totalmente influenciado por esse momento delicado de vida, mas com muita esperança de criar algo que impacte pessoas de forma positiva. Além disso, estar mais sensível aumentou a profundidade da história.
Revista Conexão Literatura: Pedro Pontes é um personagem que chora, se apega e expõe suas dores sem filtros. Em sua visão, ainda existe resistência do público — especialmente masculino — em aceitar protagonistas homens vulneráveis?
Pipo R. Ananias: SIM! Infelizmente existe e muita. Somos criados para ser fortaleza, não expressar sentimentos, aguentar tudo sozinho e infelizmente muitos homens ainda vivem como se estivessem nos anos 1990. Talvez se os homens se abrissem mais e procurassem mais ajuda, não teríamos tantos crimes contra mulheres.
Revista Conexão Literatura: O livro aborda abusos emocionais e as pressões da masculinidade. Você acredita que estamos vivendo uma transformação real na forma como os homens lidam com seus sentimentos ou ainda estamos apenas começando essa conversa?
Pipo R. Ananias: Acredito que já temos uma geração diferente, porém, essa geração nova ainda é criada por pessoas machistas, que acreditam que homem não chora, mas enxergo no livro uma pequena voz rumo à um mundo em que os homens admitem, falam e expressam seus sentimentos, fragilidades e medos.
Revista Conexão Literatura: Ao narrar a história de Pedro em ordem cronológica, desde a separação dos pais até as decepções amorosas da vida adulta, você constrói quase um estudo emocional da formação masculina. Houve alguma preocupação em equilibrar ficção e autobiografia?
Pipo R. Ananias: O personagem foi criado com base em vivências, minhas e de tudo que me rodeava, porém, a história foi transformada em algo com mais drama e mais vulnerabilidade do personagem principal.
Revista Conexão Literatura: O título é provocativo: Os Homens Não Conhecem o Amor. Ele soa como crítica, denúncia ou reflexão? O que você deseja que o leitor sinta ao se deparar com essa frase?
Pipo R. Ananias: O título foi um ajuste fino da minha Editora, Lilian Cardoso, com a provocação. Tanto que o Não (do título) está riscado. Que levanta a questão: será que os homens realmente não conhecem o amor? Que amor é esse que os homens buscam? Desejo uma grande reflexão sobre a busca pelo amor.
Revista Conexão Literatura: O livro foi um dos mais baixados gratuitamente em sua categoria na Amazon antes de ganhar edição física. Como você enxerga essa trajetória do digital para o impresso? A recepção dos leitores influenciou sua decisão de buscar a edição física?
Pipo R. Ananias: Sim, influenciou bastante ter esse resultado no digital. Sempre sonhei em publicar um livro no formato físico e os resultados impulsionaram esse objetivo.
Revista Conexão Literatura: A aprovação do projeto na Lei de Incentivo à Cultura amplia o alcance da obra para debates e rodas de conversa. Que tipo de diálogo você espera provocar nesses encontros presenciais?
Pipo R. Ananias: Espero que seja possível abrir conversas sobre os impactos da criação de meninos com base no machismo e nos perigos de manter homens acreditam que não podem ser sensíveis, expressar sentimentos e principalmente tentar fazer com que os homens entendam que buscar ajuda para manter a saúde mental é muito importante.
Revista Conexão Literatura: Em seus textos sobre bastidores, você afirma que “falar de amor é coisa de homem, sim”. Que tipo de resistência cultural você encontrou — ou ainda encontra — ao defender essa ideia?
Pipo R. Ananias: Nas rodas de amigos, nas conversas com estranhos, na época de escola, sempre enxerguei nos outros uma dificuldade enorme em admitir que sentem algo por alguém, em relação ao amor, ou admitir o medo. Sempre encontro desdém em relação ao meu livro e as postagens que crio no instagram, da parte dos homens.
Revista Conexão Literatura: Depois de abrir essa “caixa de Pandora” dos sentimentos masculinos, como você enxerga seu próximo passo literário? Pretende continuar explorando as emoções humanas ou deseja se aventurar por novos caminhos narrativos?
Pipo R. Ananias: Eu amo falar de amor. Quero continuar ampliando as histórias de amor, sentimentos e quebrar o padrão do tal “macho-alpha”.
Revista Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Pipo R. Ananias: O livro está disponível na amazon, estante virtual e outros marketplaces. Também é possível adquirir a edição do autor, com dedicatória, marcador personalizado e outros brindes no site: livrodopipo.com.br e pelo meu instagram @pipofe
Links úteis:
Livro na Amazon: https://bit.ly/4qfesTK
Site oficial: https://livrodopipo.com.br/
Instagram: https://www.instagram.com/pipofe/
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



