
O trompetista, compositor e arranjador paulista João Lenhari está lançando seu 1º álbum The Last Minute (selo Ram Music – www.rammusic.com.br). Gravado ao vivo, em única sessão, no estúdio Arsis (SP/SP), a primeira amostra é o single, Chanson D’Amour (já está nas plataformas digitais). A novidade é que João exibe as faixas com intervalo mensal, a primeira saiu em 30/09 deste ano e a última em 30/01/26, que vem com show no ‘aclamado’ clube de jazz, Upstairs, em Montreal. Em 2026 também acontecem as apresentações no Brasil, para mostrar repertório na íntegra.
Participam do álbum músicos atuantes da cena instrumental brasileira, como Marcos Romera (piano), Thiago Alves (baixo), Raphael Ferreira (sax soprano), Vitor Cabral (bateria), e o canadense Guillaume Carpentier (sax tenor).
Vivendo em Montreal (Canadá) há quatro anos, João nasceu em Mogi Mirim (SP) e, mesmo apaixonado pela música, viveu parte da vida achando que seria jogador de futebol. Ao mesmo tempo se dedicava ao trompete na banda musical Lyra Mogimiriana (Mogi Mirim). Mas não deu outra, até se profissionalizou no futebol, mas o talento com a bola não superou sua vocação para o instrumento.
Doutor em Jazz Performance pela Universidade de Montreal, João teve como orientador o trompetista canadense Ron Di Lauro, uma das lendas do instrumento. Após a aposentadoria de Di Lauro, João foi convidado a fazer parte do quadro de professores daquela Faculdade.
Nesses quatro anos João vem unindo cada vez mais o Brasil e o jazz. Por exemplo, criou a João Lenhari Afro-Brazilian Modern Jazz Orchestra. Além de tocar, também compôs e arranja para trilhas sonoras de cinema e TV, entre eles, o longa Chacrinha, o Velho Guerreiro (2018), de Andrucha Waddington; e a minissérie Os Donos do Jogo (Netflix-2025), de Heitor Dhalia.
Conexão Literatura – Quando se fala em música instrumental brasileira, e essa é uma revista de vários temas, já se pensa numa fusão de ritmos. Como você definiria sem som?

João Lenhari – O Brasil é reconhecido por sua riqueza rítmica e pela mistura original de gêneros como, por exemplo, samba, baião, ijexá e maracatu… frequentemente fundidos com jazz, rock e música clássica. Meu trabalho instrumental reflete essa diversidade: é mestiço, como definiu Mário de Andrade, que via na mistura a essência do Brasil. Meu som é múltiplo, criativo e híbrido — vai de músico norte-americano Louis Armstrong à música erudita, sem perder a identidade brasileira. É tudo ao mesmo tempo, como nosso povo.
Conexão Literatura – Você vem tocando e gravando em discos-solos de vários artistas, dando sua contribuição como músico. Quando você resolveu que estava na sua hora de lançar o seu álbum, e até que ponto é mais fácil ou mais difícil ter que resolver como ele deve soar?
João Lenhari – Desde o início da minha carreira, sempre busquei me especializar como músico de sessão e de naipe de metais, o que me permitiu colaborar com artistas diversos e explorar muitos gêneros musicais. Essa vivência ampliou minha escuta e minha linguagem. Há 10 anos, surgiu o desejo de gravar um trabalho autoral, com ideias 100% minhas. Só agora, vivendo fora do Brasil, senti que era o momento certo de registrar isso. Criar esse álbum foi desafiador, mas também libertador: ele soa como minha trajetória — múltipla, mestiça e profundamente brasileira.
Conexão Literatura – Como você escolheu tocar o trompete? Desde quando você soube que esse seria seu instrumento para a vida toda?
João Lenhari – Escolhi o trompete de cara, com 12 anos, logo após meu período de musicalização, já sabia que era meu instrumento para a vida, foi amor a primeira vista.
Conexão Literatura – Seu álbum, The Last Minute, tem a característica, de apesar de ter sido gravado em uma única sessão, será lançado por etapas. Você tem algum objetivo com esse jeito de colocá-lo no mundo?

João Lenhari – The Last Minute foi gravado em uma única sessão, preservando a espontaneidade e a energia que os amantes do jazz tanto valorizam. Optei por lançá-lo em etapas para que cada faixa tenha seu tempo de ressonância, permitindo ao ouvinte uma escuta mais atenta e profunda. Em tempos de consumo acelerado, essa estratégia favorece a contemplação — algo essencial para quem aprecia nuances, improvisos e texturas sonoras. É uma forma de respeitar o tempo da música e do público que a consome com sensibilidade.
Conexão Literatura – Por que o primeiro single tem esse título Chanson D’Amour? Qual a história por trás dele?
João Lenhari – Chanson D’Amour é a primeira peça de uma suíte que escrevi em 2023, dedicada à minha esposa Graziela, à nossa filha Alice e à nossa cachorrinha Fuli. A composição gira em torno de intervalos de sextas e terças, evocando consonâncias que representam o afeto, mas também inclui dissonâncias — como nas relações humanas — que sempre retornam ao amor. Em tempos de tanta polarização, quis começar com uma mensagem clara: mais amor e menos guerra. O jazz, com sua liberdade e profundidade, é o veículo perfeito para expressar isso.
Conexão Literatura – Você começou tocando no Brasil, e hoje é professor em Universidade do Canadá. Como esse público de fora vê a música brasileira e consequentemente vê a sua música?
João Lenhari – O músico brasileiro é muito respeitado fora do país, especialmente pela criatividade e versatilidade. Aqui no Canadá, tenho conquistado meu espaço na cena musical de Montreal, colaborando com artistas de diversas origens. No Brasil, tive o privilégio de trabalhar com grandes compositores e arranjadores como o Nailor Azevedo Proveta e Nelson Ayres, e autores de trilhas sonoras para cinema, como Antonio Pinto, cuja obra em filmes como em Cidade de Deus e Senna me ajudou a enxergar a música como narrativa, emoção e identidade. Essa vivência moldou minha abordagem musical, que hoje compartilho com meus alunos e com o público em geral.
Conexão Literatura – Lançar o disco morando fora do Brasil faz com que você divulgue aqui e lá. Isso de qualquer maneira faz ampliar seu público. Você pensa nisso e como tem feito?
João Lenhari – Sim, penso muito nisso. Lançar o álbum morando fora do Brasil me permite divulgar minha música em dois mercados ao mesmo tempo, ampliando o alcance e conectando diferentes públicos. Tenho a sorte de contar com músicos incríveis tanto aqui quanto no Brasil, o que abre portas para realizar concertos nos dois países. Meu primeiro show será no Upstairs Jazz Club, a casa mais conceituada de jazz em Montreal, em 30 de janeiro — data do lançamento oficial do álbum. A idéia é que esse projeto circule, emocione e dialogue com quem busca mais arte, mais beleza e, acima de tudo, mais amor.
Conexão Literatura – Quem fez as capas do singles foi a artista Thamires Mulatinho. Como vocês se encontraram? E como foi essa colaboração entre vocês? Ela chegou com tudo pronto?
João Lenhari – A Thamires foi indicação do baterista Vitor Cabral e nossa sintonia foi imediata. Ela tem uma visão artística muito sensível e criativa, o que fez com que eu a enxergasse como parte do grupo, mesmo atuando na área visual. Pedi que ela escutasse o álbum e criasse algo não convencional, que traduzisse a essência do projeto. Dei um ‘briefing’ inicial, mas o resultado veio quase pronto — bastou ajustar pequenos detalhes. Sua contribuição ajuda a ampliar o alcance do trabalho, conectando o público pela estética, pela emoção e pela arte.
Conexão Literatura – É uma surpresa saber que você toca trompete na banda do nosso ‘rei’ Roberto Carlos. Como aconteceu isso? E é verdade que ele toca em várias partes do mundo?
João Lenhari – Tenho o prazer de tocar na banda do Roberto Carlos desde 2008, após começar como substituto em 2004. Com ele, tive a honra de visitar mais de 25 países e tocar em palcos lendários como o Radio City Music Hall, em Nova York. Roberto sempre me inspirou pela forma como usa a música para espalhar amor e sensibilidade — suas letras falam de afeto, respeito e humanidade. Trabalhar ao lado de um artista que construiu uma carreira internacional com base em valores tão universais me ensinou que a música pode, sim, tocar corações e unir pessoas. Isso sempre guiou minha própria trajetória.
Conexão Literatura – Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o single e saber mais sobre você e o seu trabalho?
João Lenhari – O single já está disponível nas plataformas, mas recomendo fortemente que o público acesse o Bandcamp e adquira os lançamentos por lá. No Bandcamp, a renda vai integralmente para o artista, o que é uma forma direta e consciente de apoiar quem investe tempo, estudo e recursos para entregar música de qualidade. Hoje em dia, muitos esquecem que por trás de cada faixa há uma equipe dedicada e apaixonada. Quem quiser conhecer mais sobre meu trabalho pode visitar meu site https://www.joaolenhari.com, além das minhas redes sociais — Instagram, Facebook e YouTube — onde compartilho bastidores, concertos e reflexões sobre música e arte. Apoiar é também fazer parte da construção de mais beleza no mundo. [musique.umontreal.ca].
Perguntas rápidas:
Um álbum: Joe Magnarelli & John Swana – Philly – New York Junction (17/02/2004)
Um (a) compositor (a): Wayne Shorter (1933/2023)
Um (a) músico: Louis Armstrong (1901/1971)
Um (a) faixa/música: In Balance, composição de Eric Alexander no álbum Philly – New York Junction
Uma data especial: 06 de julho de 2015, nascimento do meu amor maior, minha filha.
Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
João Lenhari – Quero agradecer à Revista Conexão Literatura a oportunidade de poder falar um pouco sobre meu primeiro álbum e de contar um pouco sobre minha trajetória.
Serviço: Artista: João Lenhari (www.joaolenhari.com)
Single: Chanson D’Amour
Autor: João Lenhari – Selo Ram Music (www.rammusic.com)
Onde encontrar: Plataformas digitais
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



