
É natural de São José dos Pinhais, PR, casado e pai de duas filhas. É engenheiro eletricista, professor universitário, cientista, mestre e doutor em ciências. Através da poetiza Helena Kolody, chegou ao universo do haicai em 1999. Deste então se decida a esta arte como hobby e paixão. Como escritor, assina com nome poético nipônico de Matsuki, que significa “pé de pinheiro”. É autor de vários livros de haicais, entre eles: Bem Te Vi; Olhem as Aves do Céu; The Canterbury Haiku; Luar de Abril (prêmio Bunkyo SP de Literatura em 2012); e Che Paraná Porã. Já foi vencedor em vários concursos literários. Mais informações: Instagram @sergiofpichorim
ENTREVISTA:
Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?
Matsuki Pichorim: Na adolescência eu lia livros exigidos nas aulas, mas eu gostava de aventuras e ficção científica. Minha graduação e pós foi na área de engenharia, e neste período me afastei da literatura geral para focar em temas técnicos/profissionais. Só mais tarde, depois dos 35 anos de idade, voltei a redescobrir a poesia através de um livro da poetiza paranaense Helena Kolody, onde vim a conhecer o haicai. A passagem de leitor para escritor foi gradual nestes últimos 25 anos.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Bem Te Vi – haicais de um vivente” (editora Mondrongo), poderia comentar?
Matsuki Pichorim: Este livro contém 240 haicais organizados nas quatro estações do ano e mais dois anexos com textos didáticos que eu já utilizei em palestras sobre a poesia haicai ao longo dos anos em eventos de haicai. O livro traz também prefácios e comentários de 5 grandes poetas do haicai brasileiro na atualidade. Eu escolhi como título a experiência que é o haicai: ver o mundo mais plenamente, senti-lo e vivê-lo “bem”, por isso são “haicais de um vivente”.
Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?
Matsuki Pichorim: O dia-a-dia é a melhor hora e o lugar comum o melhor ambiente de criação. Em casa, no ônibus, na fila do mercado, no parque, em uma caminhada, não importa, basta estar atendo para captar instantes poéticos e mágicos. O haicai é uma fotografia em forma de um pequeno texto poético. Bastar clicar o botão da sensibilidade e registrar em um bloco de rascunho, num pedaço de papel ou até gravar um áudio para mim mesmo no celular. Depois em casa e com calma, lapidar o texto. Claro, a forte de inspiração sempre é a natureza, na qual nós humanos também fazemos parte (apesar de a vezes negarmos isso).
Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?
Matsuki Pichorim: Eis um trecho da introdução: …o haicai é místico, é revelação, despertar (iluminação). Pois o exercício proposto pelo haicai, nos torna mais sensíveis, mais ligados ao mundo, mais seres humanos… Neste caminho, mais do que haicaistas ou leitores, somos todos viventes. Talvez uns menos sensíveis, e outros um pouco mais atentos ao mundo e à dinâmica da vida. É esta atenção que se deve buscar.
Eis um fato: “O poeta, sentado no pórtico de um templo em ruínas, tinha o olhar fixo no nascente… Kahlil Gibran, que o via todas as manhãs, se encheu um dia de coragem e lhe perguntou o que fazia…
– Contemplo a vida, ele respondeu.
– Apenas isto?
– E não é o bastante?”
E do capítulo “Inverno” deixo aqui dois haicais:
Súbita alegria.
Um ipê na avenida
todo verde-rosa.
Noite de chuva.
Caídos no asfalto
moto, corpo e pizzas.
Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?
Matsuki Pichorim: Para adquirir o livro, o leitor pode me chamar no WhatsApp (41) 98421 2502 ou me procurar no Instagram (@sergiofpichorim). Aliás, diariamente eu posto fotohaicais de minha autoria nas redes sociais. Outros trabalhos e materiais literários podem ser encontrados na página de minha universidade (UTFPR). Mecanismos de busca on-line, com os termos Pichorim e Haicai, podem achar isso lá. Também mantenho um blog de poesias em sfpichorim.blogspot.com
Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?
Matsuki Pichorim: Vejo que o Brasil é um país de leitores, mas que tem muito ainda para crescer e melhorar. Especialmente se compararmos aos grandes países. Sinto que existe uma grande preferência dos brasileiros pela literatura estrangeira, fortemente influenciada pelas mídias. Infelizmente, os autores brasileiros têm um espaço mais reduzido em eventos e no mercado literário.
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?
Matsuki Pichorim: Sempre tem, mas ainda estão bem gestação. Pretendo continuar a escrever haicais e também buscar mesclar a poesia haicai com textos em prosa, com minicontos e também com ilustrações, desenhos e fotos.
Perguntas rápidas:
Um livro: Gitanjali de R. Tagore (1913)
Um ator ou atriz: Audrey Hepburn
Um filme: A Casa de Chá do Luar de Agosto (1956)
Um hobby: Pedalar na natureza
Um dia especial: Férias na praia
Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Matsuki Pichorim: Deixo aqui alguns conselhos para a leitura de haicais: leia sem pressa, leia aos poucos, nas horas livres, um poema, uma página, não importa. Não precisa ler o livro em ordem, a leitura não tem começo nem fim. Após cada haicai, deixe o silêncio falar em você. O haicai sempre abre espaço para a experiência do leitor, os seja, não é uma poesia acabada. Recrie em você a experiência vivida/sugerida. E como diz o poeta Alvaro Posselt, “O haicai é o poema do agora. Curta-o intensamente!”
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



