Marcelo Hissa é médico endocrinologista e escritor. Autor de A Pena Azul, romance espiritual que une ciência e transcendência ao explorar o despertar interior e a busca por sentido.

Atualmente, tem um segundo livro em edição e um terceiro em fase de confecção, ambos dando continuidade à proposta de integrar espiritualidade e reflexão humana.

Também é autor dos contos “Djaci” e “Dias de Oceano”, publicados em antologias nacionais que abordam esperança, recomeço e reconexão da alma.

Entre a medicina e a literatura, Marcelo busca compreender — e expressar — o invisível que habita o humano, transformando a palavra em instrumento de cura e despertar interior

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Marcelo Rocha Nasser Hissa: Foi algo muito intuitivo. Há muito tempo eu alimentava dentro de mim algumas estórias que desejava contar, mas nunca havia encontrado o impulso certo. Em um dos meus momentos de meditação, essa força criativa simplesmente se tornou incontrolável — como se uma inspiração profunda tivesse tomado forma.

A estória veio quase pronta, como se estivesse sendo ditada de algum lugar mais alto. Eu apenas me tornei o instrumento. Tamanha foi a intensidade da intuição que o processo de escrita fluiu em uma única semana, como se cada palavra já estivesse à espera de ser lembrada.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “A Pena Azul”, poderia comentar?

Marcelo Rocha Nasser Hissa: A Pena Azul é um romance que nasceu da necessidade de compreender a alma humana em seus momentos de transição. Ele fala sobre fé, autoconhecimento e reconciliação interior, mas sem se prender a rótulos religiosos. A história acompanha um jovem médico que, após um evento-limite, é conduzido a uma jornada simbólica de reencontro com sua essência.

Embora a trama tenha elementos espirituais, o foco está na experiência humana — nas dores, escolhas e despertares que todos enfrentamos. É um livro sobre lembrança e sentido: sobre o instante em que o silêncio interior se torna o maior mestre.

Procurei unir poesia e reflexão, emoção e razão, para que cada leitor pudesse se enxergar nas páginas e, de alguma forma, lembrar-se também de quem é.

Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?

Marcelo Rocha Nasser Hissa: Meu processo de criação é muito intuitivo e guiado por temas ligados à espiritualidade, filosofia e transcendência. Escrevo quando algo me toca de forma interior, como se as ideias já existissem e eu apenas as organizasse em palavras.

No campo espiritual, encontro grande inspiração em autores como Robson Pinheiro, Vera Marinzeck, Divaldo Franco e Chico Xavier, que me ajudaram a compreender a dimensão sutil da vida.

Na filosofia, há muito de O Caibalion, com suas leis universais, e também ecos de Heather Hughes-Calero, Nagabe e Osamu Tezuka, cujas obras unem reflexão e sensibilidade.

Na vertente transcendental, busco referências em Paramahansa Yogananda e Drunvalo Melchizedek, que ampliaram meu olhar sobre energia, consciência e unidade.

E, na arte da narrativa, há sempre um toque de Brandon Sanderson e Alejandro Jodorowsky , pela maneira como constróem universos simbólicos e coerentes, e transforma ideias abstratas em emoção viva.

Costumo dizer que escrevo entre o céu e a Terra — com os pés na realidade da medicina e a mente voltada para o invisível que move o humano.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?   

Marcelo Rocha Nasser Hissa: Há um trecho de A Pena Azul que considero um dos mais significativos da obra.

É o momento em que Júlio, o protagonista, é confrontado com algo maior do que a própria consciência — o instante em que o ego se vê diante da alma.

“— Lembre-se de quem você é.

Júlio respondeu quase por reflexo, com a voz trêmula e um tom de raiva contida:

— Eu sei quem sou… Nunca me esqueci. Sou Júlio. Estudante de medicina, futuro médico… Uma pessoa que vive com uma maldita doença que Deus me deu. Mas ainda estou aqui. De pé. Lutando.

A luz permaneceu. Não houve julgamento. Não houve resposta imediata. Apenas a mesma voz, mais firme agora, quase cortando:

— Não. Lembre-se de quem você realmente é.”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Marcelo Rocha Nasser Hissa: Os leitores interessados podem adquirir A Pena Azul diretamente comigo, por meio das minhas redes sociais ou contato pessoal.

As edições enviadas por mim acompanham dedicatória escrita à mão, marcador exclusivo e um cartão de agradecimento personalizado, preparados com muito carinho para cada leitor.

Há também disponível no Amazon.

Além desse romance, também participo das antologias Relíquias da Vida e Antes que o Tempo Passe, ambas com contos de minha autoria que considero entre as minhas criações mais profundas — reflexões sobre a alma, o tempo e o sentido da existência.

Quem desejar conhecer mais sobre meu trabalho literário e acompanhar os próximos lançamentos pode visitar no perfil no Instagram @marcelohissaendocrino – https://www.instagram.com/marcelohissaendocrino/

, onde compartilho inspirações, bastidores e mensagens sobre a caminhada espiritual que a escrita representa.

Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?

Marcelo Rocha Nasser Hissa:  Como leitor assíduo, talvez eu veja a questão da leitura no Brasil por um viés um pouco particular. Ler, para mim, é o maior hobby — muito mais do que assistir séries, filmes ou jogar videogame. No entanto, percebo que a leitura ainda é pouco estimulada e muitas vezes conduzida de forma equivocada.

Acredito que é essencial valorizarmos os clássicos da literatura nacional, mas também é urgente estimular o contemporâneo, o acessível, o novo. É difícil despertar o gosto pela leitura em jovens quando eles são obrigados a ler autores complexos, como José de Alencar — um conterrâneo que admiro — em uma fase da vida em que ainda não houve amadurecimento literário suficiente para apreciá-lo plenamente.

Talvez o caminho seja o inverso: começar pelo que aproxima, para depois alcançar o que desafia. Despertar o prazer antes da obrigação. Vejo com alegria as grandes livrarias cheias novamente, sinal de que o livro físico ainda resiste; por outro lado, entristece-me notar que o incentivo à leitura, em muitos casos, se resume a modismos de “influencers” e algoritmos, quando o verdadeiro estímulo deveria vir do encontro íntimo entre o leitor e a palavra.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Marcelo Rocha Nasser Hissa:  Sim, existem novos projetos em pauta. Se tudo correr como planejado, um segundo livro deverá ser lançado ainda este ano, e o terceiro possivelmente no segundo semestre do próximo.

Mas, no momento, meu foco principal está em A Pena Azul — tanto na divulgação quanto no contato com os leitores, que têm me proporcionado trocas muito bonitas. É uma fase de aprendizado e gratidão, em que cada mensagem recebida confirma que o propósito do livro está cumprindo seu papel.

Perguntas rápidas:

Um livro: Autobiografia de um Iogue, mas Caibalion também não tem como ficar de fora

Um ator ou atriz: Jonathan Roumie

Um filme: Onde os Fracos Não Têm Vez

Um hobby: Colecionar CDs (ou leitura)

Um dia especial: O dia de hoje

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Marcelo Rocha Nasser Hissa: Pergunto-me, às vezes, se vale a pena investir valores elevados em editoras que cobram caro, mas oferecem um resultado estético e técnico impecável. Onde termina o desejo legítimo de ver uma obra bem produzida — e onde começa a armadilha da vaidade? Publicar um livro é também enfrentar o próprio ego. Tento sempre lembrar que a mensagem é mais importante que o mensageiro, e que o verdadeiro mérito está em tocar o outro, não em ser admirado.

Também reflito sobre o equilíbrio entre paciência e impulso. O mercado editorial exige espera: longos prazos, respostas incertas, silêncio frequente. Por diversas vezes, acabei enviando meus originais a editoras que talvez não fossem minha primeira escolha, movido pelo receio de perder oportunidades diante do tempo dilatado das que mais admirava.

Não digo isso em crítica, mas como um apelo à humanização do processo editorial. Somos muitos autores tentando compreender esse labirinto entre sonho, pressa e esperança — e talvez a leitura no Brasil precise justamente disso: de mais pontes humanas entre quem escreve, quem publica e quem lê.

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