Manoel Amador é licenciado em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e atua como professor há 25 anos nos anos iniciais do ensino fundamental, com experiências em escolas da zona rural e urbana do município de São Tomé/RN. Atualmente, exerce a docência na Escola Municipal José Euzébio Fernandes Bezerra, onde desenvolve práticas fundamentadas no ensino desenvolvimental e voltadas à alfabetização de crianças com defasagem em leitura e escrita. Paralelamente, exerce a função de coordenador pedagógico do ensino médio na Escola Estadual Amaro Cavalcante. Foi secretário municipal de educação e possui trajetória no movimento sindical, com atuação voltada à defesa da escola pública e à valorização do magistério. É autor da obra Alfabetização de Crianças.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Manoel Amador: Percebi que muitas das ideias, reflexões e práticas que desenvolvi ao longo da minha trajetória como professor e coordenador pedagógico frequentemente apareciam, posteriormente, nas análises de especialistas e estudiosos da educação. Essa constatação me motivou a sistematizar minhas próprias contribuições, com foco específico no processo de alfabetização. No caso desta obra, acredito que ela reúne elementos de originalidade e pode oferecer aportes relevantes para a elevação da qualidade da alfabetização, especialmente nas escolas públicas brasileiras.

Conexão Literatura: Você é autor do livro Alfabetização de Crianças. Poderia comentar?

Manoel Amador: O livro parte da premissa de que, quando as ações corretivas são implementadas no tempo oportuno — com gestão eficiente, apoio ao professor, e ajustes metodológicos e pedagógicos — é plenamente possível alcançar a meta de alfabetizar todas as crianças no período adequado. No entanto, é fundamental compreender que esse objetivo não será atingido apenas com o esforço de professores e professoras. A formação docente, por si só, não é suficiente para resolver o problema, diante da multiplicidade de fatores que interferem nesse processo. A alfabetização, como se sabe, é um processo complexo, influenciado por uma série de variáveis e condicionantes internos e externos à escola, que impactam diretamente os resultados.

Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?

Manoel Amador: Meu processo de criação ocorre, geralmente, em duas etapas complementares. No primeiro momento, surgem os insights — ideias que emergem da vivência, da escuta atenta, da observação cotidiana e, sobretudo, da leitura. Em seguida, procuro registrar essas ideias por meio de anotações, que posteriormente são sistematizadas com base em reflexões mais aprofundadas e fundamentadas. Minhas inspirações derivam, em grande parte, de situações concretas vivenciadas no cotidiano escolar, articuladas a processos internos de elaboração crítica. Nesse contexto, a motivação principal deste livro surge da constatação de que muitas crianças ainda chegam aos 4º e 5º anos do ensino fundamental sem estarem alfabetizadas, o que gera, em nós, educadores, um sentimento de angústia diante da ausência de condições adequadas para garantir melhores resultados.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?

Manoel Amador: Há uma citação no livro de José Carlos Cagliari que considero emblemática e que reforça a tese central desta obra — a de que é possível, sim, alfabetizar nossas crianças com mais rapidez, desde que existam estratégias adequadas, condições institucionais e compromisso coletivo. Afirma Cagliari: “[…] nos primórdios, antes da criação da escola pública, a educação era feita de forma individual e/ou, eventualmente, em pequenos grupos, e os professores conseguiam alfabetizar os alunos. Com o surgimento das escolas públicas, aquilo que era feito individualmente passou a ser feito de forma coletiva, exigindo mais recursos, tempo e um ambiente propício para o ensino da leitura e da escrita.” Para o autor, o currículo, os horários e as cartilhas surgiram para garantir que esse processo ocorresse de forma mais lenta, a fim de que o professor não ficasse sem trabalho durante o ano — era preciso alfabetizar gradualmente.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Manoel Amador: O livro Alfabetização de Crianças já está disponível para venda em livrarias físicas e nas principais plataformas digitais.
Amazon: https://www.amazon.com.br/s?k=9786525077833&i=digital-text
Play Google: https://play.google.com/store/books/details?id=4W9oEQAAQBAJ&gl=br
Kobo: https://www.kobo.com/br/pt/ebook/alfabetizacao-de-criancas

Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?

Manoel Amador: Os dados da última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil revelam um cenário bastante desafiador e reforçam que ainda há um longo caminho a ser percorrido no que se refere à formação de leitores em nosso país. Embora as pessoas estejam lendo com mais frequência em redes sociais e ambientes digitais, o grande desafio consiste em promover o deslocamento para práticas de leitura mais densas, críticas e formativas. Nesse contexto, torna-se fundamental estimular o gosto pela leitura desde a escola, no ambiente familiar e por meio de outros espaços comunitários — como bibliotecas públicas, etc. Além disso, são indispensáveis políticas consistentes de incentivo ao livro — ampliando as estratégias de ampliação do acesso e a redução dos preços —, que contribuam para democratizar a leitura em nosso país.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Manoel Amador: Sim. No futuro, pretendo aprofundar as ideias apresentadas no capítulo final do livro, expandindo-as em uma nova obra. A proposta é desenvolver, com maior detalhamento, as ações pedagógicas, as estratégias de gestão e seus respectivos fundamentos teóricos, todos voltados à garantia do direito à alfabetização de todas as crianças.

Conexão Literatura: Perguntas rápidas.
Um livro: AlfaLetrar – Magda Soares
Um ator ou atriz: Fernanda Montenegro
Um filme: Central do Brasil
Um hobby: ler
Um dia especial: O dia em que todas as crianças forem declaradas alfabetizadas

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário

Manoel Amador: Acredito na potência da educação brasileira — na dedicação dos seus profissionais, no desejo das famílias de verem seus filhos bem educados e na boa intenção dos gestores públicos. Por isso, defendo que todas as crianças podem ser alfabetizadas com maior celeridade, desde que haja condições adequadas, compromisso coletivo e ações pedagógicas orientadas de forma sistemática e intencional, especialmente nos anos iniciais do ensino fundamental, com foco claro nesse objetivo.

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