Leny Pimenta: Doutora em Educação; Ma em Linguística; Escritora; Especialista em Educação com Vivências em Educação Escolar: – (professora [rede pública e privada]; coordenadora pedagógica, diretora educacional; mantenedora); Escreveu em coautoria das 40 revistas de Educação tecnológica “LegoZoom” – ZOOM Editora Educacional- com autorização The LEGO Group – Dinamarca. Assumiu a direção em 2002 de um projeto de Educação tecnológica no Estado da Bahia junto à Secretaria de Educação coordenando formações de professores para a Educação Tecnológica na rede pública do Estado. Organizou a implantação da área de Ciência e Tecnologia com Lego na rede Municipal de Curitiba, foi convidada a ministrar um curso de 30 horas sobre esse projeto em Havana/México, na Universidade de Engenharia CUJAE. A convite da LEGO foi conhecer o MIT – (Massachusetts Institute of Technology) – em Boston e, também a Legoland em Billund na Dinamarca. Colaborou na organização e escrita dos manuais e Fascículos LEGO-Líder: Nano Treck; Ocean Treck; Space Treck da ZOOM Editora Educacional (2001 a 2016); Foi autora das 08 revistas – coleção LEGO “Paulínia Stop Motion”: Personagens Conhecidos: -Romeu e Julieta (um clássico escrito por William Shakespeare) e a Gata Borralheira (de Charles Perrault). Quem faz o quê? -País das Maravilhas (um célebre encontro entre o “Grilo Falante”e o “Coelho Branco”) e a Cidade dos Sonhos (uma cidade dos desejos infantis). Gêneros: O Tesouro do Barba Negra; Operação (DES)encana. Como se faz um filme: – O Fantástico Mundo; Dinos…em Ação (2008); Também participou como autora da coleção de livros didáticos para o 1o. ano do Ensino Fundamental (2012) Editora PEARSON Sistema COC de ensino; Foi mentora e orientadora da proposta para a coleção de livros didáticos para o Ensino Infantil e Fundamental da Editora PEARSON (2013). Trabalhou como voluntária vários anos nas creches públicas de Cristais Paulista e em Franca/SP na assistência a projetos educacionais. Participou de Congressos Educacionais na Europa e na América do Sul (especificamente Espanha, Chile, Argentina e Peru) com a presentação de trabalhos científicos assim como atuou na publicação de vários artigos científicos. Participou da organização e de capítulos de livros pela USP (vinculados ao grupo de pesquisa GEPALLE/USP); UNESP (vinculado ao grupo de pesquisa GESTELD), apoio do OBEDUC/CAPES/INEP. Palestrante na BETT Brasil pela USP/RP e pela EDUCACROSS; Tem atuado na participação em bancas de Mestrado e doutorado pela USP/SP e pela UNESP-Araraquara. É conselheira da Startup Educacross (Supera Parque Tecnológico- USP/RP) e do Colégio Monteiro Lobato-Franca.

CV: https://lattes.cnpq.br/8402199939092825

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Leny André Pimenta: Tive uma infância no campo e repleta de “causos” e histórias o que facilitou a ter uma imaginação fértil e criativa. Ressalto que minha vida é movida pela paixão consciente que tenho pelo ato de educar, pela transformação e ressignificação de si, do outro e do mundo quanto aos modos de existência, que a meu ver, vai além dos saberes adquiridos, trata-se realmente de uma educa/ação. Atualmente após 50 anos de trabalho, continuo buscando novos conhecimentos, vivências e leituras que corroboram para o constante e incansável modo de pensar. Pensar no legado a deixar para as futuras gerações, pensar e repensar sobre o propósito e, reposicionar constantemente para se deixar fluir no mais adiante os impactos de uma trajetória de vida como educadora. A literatura sempre esteve presente em minha vida e Monteiro Lobato foi/é minha fonte de inspiração… E, como o “eu” dele era a boneca Emília eu absorvi suas “comichões”…

Conexão Literatura: Você é autora do livro “Hamlet – O Jogo – Cards Literários”, poderia comentar?

Leny André Pimenta: Trata-se de uma obra acadêmica (Tese de Doutorado em Educação-UNESP/Araraquara), resultado de um trabalho investigativo (como pesquisadora do Gesteld-UNESP/Bauru e do Gepalle-USP/RP), e de observação sobre as práticas de ensino de leitura e escrita literária na Educação básica. Cujo objetivo foi o de verificar como os jovens atuam frente ao “solilóquio Hamletiano” e,  de como estão sendo moldados pela cultura escolar na construção das identidades. Oportunizou-se ao sujeito aluno escrileitor/jogador uma imersão no campo das sensibilidades, a partir da jogabilidade dos “cards literários”, incitá-lo a problematização das situações vividas por Hamlet e trazê-las para uma experiência cognitiva/afetiva de si mesmo, proporcionando a disrupção no modo de ler/pensar e agir, sobre si, o outro e o mundo de forma ética e reflexiva, rompendo com a for/matação dos modos de escrever e ler nas instituições escolares. De forma instigante, essa obra, possibilita abertura para outros gestos de leituras subjetivadoras e singulares no sentido de promover uma educação para o governo ético de si mesmo.  Os resultados dessa literatura gamificada sinalizam para a melhoria dos modos de ler de forma prazerosa e crítica com maior envolvimento emocional, permite a criação de ambiente espontâneo e criativo, consequentemente, possibilita a autoria.

Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?

Leny André Pimenta: O processo de criação ocorre quando estou “implicada”, quando algo não faz sentido, quando há um estranhamento e, assim me desloco para situações desafiadoras, uma movência da intuição, uma fruição aliada ao desejo de ser capaz de recriar algo de forma pessoal e significativa. A maior inspiração é a própria realidade educacional que está naturalizada, presa a padrões seculares, nesse sentido me sinto instigada a desconstruir pelas “bordas” as práticas que corroboram para o engessamento, tem-se a possibilidade de conhecer melhor os modos de dizer, pensar e sentir desses jovens e, por outro lado, ter subsídios para elaborar objetos educacionais que possam auxiliar professores a lidarem com questões como o governo de “si” e do “outro” (governamentalidade), a refletir sobre como trabalhar com a subjetivação, a identificação dentro do âmbito de questões existenciais que envolvem a formação do sujeito e, é justamente neste ponto que se ressalta a importância da literatura como arte e fruição em relação às questões existenciais.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?   

Leny André Pimenta: (…) pode-se pensar que a construção da identidade é advinda das relações singulares estabelecidas em decorrência das leituras realizadas, das experiências vivenciadas, da história pessoal de cada um e do(s) outro(os) que constitui o sujeito, implicando-o a todo momento, frente ao estranhamento, ao diferente, em dar novos sentidos, deslocando-o, possibilitando a (re)significar seu modo de existência e suas subjetividades. Sendo assim, podemos considerar que por meio da literatura trágica hamletiana o sujeito poderá se (re)avaliar, e talvez revelar em um outro sujeito mais autêntico de si, (re)constituído de identidades, subjetividades e singularidades outras. Dessa forma, pode-se compreender que a sala de aula deve ser um espaço dialético e dialógico de aprendizagem relacional constituído/construído por uma dimensão subjetiva, considerando as singularidades dos alunos, um espaço produtor de identidades, discursos e verdades, convertendo a escola em um amplo espaço social – relativos aos modos de conceber a si mesmos e ao outro, onde envolve aspectos simbólicos e emocionais, para cuidar de si e do outro, enfim espaço promotor de alteridades. (PIMENTA, L.A. 2023, p.71)

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Leny André Pimenta: Essa obra se encontra disponível em vários sites e Livrarias: Appris Editora;  Amazon.com.br; Livraria Martins Fontes Paulista;  Livraria Leituras; Disal-Distribuidora de conhecimentos; e outras…

Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?

Leny André Pimenta: Sabe-se que o desenvolvimento da leitura, de forma ampla, contribui para um sujeito leitor-ativo que consegue se posicionar, sustentar/autorizar o seu dizer nas mais diversas situações de comunicação. Mas, o que se assiste, nas últimas décadas, circulando em reportagens, congressos, no ambiente acadêmico entre outros sobre a leitura é que o trabalho com a formação de leitores ativos não tem alcançado a eficácia necessária. Lê-se pouco, lê-se mal e até mesmo não se lê. Pode-se pensar que o ato de ler e de como se lê a literatura canônica é um desafio político que envolve democracia e cidadania, certamente a formação do sujeito aluno cidadão/leitor, o que implica em ir além dos muros da escola, implica formar, que implica conduzir, que implica governar a si mesmo e ao outro, atuando no nível da micropolítica, na esfera das descontinuidades e nas brechas de uma experiência (onde se abrem as condições de efetuarmos diferentes conexões e combinações), favorecendo a construção de subjetividades por meio de outras maneiras de sentir, perceber, pensar e agir, isto é, de avaliar, a nós mesmos e às possibilidades de vida que estamos em vias de devir.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Leny André Pimenta: Sim, estou atualmente envolvida em um projeto de pesquisa que envolve ensino e extensão, uma vez que objetiva tornar-se um Programa de SUSTENTABILIDADE HUMANA para a Educação Básica. Que será desenvolvido no âmbito do Grupo de Estudos em Educação, Sexualidade, Tecnologias, Linguagens e Discursos (GESTELD/CNPq – FEB/UNESP) e se insere no Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar da UNESP DE ARARAQUARA, SP (PGEDU). A investigação conta com a parceria acadêmica-científica do CENTER FOR HEALTHY MINDS DA UNIVERSIDADE DE WISCONSIN-MADISON (EUA) sobre mente saudável.

É notório cada vez mais seja por meio da mídia, ou ambiente familiar, social e outros, a degradação não só do meio ambiente como da estrutura social, econômica, familiar e até mesmo individual do ser humano. Assim, a educação seja ela em qualquer nível deve buscar o alcance do desenvolvimento sustentável – base sobre a qual se assentam a inclusão social, cultura de paz e não violência; respeito à diversidade étnica, racial e cultural; e garantia dos demais direitos humanos, necessários à criação de sociedades eticamente sustentáveis. Portanto, pensa-se que o programa de Sustentabilidade Humana, poderá atuar significativamente para a formação de um novo homem capaz de garantir a sobrevivência não só da espécie como de todo ecossistema do planeta, pois, somos seres terrestres vivendo uma experiência humana. Nesse sentido, cabe ao campo da educação a edificação da humanização por meio da ética, da estética e da política visando transformar o ser humano e a cultura para uma humanidade equitativa e generosa onde seja banida toda e qualquer forma de violência.

Perguntas rápidas:

Um livro: INVERNO NA MANHÃ – uma jovem no gueto de Varsóvia.  Autor: Janina Bauman – editora: Zahar

Um ator ou atriz: Elizabeth Taylor

Um filme: Morangos Silvestres – direção de Ingmar Bergman

Um hobby: Observar e apreciar o entardecer nas “barrancas” do Rio Grande…

Um dia especial: Natal

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Leny André Pimenta: Espera-se que os resultados dessa experiência possam colaborar para uma transformação do trabalho escolar com a literatura clássica, passando-se a respeitar a subjetividade de cada aluno, as singularidades de seu dizer, permitindo-os interrogar-se sobre sua própria conduta, velar por ela, formá-la e moldar a si mesmo como sujeito ético, a isso, se pode entender como “práticas de si”.

Espera-se que as práticas com os cards possam apontar para novos percursos que fujam da repetição, da reprodução e da ausência de confronto com sentidos autorizados numa dada formação discursiva qualquer.

Espera-se, com este trabalho, o início de um processo de quebra de sentidos naturalizados pela ilusão da homogeneidade de uma ideologia dominante do saber “comum” para todos, característica do discurso autoritário estratificado e naturalizado na instituição escolar.

Espera-se instaurar “Gestos de leituras e Percurso de Sentidos”, possíveis trilhas para análise discursivisada a partir dos questionamentos:

São estas e outras preliminares que incidem sobre o desejo, a motivação, que impulsionam o sujeito aluno, a prosseguir com um espírito investigativo ao que se propõe para desvendar, relacionar, associar e ressignificar modos de ler/ser e existir.

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