Claudio Castro – Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Sou Claudio Castro, 55 anos, nascido em Passos (MG) e carrego nas veias a herança das palavras e da impressão: sou neto de jornalista e filho de gráfico, e cresci cercado por letras, tintas e histórias. Sou radicado em São Paulo, onde atuo como assessor de comunicação, e encontrei na escrita o território ideal para expressar minha visão artística, misturando razão e emoção.
Sou um amante do cinema e da literatura, dedicando-me principalmente à fantasia, ao terror, ao horror e ao suspense — gêneros que desafiam os limites da realidade. É nesse terreno sombrio e ambíguo que minha criatividade floresce, dando origem a histórias que não apenas entretêm, mas também provocam, inquietam e deixam marcas. Para mim, o medo é uma das emoções mais universais e reveladoras do ser humano — e é por meio dele que conduzo o leitor por labirintos interiores, espelhos distorcidos e abismos morais.
Minhas influências vão de mestres do terror clássico, como H. P. Lovecraft, Edgar Allan Poe e Stephen King, a cineastas contemporâneos que exploram a alma humana por meio do medo, da fantasia e do mistério. 
Sou embaixador oficial da editora Mancha de Sangue. Encabeçando todas as antologias publicadas pela editora.
Meus trabalhos atuais são:
Contos de Portão, baseado em lendas urbanas repaginadas com uma pegada inclusiva e publicado pelo selo Instituto Pró-Diversidade. 
O romance de fantasia histórica Sanctus Ostium – A Porta Santa, pela Editora Crypta Books. 
O conto A Doce Tragédia de Yumi, na antologia Encantos e Feras/Carmilla pela Editora Orlok, dedicada às vampiras mulheres. Aguardando publicação.
O conto O Fio da Carne, na antologia Anatomia do Terror da editora Necrópole. Também aguardando publicação.

Fale-nos sobre seus livros. O que motiva a escrevê-los?

A ideia de Contos de Portão surgiu do meu desejo de revisitar as lendas urbanas que sempre fizeram parte do nosso imaginário — aquelas histórias que a gente ouve em conversas de roda, em bate-papos informais, e que misturam mistério, medo e curiosidade. Foi a minha primeira experiência literária, e desde o início eu quis dar a essas narrativas uma nova roupagem, mais inclusiva e contemporânea. Em cinco dos dez contos, os protagonistas são personagens LGBTQIAPN+, o que permite olhar para essas lendas sob uma perspectiva mais diversa e humana. Cada história traz um tom próprio, e as ilustrações do Danilo Santiago captaram com muita sensibilidade a essência de cada uma delas, dando vida ao universo que eu imaginei. Este livro foi publicado pelo selo Pró-diversidade.

Já em Sanctus Ostium – A Porta Santa, romance de fantasia histórica, a inspiração nasceu da minha fascinação por temas que unem fé, mistério e conhecimento oculto. Sempre me intrigaram as lacunas da história, aquilo que ficou nas entrelinhas dos textos sagrados e dos registros oficiais. A Bíblia, especialmente o Apocalipse, é um livro cheio de símbolos e metáforas que podem ser lidos de muitas formas — e isso me despertou o desejo de criar uma narrativa que explorasse o “e se…?” por trás das profecias.
Quis construir uma história que fizesse o leitor refletir sobre o papel da humanidade diante do sagrado e do desconhecido — e como ela poderia influenciar até mesmo o Final dos Tempos (rsrsrs), mas dentro de uma trama de ritmo intenso, com ação, conspiração e emoção. Sanctus Ostium é, ao mesmo tempo, um romance de aventura, um suspense teológico e uma reflexão sobre os limites da fé e do sagrado. Ele foi publicado pela Crypta Books.

Como analisa a literatura de terror escrita e publicada por brasileiros?

A literatura de terror escrita por brasileiros vem ganhando uma força notável nas últimas décadas, principalmente pelo apoio de muitas editoras independentes desse gênero, Crypta Books, Darkside, Mancha de Sangue e tantas outras que também apoiam escritores iniciantes. Mas não podemos esquecer que as suas raízes são muito antigas. Desde o Romantismo, com autores como Álvares de Azevedo, que em Noite na Taverna explorou o lado sombrio da alma humana, e Bernardo Guimarães, que também flertou com o macabro, o Brasil já produzia narrativas inquietantes. Mais tarde, Lygia Fagundes Telles, com contos como Venha ver o pôr do sol, e Rubem Fonseca, em obras de atmosfera densa e violência psicológica, também ajudaram a pavimentar o terreno para o horror nacional.

Nos últimos anos, uma nova geração tem reinventado o gênero, aproximando o horror do nosso cotidiano e das nossas próprias lendas. Autores como André Vianco, com Os Sete e Bento, abriram caminho para uma literatura de terror urbano e acessível, enquanto nomes como Rafael Montes (Suicidas, Dias Perfeitos), Cláudia Lemes (Inferno no Ártico), Ed Saraiva (Jardim Para Borboletas Mórbidas), Carmo Góis, César Bravo (UltraCarnem), Tibério Dutra e Mariana Enríquez — embora argentina, com grande influência entre leitores brasileiros — ajudaram a mostrar que o horror pode dialogar com temas sociais, psicológicos e espirituais sem perder intensidade.

Vejo que o terror brasileiro está cada vez mais maduro, mais consciente de suas origens e menos dependente de modelos estrangeiros. Ele tem encontrado sua própria voz, mesclando o sobrenatural com questões culturais e existenciais muito nossas — o medo da morte, da fé, da violência, do esquecimento. É um gênero que hoje conversa com o leitor brasileiro de igual para igual, refletindo as sombras do nosso próprio tempo. E tem encontrado um público muito interessado em consumir essa leitura de qualidade.

Como analisa a questão da leitura no país?

A leitura no Brasil ainda enfrenta muitos desafios, sobretudo por questões de ordem estrutural. O acesso ao livro (que ainda é muito caro), à educação de qualidade e aos espaços de leitura continua sendo desigual. Ainda é comum ver o livro tratado como um objeto de luxo, e não como um bem essencial à formação do pensamento crítico, independentemente do gênero literário. Considero que isso reflete uma herança histórica: o país sempre teve uma relação tardia e restrita com a leitura e o conhecimento, o que acaba se perpetuando nas novas gerações.

Mas, buscando ver o lado cheio do copo, eu vislumbro um movimento esperançoso nos últimos anos. Visitando a Bienal do Livro de 2024 surpreendi-me com a quantidade de pessoas lotando as filas dos estandes de editoras e carregando pilhas de livros, sobretudo jovens! Assistimos nos últimos anos também ao surgimento das redes sociais com a presença de muitas resenhas sobre literatura e as editoras independentes que têm se esforçado por democratizar o acesso à literatura e revelado e, principalmente, dando oportunidade para novos autores. Jovens leitores estão redescobrindo o prazer da leitura — seja em livros físicos, e-books ou até em narrativas seriadas e podcasts literários. Há uma curiosidade crescente, especialmente pelo terror, fantasia e ficção nacional, gêneros que antes sofriam preconceito.

Acredito que o grande desafio hoje é transformar o ato de ler em um hábito social e afetivo. A leitura precisa deixar de ser apenas uma obrigação escolar e se tornar um espaço de descoberta e pertencimento. Eu penso que quando o leitor se reconhece nas histórias — seja na realidade dura de um Graciliano Ramos, no lirismo de uma Carolina Maria de Jesus, ou nas tramas sombrias de autores contemporâneos —, ele entende que a literatura fala sobre ele. E é aí que o verdadeiro amor pela leitura nasce.

Você é embaixador da Mancha de Sangue. Fale-nos sobre seu trabalho.

A ideia de integrar a equipe da Mancha de Sangue surgiu por meio de um convite do diretor editorial, Marcos Sallaberry. Fui convidado para produzir reels divulgando os chamamentos das antologias e os conteúdos da editora, além de colaborar com contos em todas as publicações. Fiquei muito feliz com o convite e aceitei prontamente.

A Mancha de Sangue tem uma proposta editorial muito interessante — combina inovação, proximidade com os autores e uma abordagem moderna de prospecção e divulgação literária. É uma editora que acredita no poder das histórias e no fortalecimento da comunidade de escritores nacionais, especialmente dentro do gênero do terror e da fantasia. Fazer parte desse projeto é uma honra e também uma oportunidade de contribuir ativamente para o crescimento da literatura independente no Brasil.

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder?

Acho que seria: por que eu escrevo?
Escrevo porque acredito que a literatura tem o poder de transformar, independentemente de qualquer gênero que seja. Afinal, eu me encantei pela leitura através de Agatha Christie e depois por Stephen King e isso não impediu que eu lesse outros gêneros literários — ela nos ajuda a entender o mundo, enfrentar nossos medos e dar voz ao que muitas vezes fica guardado em silêncio. Cada história é uma forma de olhar para dentro de nós mesmos e tentar compreender o que nos torna humanos e o mundo que nos cerca. E se uma única pessoa se emocionar ou refletir com o que escrevo, seja quando prego sustos, ou quando abordo questões sociais e ambientais já sinto que cumpri meu papel como autor.

Link para o livro:
https://cryptabooks.com.br/produtos/sanctus-ostium-a-porta-santa/

SAIBA COMO DIVULGAR O SEU LIVRO, EVENTO OU LANÇAMENTO AQUI NA REVISTA CONEXÃO LITERATURA: CLIQUE AQUI

Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *