Carlos Eduardo Amaral (Olinda, 1980) é jornalista, crítico musical, escritor, compositor, arranjador e pesquisador, agraciado com a Medalha Biblioteca Nacional — Ordem do Mérito do Livro. Mestre em Comunicação pela UFPE, na mesma universidade graduou-se em Jornalismo e concluiu pós-graduação lato sensu em Jornalismo e Crítica Cultural. Como pesquisador, foi agraciado com prêmios da Fundação Nacional de Artes (Funarte), da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e do Ministério da Cultura. Publicou pela Cepe Editora cinco livros que têm como protagonistas compositores referenciais da música pernambucana: Clóvis Pereira, Ademir Araújo, Maestro Duda, Getúlio Cavalcanti e Jota Michiles. No campo da literatura, publicou os romances Sem relva, Sem gado e Interminável, os Contos sobre a morte desprovidos de morbidez e Ide em paz – Um ensaio sobre arte e crítica de arte. Como compositor, escreveu mais de trinta peças para instrumentos solistas, conjuntos de câmara e orquestra sinfônica, além de arranjos de diversos gêneros musicais.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Carlos Eduardo Amaral: Foi um processo natural. Chegou o ponto em que eu tinha uma história para contar, dores para serem abertas — não dores minhas, mas dores presentes na sociedade atual —, e daí nasceu meu primeiro romance, Sem relva, que escrevi em 2019 e lancei no início do lockdown, em 2020. Ele trata de um conflito entre um pastor pentecostal e um de seus filhos, um estudante de Ciências Sociais, em meio a uma série de protestos no Recife, semelhantes aos que aconteceram nas Jornadas de Junho de 2013, em prol da melhoria de qualidade do transporte urbano.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Introdução à música armorial”, poderia comentar?

Carlos Eduardo Amaral: Como crítico musical, especialmente do universo da música clássica, e como pernambucano, sempre tive contato com o que se conhece por música armorial. Acontece que defini-la em termos estritamente musicais era uma tarefa árdua e pouco exitosa, e até a bibliografia a respeito do tema era muito esparsa, mesmo há cerca de vinte anos. Daí finalmente pude problematizar e sistematizar os conceitos ligados à música armorial, esforço que resultou em dois livros: este ebook, de nível introdutório, e um ensaio inédito, que deverá ser publicado até 2026. Introdução à música armorial é dividido em quatro capítulos, que abordam as raízes conceituais, os antecedentes estéticos, as características e os desdobramentos da música produzida durante o auge do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna (1927-2014).

Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?

Carlos Eduardo Amaral: É sentar-se e começar a escrever. Tudo vai vindo e vai fluindo, com muito dispêndio de energia mental, claro, mas tudo dá certo ao final do processo. Mesmo no universo da não ficção, quase não faço pré-esquemas. A organização das ideias vai surgindo e se aperfeiçoando simultaneamente ao desenvolvimento da narrativa. A inspiração vai-se maturando no meio do processo.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?

Carlos Eduardo Amaral:Introdução à música armorial foi elaborado com o objetivo de fornecer uma síntese dos aspectos mais relevantes sobre a música armorial, a fim de ajudar a compensar uma injustificável lacuna editorial — ainda que em âmbito acadêmico já existam artigos, dissertações e teses de relevância ao alcance do público via internet. Para essa síntese, tão importante quanto falar da música armorial em si — ou seja, de suas características, suas composições e sua discografia — era expor os fatores que levaram à sua formatação, bem como ressaltar seu legado e sua influência.”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Carlos Eduardo Amaral: O livro está à venda na Amazon, em formato exclusivamente eletrônico. Lá o leitor também pode encontrar todos os meus demais livros, incluindo romances e os livros-reportagem biográficos que escrevi sobre compositores de frevo. Para acompanhar meu trabalho, basta seguir meu perfil profissional no Instagram (@musicaarmorial).

Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?

Carlos Eduardo Amaral: Há livros para todos os nossos gostos, nossas necessidades, nossas angústias, nossa sede de saber. Com a internet à disposição para ajudar em nossas buscas, não tarda encontrarmos os livros que nos esperam.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Carlos Eduardo Amaral: Existem. Estou com uma novela, um romance e um ensaio prontos, aguardando publicação. A novela é Biografias imaginárias de compositores de frevo, um exercício de utopia cultural, que tem como mote “O frevo haverá conquistado as plateias de todo o mundo em 2050?”. O enredo é protagonizado por um revisor de textos que recebe os originais de um livro sobre personalidades ligadas ao frevo e revela histórias de bastidores de todos eles, até o momento em que uma dessas personalidades ativa no protagonista uma memória muito íntima e dolorosa ainda não resolvida. Sem terra é um romance que encerra uma trilogia, iniciada por Sem relva e continuada por Sem gado, reunindo personagens remanescentes desses outros dois romances, que trataram, respectivamente, do transporte urbano no Recife e das ameaças, oportunidades, fraquezas e forças de Cabo Verde como nação, na África. Por fim, o Ensaio sobre a música armorial problematiza os conceitos ligados à música armorial, com a finalidade de discutir se esta diz respeito apenas às composições consagradas pelos grupos em atuação nos anos 1970, como a Orquestra Armorial e o Quinteto Armorial, ou se sua definição se expande às obras escritas nas décadas posteriores, até a atualidade.

Perguntas rápidas:

Um livro: O conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago.

Um ator ou atriz: Fernanda Montenegro, um caso de unanimidade nada burra.

Um filme: O auto da Compadecida.

Um hobby: pedalar, por ser não só um exercício e uma terapia, mas também uma forma de me conectar com minha cidade e conhecê-la cada vez mais.

Um dia especial: sempre o dia de hoje, por ser a chance de fazermos melhor do que ontem e de mantermos a esperança no amanhã.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Carlos Eduardo Amaral: Em uma conjuntura onde o conhecimento tem sido efetivamente transmitido e assimilado por meio das redes sociais, temos de reconhecer que o livro ainda se firma como o meio onde encontramos as reflexões mais profundas, os frutos das pesquisas mais importantes e as memórias mais detalhadas do ser humano.

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