
Ângelo Roberto nasceu em 11/06/1974 e mora em Belo Horizonte/MG. Desde que aprendeu a ler, tomou amor pelos livros e não parou mais. Escreveu alguns textos na adolescência, e já adulto passou a escrever poesias, contos e crônicas. Formou-se em Letras na UFMG, foi convidado a participar de algumas Academias de Letras, e ao passar a frequentá-las teve aumentado bastante o seu incentivo e produção. Recebeu premiações e homenagens, que o autor vê como meios de incentivar cada vez mais – principalmente aos jovens- dos benefícios da leitura e escrita para a emancipação do ser na sociedade. Publicou os livros: Escrevinhador (2014); Matozinhos minha terra (2018); AMALETRAS: ideias e ideais. (2020); “Cuidado com a coruja Teca (2025); “Vovô Bebeto e o reizinho Saimon” (2025) e participou de dezenas de antologias/coletâneas.
ENTREVISTA:
Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?
Ângelo Roberto: Aos 14 anos, enquanto estudava no SENAI, escrevi um pequeno livro “No país da idiotice”. Nos anos seguintes, escrevi alguns poemas mais concretos, como eu via a realidade naquela época. Não pensava em muito brilho, nem profundidade, e muito menos o encanto para o qual despertei somente anos depois. A partir de 2001, na faculdade, passei a aproveitar melhor as minhas inspirações, passando para o papel e até a recitar em saraus. Sempre preocupado com a importância da função social das organizações culturais, ao longo de minha jornada busco sempre que possível conciliar os momentos de produção literária com os de atuação acadêmica, essencial para a coletividade.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Cuidado com a Coruja Teca”, poderia comentar?
Ângelo Roberto: Como em um passe de mágica, ao ficar vovô, quase todas as minhas inspirações que brotaram foram para temas, e histórias infantis. Até então, eu só escrevia para o público adulto. E assim compus o livro “Cuidado com a Coruja Teca”, em que procurando despertar a curiosidade do leitor, instigando a sua imaginação, através da história da Coruja Teca, com os seus filhotes Vico e Zeco. Teca é uma mãe extremamente dedicada e zelosa, porém a comadre dela – a Jaguatirica Suca – a vê jogando os seus filhotes ainda bem novinhos, de um profundo penhasco. O que nos leva a saber que fim terão, “os pobres coitados”.
“Cuidado com a Coruja Teca” é uma das mais gratificantes experiências no mundo da escrita, para mim. Todos nós que lemos, muito provavelmente, tivemos como primeira leitura um livro infantil. Para o meu netinho Samuel, certamente será a primeira lição que antecipadamente já deixo a ele. Nós que sabemos da importância da Educação, podemos presumir o quanto fará bem a literatura para ele e a todos os nossos jovens.
Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?
Ângelo Roberto: Escrevo mesmo quando me vem inspiração. Sobre algum tema, alguma sequência de ações que eu chegue a imaginar um interessante contexto para dar sentido a elas. Ao contrário de quando comecei a escrever – bastante concretas – as minhas inspirações são em sua maioria mais psicológicas, e por referência das poesias, muitas vezes caminhando para a multiplicidade de sentidos.
Como imagino ser comum a todos que mais quantitativamente escrevem, acordo muitas noites com algum pensamento, algumas vezes tomo nota, e não é raro que continue “ruminando” aquela ideia por muito tempo.
Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?
Ângelo Roberto: Claro, com grande prazer!
“— A comadre Teca, que se diz a melhor das mães, vive dizendo que é a tal, de ser um exemplo de cuidado, de só fazer bem aos seus filhotes, acabou de jogar Vico e Zeco na grota à própria sorte. Tão pequeninos, não devem ter sobrevivido os bichinhos.
A bicharada ficou toda espantada. Por isso, nunca esperavam.”
Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?
Ângelo Roberto: O livro “Cuidado com a Coruja Teca” e minhas últimas publicações poderão serem adquiridas nos sites: Amazon, Mercado Livre, Estante Virtual, UmLivro, Americanas, Extra (.com.br), Casas Bahia, Ponto Frio, www.pedagogika.com.br .
Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?
Ângelo Roberto: Como voraz leitor, e agora muito mais comprometido escritor, vejo que a leitura no Brasil, comprovada pelas estatísticas, é bastante aquém da criatividade e talento nato dos brasileiros. A Editora Companhia das Letras, em 2024, apontou em seu Blog que pela primeira vez no Brasil, o número de não-leitores havia sido maior do que o de leitores. Não é preocupante?
Sabemos que mesmo que tenhamos qualquer ideia mirabolante, projeto muito bem fundamentado ou ousado plano, se não temos o hábito da leitura, certamente não conseguiremos nunca os apresentar tão bem quanto apresentaríamos caso aproveitássemos do rico poder da leitura. Pessoas, até mesmo não alfabetizadas, têm igualmente a capacidade de elaborar planejamentos e comunicar-se, até muito bem. Só que para comunicar adequadamente com muitos públicos, coordenar esforços em prol de um objetivo mais amplo, sempre poderia ser melhor realizados se potencializados pelos benefícios da leitura.
E essa é apenas uma das dimensões sobre o quanto a leitura pode impactar no avanço ou atraso de um país, e o pior no sucesso ou insucesso de cada pessoa que busque a realização de ideais mais elevados na vida.
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?
Ângelo Roberto: Sim, Ademir. E são vários. – risos.
Publiquei no mês passado o livro “Vovô Bebeto e o reizinho Saimon”, e esse livro e o “Cuidado com a Coruja Teca” estão concorrendo ao Prêmio Ecos da Literatura. Então estamos na torcida, desejando que algum deles reúna a esperada qualidade, e que seja essa notada e reconhecida pelo júri.
Em 2026, buscarei uma editora para publicar o último livro que escrevi. Ele fala sobre as gerações mais novas, seus desafios, riscos e oportunidades. Destinado a ampliar a perspectiva para pais e educadores, que semelhantes também a mim, se preocupam com o presente e futuro deles. Sabedores que somos, que sempre estivemos em um mesmo barco, e que o que acontecer com eles impactará inevitavelmente a nós, em única e possível sociedade. A relação intergeracional, a escuta ou a ignorância ao que dizem os mais velhos, como predominantemente pensam e agem, são aspectos tratados neste livro que está a caminho.
Enfim, esses últimos têm sido muito produtivos para a minha escrita. Escrevi um livro, mais técnico – sobre investimentos imobiliários – corretor de imóveis que sou, e também já escrevi algumas outras histórias infantis desde a chegada do Samuel.
Perguntas rápidas:
Um livro: “Claraluz e o poeta”, de meu saudoso amigo Mauro Brandão.
Um ator ou atriz: “Viola Davis” – atriz norte-americana
Um filme: “Forrest Gump: O Contador de Histórias”
Um hobby: Ler.
Um dia especial: Em 2001, o dia em que fiquei sabendo que passei no vestibular.
Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Ângelo Roberto: Gostaria de agradecer ao Ademir Pascale, pela liberdade na entrevista; à toda equipe da Revista Conexão Literatura; à minha família que me apoia e prestigia em tudo, e a todos os meus amigos e especiais leitores que são o meu incentivo e fundamentais em todas as minhas realizações. Agradeço especialmente ao João Abreu da Livraria Insight (no Rio de Janeiro), exímio mentor, desde o início da minha escrita do livro em investimento em imóveis, apoiou-me incansavelmente na melhor organização, foco, disciplina e apresentação da obra. E pelo privilégio na existência, já nos tornamos muito bons amigos.
Aos que se dedicam à leitura, digo: “Meus Parabéns!”, “Tenham ótimo proveito!”
Aos que não se dedicam, venho a lhes lembrar: “Vocês não sabem o que estão perdendo!” “Vocês estão deixando dinheiro – e chances de ser mais feliz – na mesa!”
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



