Alcimário Júnior é Professor da Rede Pública do Município de Nova Iguaçu, poeta, escritor e agitador cultural, da Baixada Fluminense e natural da Cidade de São Fidélis, interior do Rio de Janeiro. Sua escrita transita entre o lírico e o social, abordando temas como amor, família, resistência e as lutas do povo brasileiro. Autor de “Poesias Modernas”, lançado pela Sonho Editorial em 2026, Alcimário enxerga a poesia como ferramenta de transformação e liberdade. É casado com Bruna Pessanha, primeira leitora e inspiração de muitos versos, e pai de Alcimário Neto, sua “melhor poesia”. Além de escrever, dedica-se a projetos de incentivo à leitura nas periferias, acreditando que a literatura pode ser um espelho de sonhos e um impulso para novas histórias.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Alcimário Júnior: Meu início foi na poesia falada, nos saraus da Baixada Fluminense. Comecei declamando versos em eventos comunitários e logo percebi que a poesia não era apenas um exercício estético, mas um grito, um abraço, uma forma de existir. Aos poucos, fui incentivado por amigos e pela minha esposa, Bruna, a registrar esses versos no papel. O que era oral virou escrita, e o que era escrita virou livro. “Poesias Modernas” é, de certa forma, a materialização de anos de escuta, vivência e militância cultural.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Poesias modernas”, poderia comentar?

Alcimário Júnior: “Poesias Modernas” é um livro que nasce da vontade de dialogar com o tempo presente. Ele não se prende a uma única forma ou tema: tem poema para filho que vai nascer, tem crítica social, tem haicai, tem poema infantil, tem até um registro de interação com inteligência artificial. O livro é plural porque a vida é plural. Quis trazer a poesia para perto das pessoas, com linguagem acessível, mas sem perder a profundidade. É um convite para sentir, refletir e, quem sabe, começar a escrever também.

Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?

Alcimário Júnior: Meu processo é orgânico, quase involuntário. A poesia me chega em momentos inesperados — numa conversa, numa dor, numa alegria repentina. Ando sempre com um caderno ou com o bloco de notas do celular para registrar esses “sopros”, como sempre falo, a escrita literária para mim é um parto em que gestamos no coração e na mente e deixamos evoluir. Minhas inspirações são múltiplas: minha família, amores, pessoas, meus pais (que já partiram e deixaram saudade eterna), os amigos, a luta do povo preto e pobre, a música, o cotidiano da periferia. Também me inspiro em outros poetas, mas principalmente na vida como ela é: crua, doce, amarga, sublime.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?

Alcimário Júnior: Gostaria de destacar um trecho do poema “Morte em Vida”, que fala sobre a importância de viver intensamente:
“Morrer não é deixar de existir! / Morrer não é quando acabar! / Morrer não é somente partir! / Morrer é com a vida não se importar… / […] / Te peço, não morra antes da morte chegar! / Viva, não espere que alguém te queira amar.”
É um poema que me toca profundamente e que dialoga com esses tempos de tanta desconexão e apatia.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Alcimário Júnior: O livro pode ser adquirido diretamente com a editora Sonho Editorial ou em breve estará disponível em feiras literárias, saraus e eventos culturais. Para acompanhar meu trabalho, convido todos a me seguirem nas redes sociais @alcimariojunior (Instagram e Facebook), onde compartilho novos poemas, agendas de participações e um pouco do meu processo criativo. Também estou aberto a convites para bate-papos, oficinas e saraus — acredito que a poesia ganha força quando é compartilhada ao vivo.

Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?

Alcimário Júnior: A leitura no Brasil ainda é um privilégio, infelizmente. Temos um país com poucas bibliotecas públicas, livros caros e uma política cultural que muitas vezes desvaloriza o livro e o escritor. Mas vejo também movimentos de resistência: os saraus periféricos, as feiras literárias independentes, os coletivos de leitura, os professores que fazem milagres em salas de aula. Acredito que a mudança passa por democratizar o acesso — distribuir livros, formar mediadores de leitura, ocupar espaços públicos com poesia. Enquanto houver gente sonhando, a leitura vai resistir.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Alcimário Júnior: Sim, sempre! Estou organizando uma coletânea de poemas infantis ilustrados, pensada para ser utilizada em escolas públicas. Também pretendo realizar uma série de oficinas de criação literária em comunidades da Baixada, formando novos poetas e escritores. E, claro, novos poemas não param de surgir — quem sabe um segundo volume de “Poesias Modernas” não vem por aí? A poesia não descansa. Além disso, meu novo livro chega até outubro deste ano, uma aventura literária em contos, o livro “11 Contos e um trocado”.

Perguntas rápidas:

Um livro: “Poesias Modernas”, de Alcimário Júnior (brincadeira, mas falando sério: O Cortiço, romance do escritor brasileiro Aluísio Azevedo)
Um ator ou atriz: Lázaro Ramos
Um filme: “Central do Brasil”
Um hobby: Tomar café olhando o horizonte (e escrevendo, claro)
Um dia especial: O dia do nascimento do meu filho, Alcimário Neto — minha melhor poesia.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Alcimário Júnior: Quero agradecer ao Conexão Literatura pelo espaço e aos leitores que chegaram até aqui. Que a poesia continue sendo esse vento que desarruma os cabelos de sua alma e nos lembra que estamos vivos. Como escrevi no livro: “Escrever é respirar com as palavras. É existir em prosa e verso.” Sigamos respirando, existindo e poetizando. Um grande abraço a todos!

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