
Produções de baixo estímulo ajudam crianças a desenvolver empatia e convivência ética, lição reforçada após o caso do cão Orelha
O debate sobre o impacto do consumo de telas na primeira infância ganhou novos contornos diante da preocupação com o desenvolvimento emocional das crianças e com a formação de valores como empatia e respeito à vida. Em um cenário marcado por episódios de violência contra animais, especialistas apontam que conteúdos educativos podem funcionar como ferramentas importantes de aprendizado desde os primeiros anos.
A morte do cão comunitário Orelha, após agressões em Santa Catarina, reacendeu a discussão sobre a necessidade de ensinar, ainda na infância, formas saudáveis de lidar com os animais, tarefa que pode ser apoiada por narrativas audiovisuais pensadas para o ritmo e a compreensão das crianças na primeira infância. Especialistas destacam que o respeito aos animais está diretamente ligado às experiências cotidianas das crianças, especialmente às relações que estabelecem com pais, amigos e cuidadores. É nesses vínculos diários, marcados pelo cuidado, pela escuta e pela convivência, que a empatia começa a se formar e se estende naturalmente para todas as formas de vida.
O consumo excessivo de conteúdos acelerados é um dos principais desafios enfrentados pelos pais atualmente. Em contraponto, produções que priorizam o bem-estar emocional e respeitam o tempo de aprendizado infantil vêm ganhando espaço por utilizar fundamentos da psicologia e da pedagogia no desenvolvimento de suas narrativas.
Nesse contexto se insere a animação brasileira José Totoy, voltada ao público de dois a seis anos. Diferente de desenhos marcados por estímulos intensos, a série aposta em um universo visual calmo e em histórias que acompanham o Macaco Obi e o colega Kim ao lado do personagem principal, apresentando de forma simples valores como amizade, paciência e persistência. A proposta da série também se estende às famílias, ao convidar adultos e crianças a compartilharem momentos simples do dia a dia. Os episódios estimulam experiências como cozinhar juntos, brincar, observar o ambiente ao redor e viver situações cotidianas em família, reforçando o vínculo afetivo como parte essencial do aprendizado emocional.
O cuidado com os animais aparece de maneira recorrente nas histórias, sempre tratado como algo natural e próximo da realidade das crianças. Ao observar as interações entre os personagens, o público infantil é estimulado a reconhecer sentimentos, limites e responsabilidades, incorporando a empatia como prática diária.
Segundo a psicóloga Isa Vaal, cofundadora da empresa e criadora da série, esse resultado é fruto de um trabalho técnico cuidadoso. “O desenho é desenvolvido com o apoio de pedagogos e psicólogos para garantir que seja lúdico e traduza a mensagem para a língua das crianças”, afirma.
Ela destaca que a atenção à faixa etária é central no processo criativo. “Nosso foco são as crianças de dois a seis anos e sabemos que, nessa fase, a forma de comunicar respeito e amizade precisa ser clara, acolhedora e segura”, diz.
Para André Vaz, co-criador da série, o desenho mostra que é possível usar o tempo de tela como aliado. “José Totoy prova que é possível encantar as crianças com calma e transformar esse momento em uma oportunidade real de aprendizado”, afirma. A discussão reforça o papel dos conteúdos infantis na formação emocional desde a primeira infância, mostrando que o entretenimento pode ser uma ferramenta potente para promover empatia, respeito e convivência ética, quando pensado de forma responsável e alinhado às necessidades das crianças.
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



