ENTREVISTA:
Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?
André Jorge Catalan Casagrande: Em 1999 me mudei de Paranavaí, no noroeste do Paraná, para Campinas onde fui estudar Teologia. Aos 17 anos travei contato com os escritos e com a pessoa de Rubem Alves. Foi a partir de então que comecei a me entusiasmar com a literatura. Os autores amplamente citados por Rubem guiaram-me nos primeiros passos pelo universo literário. Guimarães Rosa, Adélia Prado, Manoel de Barros, Milan Kundera, Miguel de Unamuno – dentre outros autores – passaram a fazer parte da biblioteca que eu começava a formar. Terminado o curso de Teologia, ingressei na graduação em Letras e me aprofundei ainda mais nas leituras literárias. No tempo que vivi em Campinas esbocei alguns poemas despretensiosamente. Em 2011 publiquei um ensaio sobre o Cristo romanceado, intitulado Jesus na ótica da literatura. Apenas nos últimos anos me desafiei a escrever uma narrativa mais longa. Desta tentativa surgiu o romance A utópica Teresevile.
Conexão Literatura: Você lançou recentemente o livro “A utópica Teresevile” (Garimpo Editorial), poderia comentar?
André Jorge Catalan Casagrande: É um romance histórico sobre a implantação de uma colônia socialista e anti-escravocrata no interior do Paraná – em meados do século XIX – por Jean-Maurice Faivre médico da corte do imperador D. Pedro II. A ideia de escrevê-lo surgiu quando me mudei para a região Centro-Sul do Paraná (há aproximadamente 5 anos) e conheci o vilarejo de Tereza Cristina. Sua história praticamente desconhecida me encantou. O desprendimento e o idealismo de Faivre – movido pelo socialismo utópico anterior a Marx – me fascinaram. Como a colônia – a princípio – era formada basicamente por franceses o nome do livro “A utópica Teresevile” é uma referência a forma como os primeiros habitantes carinhosamente designavam o lugar: Terese ville ou vila Tereza. Eu construí a narrativa em terceira pessoa, intercalando capítulos em primeira pessoa com depoimentos de personagens históricos. Os leitores se depararão com a voz de D. Pedro II, da imperatriz Tereza Cristina, do patrono da independência José Bonifácio e do Barão de Antonina, dentre outros.
Conexão Literatura: Como foram suas pesquisas para tecer “A utópica Teresevile “?
André Jorge Catalan Casagrande: Estive em Tereza Cristina por 3 vezes. Minha esposa me acompanhou nestas expedições. Queria conhecer o lugar. Ouvir as pessoas. Conversei com o balseiro, seu Carlos, que me contou lendas da região e me levou a uma antiga casa abandonada. Tomei água sulfurosa direto da fonte. Fotografei a topografia do lugar. Tomei banho no rio Ivaí. Recorri ao único livro que conta a história de Tereza Cristina, Saga da Esperança, escrito por Josué Correa Fernandes (que se não me falhe a memória tem certa relação genealógica com a localidade). Posteriormente encaminhei os originais para ele. Os elogios dele ao contexto histórico e a construção da narrativa serviram de grande incentivo para que eu continuasse lapidando o texto. Além da questão histórica, eu precisava criar um ambiente rural de um tempo remoto: o século XIX. Então passei a anotar as conversas informais com os colonos de mais idade da cidade onde moro. Os relatos e causos que me foram contados se tornaram fontes relevantes para a escrita do romance.
Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho de “A utópica Teresevile”, especialmente para os nossos leitores?
André Jorge Catalan Casagrande: Destaco um parágrafo em primeira pessoa, do depoimento do Cônego designado para atender a colônia, e que esteve em Tereza Cristina pela primeira vez em julho de 1855: “Posso assegurar, sem reservas, que o socialismo de Faivre, vivido na colônia, era semelhante ao sistema comunal da igreja primitiva apresentada em Atos dos Apóstolos. Sua proposta primeira era propagar a felicidade – a todos os integrantes da colônia – num sistema de vida pautado pela solidariedade e pela generosidade, frutos do verdadeiro amor. A transformação da civilização deveria, portanto, emanar da bondade do coração humano. E, pelo que pude apurar, esse foi o motivo da escolha de um lugar tão retirado para a instauração de Tereza Cristina: somente distante do egoísmo e da competitividade inerente à antiga civilização seria possível reconstruir um novo modo de ser sobre a terra, mais fraterno, mais humano e, concomitantemente, mais divino”.
Conexão Literatura: Como os interessados deverão proceder para adquirir um exemplar do seu livro?
André Jorge Catalan Casagrande: Meu livro se encontra disponível no site da Livraria Cultura e no site da Garimpo Editorial. Se quiserem exemplares autografados podem adquirir diretamente comigo: jorgecatalan@bol.com.br.
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?
André Jorge Catalan Casagrande: Todo mundo me pergunta isso. Tenho anotado ideias e insights que podem vir a se tornar literatura, mas nesse exato momento não tem me sobrado muito tempo para escrever. Estou priorizando meu doutoramento em Letras, onde estudo a recepção das obras de ficção de Frei Betto. Aliás, o próprio Frei Betto leu meu romance e endossa a narrativa com uma nota na quarta-capa.
Perguntas rápidas:
Um livro: O Filho Eterno (Cristovão Tezza)
Um(a) autor(a): Raduan Nassar, Frei Betto e Miguel Sanches Neto
Um cantor: Oswaldo Montenegro
Um filme: Como se fosse a primeira vez
Um dia especial: Todos os dias são especiais
Um desejo: um mundo mais justo e mais humano
Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
André Jorge Catalan Casagrande: Agradeço a Revista “Conexão Literatura” pelo convite para essa entrevista e pela oportunidade em divulgar meu romance.
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