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| Aristides Fontes Filho |
ENTREVISTA:
Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?
Aristides Fontes Filho: Sempre gostei muito de ler e aqui e ali arriscava escrever algum texto, poesia ou história, mais por diversão ou necessidade do momento. Como gostava de expressões, passei a colecioná-las e, depois de alguns anos, por influência dos amigos, decidi editar meu primeiro livro, “O dito pelo não dito”. A experiência foi muito boa, embora o livro não tenha vendido muito. Depois de dez anos, por influência de minha esposa, resolvi fazer alguns exercícios para diversão dos netos. Isso me levou a escrever meu segundo livro, “O mundo de Edmundo” e, a partir de então, me senti mais à vontade para escrever.
Conexão Literatura: Você é autor do livro “O Mundo de Edmundo”. Poderia comentar?
Aristides Fontes Filho: “O mundo de Edmundo” é uma coletânea de 52 histórias. A ideia é que as histórias sejam lidas para crianças ou que elas próprias leiam. Muitas das histórias que conto no livro são baseadas em minhas próprias experiências de infância. Tentei passar o máximo de realismo que um garoto de 7 anos, que viveu na periferia de São Paulo nos anos 50 e 60 conheceu. No fundo acho que eu sou o “Edmundo”.
Conexão Literatura: Além das 52 histórias, o livro traz 52 figurinhas autocolantes, além de desenhos para as crianças pintarem. Como foi todo o processo do livro até a sua conclusão?
Aristides Fontes Filho: Por influência de minha esposa eu escrevi três ou quatro historinhas e as submeti à crítica dos netos. A partir daí, resolvi escrever mais historinhas. O número de 52 não foi planejado; fui escrevendo tudo que me vinha à cabeça. O objetivo era escrever histórias de três ou quatro páginas, que pudessem ser lidas para crianças, na hora de dormir, e que não demorassem mais de quinze minutos para serem lidas. Como tenho um amigo, o Denis Mendes, que é desenhista profissional, pedi a ele que fizesse desenhos baseados nas historinhas, a critério dele. Como achei que os desenhos ficaram muito bons, tive a ideia de transformá-los em figurinhas para serem coladas em cada historinha. Posteriormente veio a ideia de reproduzir os desenhos em branco, para que as crianças pudessem colori-los. Como não consegui nenhuma editora que me fizesse uma proposta razoável, fiz a edição de forma independente e hoje comercializo o livro pela Internet, porque sem editora é muito difícil colocar o livro em livrarias.
Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho ou uma frase da qual você acha especial em seu livro?
Aristides Fontes Filho: Na história “Florujinha”, que é uma flor que Edmundo descobriu em seu jardim, que só ele vê e que só aparece à noite, há um trecho que diz:
Numa certa noite, ele estava admirando a flor e disse em voz alta: – Florzinha linda, por que é que você só aparece de noite e por que não deixa minha mãe ver você? Para sua surpresa, Edmundo ouviu a flor responder: – É que eu não posso aparecer de dia; não suporto o calor do sol, porque queima minhas pétalas e eu só apareço para crianças especiais, como você, que eu sei que não vão me maltratar.
Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e seus outros livros?
Aristides Fontes Filho: Especificamente para o livro “O mundo de Edmundo” eu tenho uma página que se chama www.leiaparaumacrianca.com.br, onde o leitor poderá adquirir o livro. Tenho também uma loja virtual que se chama www.fontesdesabedoria.com.br, onde o leitor poderá encontrar este e outros livros, sendo que todos os outros existem apenas no formato E-book.
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?
Aristides Fontes Filho: Penso em continuar escrevendo. No momento não tenho um projeto específico. Estou pensando em alguns temas para decidir qual será o próximo.
Perguntas rápidas:
Um livro: Dom Casmurro
Um (a) autor (a): Eça de Queiroz
Um ator ou atriz: Jack Nicholson
Um filme: Um sonho de liberdade
Um dia especial: Quando presenciei, na sala de cirurgia, o nascimento de meu primeiro neto, enquanto eu segurava a mão de minha filha.
Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Aristides Fontes Filho: Eu tive uma experiência interessante em uma escola que adotou meu livro. Fui à escola e conversei com os alunos e alunas, todos com idade de sete a oito anos. Fizeram perguntas interessantes e eu passei uma tarde gostosa com eles. Hoje eu não tenho, mas gostaria de ter um canal de comunicação para receber e responder perguntas de meus pequenos leitores.



