SOBRE O AUTOR 

Helton Timoteo é Especialista em Teoria da
Literatura/Produção Textual e Mestre em Linguística Aplicada (UERJ). Prof. de
Líng. Port. e Lit. do EM e de Linguística, no Superior. É membro do Conselho
Científico da Revista Traduzir-se da Faculdade FEUC. Publicou Réquiem para Lavine
(2015), Maçã Atirada sem Força (2017) e o romance A Canção de Variata (um dos
vencedores, em 2020, do Prêmio Digital da Biblioteca Pública do Paraná, a nível
nacional (Penalux). Foi um dos vencedores do Prêmio Off Flip de Literatura
(poema), e do XV Prêmio Literário da Fundação CEPERJ (conto), ambos em 2014.
Foi semifinalista (2020) e finalista (2021) do Prémio Internacional Pena de
Ouro.
 

Por Eliane Melo do Carmo (in memoriam)

 

A Canção de Variata é um
romance-ensaio montado de tal forma que não apenas transmite as ideias do
narrador, mas leva o leitor a uma coanálise dos temas abordados. Na 2ª parte do
livro, o ponto de vista da narrativa se faz predominantemente na 1ª pessoa,
como se o personagem João e o narrador aos poucos se fundissem num mesmo ser,
tal a proximidade das ideias e da linguagem. 

            O
personagem João careceria de verossimilhança, não fosse a referência a um
passado em que ele exercera outras profissões que não a de pescador. Que ele
fosse um ser altamente indagador e um permanente revisionista de seus próprios
conceitos e sentimentos seria bem possível, mas ele jamais colocaria suas
indagações e formulações nas palavras e na forma usadas no discurso em primeira
pessoa; teve outros empregos, viveu em outros ambientes.

            A
sequência de seres: o pombo, a menina, o lobisomem, o índio, a mãe e o jegue
sugerem, respectiva e simbolicamente, a ternura, a sabedoria, a decadência, a
origem mais remota, a origem mais recente, a crueza do cotidiano.

            Muitas
imagens usadas pelo narrador fazem lembrar traços de Saint-Exupéry. No Capítulo
“A Pesca Mágica”, há uma aproximação da poesia de Murilo Mendes e, no Capítulo “Canção
de Repetir”, sente-se a influência de Manuel Bandeira. Já no Capítulo “Objetos”,
a temática e tratamento dado a mesma remetem, em parte, a Alves Redol em seu
romance “Gaibéus”. Mas todas essas possíveis influências, fugidias que são,
talvez só existam na minha mente, pois um livro como A Canção de Variata, que
propõe tantas e tantas abordagens e conceituações e suas reformulações, há de
permitir, com certeza, ao leitor, a liberdade de unir à leitura aquilo que já
traz em si, acumulado em muitos anos de absorção de imagens e ideias.

            O
importante, mesmo, é que A Canção de Variata é único por si só, pela sua criação
original e profundamente esmiuçadora dos valores humanos e transcendentais. O
mais é contribuição (desnecessária, mas estranhamente compulsiva) do leitor.

            Quanto
ao termo “Variata”, ele me alcança não como o nome de um vento dado por uma
tribo norte-americana, mas, indiscutivelmente, como uma palavra de origem latina,
significando variedade, ou seja, várias facetas de uma mesma coisa, a
multiplicidade de interpretações de um mesmo objeto, fato ou sentimento.

            A
personagem Variata é apresentada como uma “menininha cor-de-rosa”, criatura
fluida, fugidia e imprevisível, cuja origem não é explicada no plano físico.
Mas Variata é muito mais que isso. Variata é o ponto de referência para João
redimensionar e refazer suas argumentações. Ela funciona como uma espécie de
segunda consciência de João, atuando num nível mais amplo e mais profundo, sem
subjugar o primeiro nível. Variata, portanto, é uma projeção do interior de
João. Ela não repele suas ideias nem as aceita simplesmente: ela as aprofunda.

            A meu
ver, Variata retém, em sua Canção, mais que a voz do Vento do Norte; ela retém
toda uma sucessão de estágios psicológicos, afetivos e intelectuais pelos quais
passam o pescador João e os leitores.
 

Nota: Esse texto foi escrito em 20/04/1994, a respeito
da 1ª versão do livro. Apesar disso, mantém praticamente toda a essência da
obra. A autora faleceu em 2020.
 

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Assistam também a Live de lançamento – Canal da
Editora Penalux no link abaixo:
 

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