As vozes são altas demais, os gestos são bruscos demais, os encontros parecem batalhas travadas entre pessoas cansadas.

Não quero mais o amor que chega como tempestade, que confunde intensidade com violência, que chama de paixão aquilo que apenas machuca.

Recuso o amor bruto.

Quero um amor delicado como a luz da manhã atravessando a cortina. Um amor que toque minha alma como o vento toca as flores: sem arrancá-las do lugar.

Quero alguém que me beije como uma pétala encontra o chão, sem pressa, sem ruído, sem ferir.

Quero alguém que me abrace como uma lareira abraça o inverno, afastando o frio sem jamais queimar.

Há crueldade demais no mundo. Há pedras demais nos caminhos. Que o amor não seja mais uma delas.

Que seja jardim.

Que seja abrigo.

Que seja a rara ternura de duas almas que, cansadas da brutalidade da vida, escolheram cuidar uma da outra.

Porque, às vezes, o gesto mais revolucionário não é amar intensamente, mas amar com delicadeza.

Siga a autora: @luizapassini

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