Fale-nos sobre você.

Sou uma carioca com formação em jornalismo e artes cênicas e sempre fui fascinada por arte em geral, seja clássica ou contemporânea. Quando criança gostava de desenhar e criava histórias em quadrinhos, era filha única e vivia imersa no meu próprio mundo. Depois, na pré-adolescência, descobri o “Círculo do Livro”. Para quem morava no subúrbio aquele sistema de escolher os livros no catálogo e recebê-los em casa era algo fenomenal. Sempre li todos os gêneros, mas as tramas policiais, de suspense e de terror eram as que mais me conquistavam e até hoje é o tipo de leitura que me atrai.
Na mesma época, o cinema entrou na minha vida e foi amor à primeira vista. Tanto que quando me tornei jornalista trabalhei basicamente com isso: análise de filmes, cobertura de estreias e festivais de cinema, entrevistas com atores ou diretores. Paralelamente, tinha os estudos teatrais e além de atuar me arrisquei como assistente de direção e na dramaturgia – escrevi esquetes e sou coautora de “Will by Will”, um espetáculo encenado pela Cia. de Lobos em 2011.
Mas minha vida profissional sempre foi instável e há dez anos deixei o jornalismo e o teatro, fui viver na Argentina e comecei a trabalhar no setor da educação. Morei lá entre 2016 e 2024 e nestes anos não fiz nenhuma tentativa de produzir material novo. Na verdade, estava convencida de não ter nada mais a oferecer em termos artísticos.

Fale-nos sobre o livro. O que a motivou a escrevê-lo?

Anos atrás fui estudante em uma escola como a descrita no livro. Durante esse período, registrei observações culturais, curiosidades, dados históricos, particularidades gastronômicas, enfim, coisas que me chamavam a atenção. Tinha uma ideia (bastante vaga) sobre um livro estilo diário de viagem que nunca tomou forma. Os textos acabaram engavetados e a vida seguiu adiante. Há dois anos comecei a rascunhar a história de um assassino obcecado pela obra de um escritor famoso. Foi aí que lembrei dos textos sobre Florença e, relendo o material, achei que seria o cenário ideal porque a cidade tem esse lado lúgubre que o turismo de massa desconhece ou prefere ignorar. Assim, troquei o Rio por Florença e o escritor brasileiro por Dante Alighieri.

Como analisa a questão da leitura no país?

A cultura trava batalhas desiguais no Brasil e isso não é de hoje, vem de um tempo em que não havia redes sociais nem IA para disputar a atenção. E a literatura, ao contrário do audiovisual, ainda precisa superar o estigma da obrigação, já que para muitos o hábito de ler está associado a um conceito didático ou utilitário e não ao prazer. Só nos resta esperar que esse panorama mude e acho que iniciativas como o MEC Livros ou o Tela Brasil podem ser aliadas importantes, aproveitando esse tempo que as pessoas passam conectadas para aproximá-las da literatura e do cinema.

O que tem lido ultimamente?

Tenho participado do Leia Mulheres Petrópolis, um grupo que, como o nome diz, se dedica a ler e analisar a obra de escritoras. Tem sido interessante porque às vezes surgem leituras que não estavam no meu radar. Lemos “A Contagem dos Sonhos” (Chimamanda Ngozi Adichie) e o próximo em pauta é “Não Fossem as Sílabas do Sábado” (Mariana Salomão Carrara), um livro que já li há algum tempo e pretendo reler. Além disso, terminei há pouco o impressionante “Assim na Terra Como Embaixo da Terra” (Ana Paula Maia) e agora estou começando “Aos Pés da Letra” (Gregorio Duvivier).

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder?

É mais uma reflexão. Acho triste como as pessoas são pressionadas a estar definidas, resolvidas e bem encaminhadas antes dos 30 anos. Vejo que absorvemos como sociedade o pior do modelo estadunidense: o culto à juventude, a extrema competitividade, a impossibilidade de se equivocar e mudar de rumo. Sou uma mulher de 56 anos de idade que acaba de publicar seu primeiro romance, depois de um longo período em que pensei que não voltaria a produzir. E, no entanto, agora tenho a cachola cheia de ideias para novos projetos. Em retrospecto, acho enriquecedor que meu percurso tenha sido tão irregular. A vida é cíclica, as prioridades mudam e eu espero nunca perder a capacidade de me surpreender.

SAIBA COMO DIVULGAR O SEU LIVRO, EVENTO OU LANÇAMENTO AQUI NA REVISTA CONEXÃO LITERATURA: CLIQUE AQUI

Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *