
Débora Campos de Moraes nasceu em Morrinhos, uma pequena cidade de Goiás, em 1959. A família se mudou para Uberlândia no final de 1971, onde cresceu, se educou e mora até hoje. É formada em Letras e professora de inglês e português para estrangeiros.
ENTREVISTA:
Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?
Débora Campos de Moraes: Bom, tudo teve início há muito tempo quando, aos 14 anos, comecei a me aventurar na escrita, mais como forma de externar as dúvidas e anseios próprios da idade, do que interesse em publicar. E foi apenas em 2020, em plena pandemia, que comecei a escrever “uma história de verdade”, digamos assim. Uma história fantástica que me ocorreu ao pensar em meus netos que adoravam ouvir histórias na hora de dormir. Foi aí que nasceu “A pena azul e o pingente de prata”.
Conexão Literatura: Você é autora do livro “A Revoada dos Urubus”, poderia comentar?
Débora Campos de Moraes: Sim. É o meu terceiro livro publicado. E é o que mais exigiu de mim. Não como escritora, mas como mulher. É a história de Antonella, uma garota de 16 anos, que tenta sobreviver e lidar com traumas decorridos de situações de abuso. É uma história profunda, forte e reveladora. Havia horas, durante o processo de escrita, que eu me obrigava a dar uma pausa devido à enorme emoção que tomava conta de mim. Foi muito arrebatador.
Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?
Débora Campos de Moraes: Minha escrita se constrói a partir de experiências que me motivam, de alguma forma. Falei do meu primeiro livro, um livro de fantasia, com seres mágicos e muita aventura; meu segundo livro, “Era um sorriso torto”, conta a história de Bia, de 14 anos, às voltas com o relacionamento com sua avó, que se tornou uma completa estranha para ela. O “A revoada dos urubus” é um livro bem mais denso, digamos. Então, veja, quando me perguntam sobre o que escrevo, eu digo: “Tudo me leva a escrever; seja feio, seja belo; seja vermelho azul ou amarelo. A beleza de cada coisa está na coisa em si. É só olhar com outros olhos, enxergar além do óbvio, deixar a coisa se mostrar.”
Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?
Débora Campos de Moraes: Claro! É, na verdade, a introdução do primeiro capítulo: “Então ele a levou para longe, tão longe que, se ela gritasse, ninguém ouviria. Mas ela não gritou. Nem quando ele segurou seu pescoço com força. Nem quando ele a empurrou de encontro à parede.”
Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?
Débora Campos de Moraes: Meus três livros estão na Amazon, nos formatos digital e impresso. Tenho um perfil no Instagram: @debora.camposmoraes, onde posto coisas relacionadas à literatura e quaisquer outras que me chamem a atenção e que me impactem de alguma forma.
Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?
Débora Campos de Moraes: Olha, esse é um assunto muito complexo, creio, no atual estado de coisas no nosso país. Ler é uma atividade que requer tempo e atenção, e isso é algo que as pessoas não têm hoje em dia. Aliás, as pessoas têm tempo, mas optam por aproveitá-lo com coisas mais dinâmicas, passageiras e rasas. Acho que é um problema mais amplo, que envolve aspectos culturais e falhas na educação.
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?
Débora Campos de Moraes: Estou sempre envolvida em projetos culturais como coletâneas, saraus e oficinas. Quanto à publicação de novas histórias, bem… não é tão fácil assim. Histórias há, mas conseguir publicar é o outro lado da moeda. Tenho certeza de que os escritores independentes do nosso país concordam comigo.
Perguntas rápidas:
Um livro: “Cem anos de solidão”, Gabriel Garcia Márquez
Um ator ou atriz: Tom Hanks
Um filme: “O feitiço de Áquila”
Um hobby: dançar
Um dia especial: qualquer um com meus filhos e meus netos
Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Débora Campos de Moraes: Quero agradecer a oportunidade de mostrar meu trabalho e, de alguma forma, contribuir com a Revista. Eu gostaria muito de ver cada brasileiro com um livro aberto no metrô, no consultório do dentista, na fila do INSS, no ponto de ônibus. Que assim seja, amém!
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



