
Começar a escrever é fácil. Difícil mesmo é continuar, melhorar e entender o que está fazendo de errado no meio do caminho. Todo autor iniciante passa por isso, e não tem problema nenhum. O problema é insistir nos mesmos erros sem perceber.
Um dos erros mais comuns é querer escrever algo perfeito logo de cara. A pessoa trava, apaga, reescreve, nunca acha bom o suficiente e acaba não terminando nada. A verdade é simples: o primeiro texto raramente vai ser bom. E tudo bem. Escrever também é reescrever.
Outro erro é tentar imitar outros autores. No começo é normal ter referências, mas muita gente exagera e acaba copiando estilo, linguagem e até estrutura. No fim, o texto perde identidade. Quem lê percebe quando não tem autenticidade. Encontrar o próprio estilo leva tempo, mas é essencial.
Tem também quem ache que só escrever já é suficiente. Não é. Ler é parte do processo. E não só ler por prazer, mas observar como o texto foi construído, como o autor desenvolve personagens, como cria tensão. Quem não lê, dificilmente evolui.
Outro ponto que atrapalha muito é a falta de revisão. Muita gente escreve, termina e já quer publicar. Só que o texto ainda está cru. Revisar não é só corrigir erro de português, é melhorar frase, cortar excesso, ajustar ritmo. Um bom texto nasce na revisão.
A pressa para publicar também prejudica. Hoje em dia, com tantas plataformas, o autor quer colocar tudo no mundo rápido. Só que publicar sem preparo pode queimar uma boa ideia. Às vezes o texto precisa de mais tempo, mais leitura crítica, mais maturidade.
Outro erro é não aceitar críticas. Tem gente que leva tudo para o lado pessoal. Mas quem quer evoluir precisa ouvir, filtrar e aprender. Nem toda crítica vai ser útil, mas ignorar todas é um caminho certo para estagnar.
Também é comum ver autores que desistem rápido. Escrevem um pouco, não têm retorno imediato e param (e existem muitos assim). Só que a escrita é assim: demora. É tentativa, erro, ajuste. Quem insiste, melhora. Quem para, nunca sai do lugar.
E por fim, talvez o erro mais silencioso de todos: comparar demais. Cada autor tem seu tempo. Ficar olhando o sucesso dos outros só gera frustração. O foco precisa estar no próprio processo.
No fim das contas, errar faz parte. Todo mundo erra. A diferença está em quem aprende com isso e continua. Porque escrever não é só talento. É prática, paciência e um pouco de teimosia também….(rsrsrs)
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com




Parabéns, Pascale, por seus lúcidos e úteis comentários.