
Fale-nos sobre você.
Eu me chamo Márcio Eduardo Borges. Sou mineiro de Conceição dos Ouros, uma pequena cidade no sul do estado, e moro em São Paulo desde 2017. A escrita sempre me rondou, incialmente nas aulas de redação da escola (as minhas favoritas); mais tarde, na escolha da minha graduação: sou jornalista.
O primeiro livro que escrevi foi o meu trabalho de conclusão de curso na universidade: o livro-reportagem “De porta em porta”. Eu também tenho quatro livros publicados: a antologia “o que não é mais” e os romances “A desordem do talvez”, “Quando o sol de esconde” e “Imensas porções de quase nada”.
Entre as minhas referências destaco o autor Carlos Ruiz Zafón, cuja mistura de realismo, fantasia e pitadas de romance policial me fascinam da primeira à última página; admiro o refinamento e a ironia das heroínas da Jane Austen e é indispensável citar a jornalista Eliane Brum, cuja forma única de contar histórias reais inspirou o meu trabalho de conclusão de curso e ainda o meu artigo “Entre o real e a ficção: as marcas literárias no jornalismo de Eliane Brum”, elaborado na minha pós-graduação.

Fale-nos sobre seus livros. O que o motiva a escrevê-los?
Embora não tenha sido publicado, eu nutro pelo “De porta em porta” um carinho especial, porque ele representou uma de muitas conquistas. A primeira delas (e talvez mais óbvia) é a nota máxima na avaliação do trabalho como conclusão do curso de jornalismo. Mas também me trouxe uma alegria quase histérica quando o peguei impresso nas mãos pela primeira vez e ver o meu nome, a minha foto e as minhas palavras como um livro de verdade.
“De porta em porta” sintetiza a vida de Carmelino Massafera, o pioneiro da doutrina espírita na cidade de Pouso Alegre (MG); um homem que teve muitas profissões, uma fé inabalável e algo único: ele sabia o dia em que ia morrer.
“O que não é mais” reúne crônicas e contos que escrevi dos 17 aos 22 anos. Ele traz uma mistura de temáticas e, com 35 anos hoje, gosto de retomar a leitura de alguns textos dele e me dar conta de que, mesmo com mais maturidade, eu ainda sou a mesma pessoa. Esse livro representa o meu ponto de partida.
A motivação para “A desordem do talvez” não foi extraordinária: eu queria escrever um romance. Então bebi de uma fonte que conheço bem: um personagem que deixa a sua cidade natal em busca de uma vida nova. A partir dessa premissa, criei os dramas familiares.

“Quando o sol se esconde” foi o meu experimento na aventura com um trio de amigos como protagonistas e, com isso, diálogos cheios de angústias, dúvidas, ações pensadas à exaustão ou tomadas de súbito.
Por fim, “Imensas porções de quase nada” foi um livro cuja ideia me surgiu a partir de uma cena única, que não saía da minha cabeça. Resolvi, então, escrevê-la e as vozes dos personagens foram me surgindo ao redor dela. O resultado foi uma história especial que aborda solidão, envelhecimento e relações humanas.
Como analisa a questão da leitura no país?
Essa é uma pergunta inquietante. Vez ou outra pipocam notícias sobre o hábito de leitura dos brasileiros e com números não muito animadores. Isso me faz pensar sobre como, embora tenha uma aura mágica, o mercado literário ainda é (literalmente) um mercado. Daí pensamos nos custos de produção de um livro, no lucro almejado das empresas que trabalham com o produto e no poder de compra da população que, não raro, não tem a cultura como prioridade (o que é, naturalmente, compreensível). Por outro lado, quando frequento feiras literárias e eventos semelhantes – ou vejo notícias sobre eles, o cenário parece outro: filas e mais filas, livros disputadíssimos, listas e listas de mais vendidos e recordes de público aqui e ali. Diante disso, sou forçado a me repetir na reflexão: é o mercado literário. E aqui me refiro às possibilidades que as grandes casas editoriais têm de engajar público, cultivar e cativar leitores com promoções imperdíveis, estandes e materiais de divulgação de encher os olhos, brindes e, claro, investimento em influenciadores literários que cumprem bem a função que lhes é atribuída. Nesse meio, as casas independentes encontram uma competição complexa, mas felizmente, têm ocupado mais espaço nas premiações, o que inevitavelmente traz mais visibilidade.
Ou seja, a leitura no país vai bem. Contudo há sempre espaço para aprimoramento.

Que livro está lendo no momento?
Estou terminando “Boca do mundo”, da Dia Bárbara Nobre. Uma narrativa forte e muito bonita sobre um povoado construído e mantido com a força de mulheres e pitadas de encantamento. Recomendo muito!
Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder?
Acredito que algo como “o que você almeja com a literatura?”
E para ela eu diria: eu quero ser lido. O livro não se encerra na última página escrita, muito menos quando está diagramado e com a capa e demais partes definidas. Ele ainda não tem um fim quando é impresso e chega às livrarias ou plataformas digitais. O livro só está concluído quando encontra o leitor. E aqui acho fundamental mencionar que, lido, ele pode ser apreciado ou odiado, mas só sendo lido é que o ciclo se fecha – para recomeçar na próxima leitura (e escrita).
Márcio Eduardo Borges
linktr.ee/marcioeborges
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Ambos com formação em Letras, são professores, escritores e palestrantes, com dezenas de livros publicados por diversas editoras. São colunistas da revista Conexão Literatura.



