
Mudo momento será lançado pela Cepe Editora, nesta quarta-feira (04/03), na Livraria da Travessa do Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto (SP)
Ao ingressar na universidade, Tiago é rebatizado. Recebe o nome de Poe, uma referência ao escritor estadunidense Edgar Allan Poe (1809-1849). A cerimônia de “batismo” segue a tradição do lugar, que, aos moldes dos monastérios católicos, simboliza o início de uma nova vida. Para o calouro, atormentado por questionamentos existenciais, o início das aulas significa a esperança de um recomeço, de mudança da realidade monótona e sufocante do mundo além do campus. Mas nem tudo sai como o estudante deseja. Os rumos acadêmico e afetivo de Tiago amarram a trama de Mudo momento (Cepe Editora), livro de estreia de William Alves, que tem evento de lançamento no dia 4 de março, na Livraria da Travessa de Ribeirão Preto (SP). No lançamento, o autor conversa com o professor Jacob Biziak, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP).
Mudo momento propõe uma reflexão sobre a rotina, a busca pelo sentido da vida, o tédio e o reencontro consigo mesmo, afirma o editor da Cepe, Diogo Guedes. A proposta vem por meio de uma narrativa envolvente, ágil e cheia de ironias ao longo das 236 páginas do livro, organizado em 30 capítulos e epílogo. “É uma obra que traz um equilíbrio peculiar entre as questões filosóficas, o cotidiano universitário, os relacionamentos e uma inusitada trama envolvendo um mistério acadêmico”, completa. O mistério estimula os alunos à procura de decifrar as mensagens deixadas por um antigo professor da universidade. Se decodificadas, levariam à Lança do Destino, também conhecida como Lança Sagrada e Lança de Longinus. A arma seria uma relíquia que pertenceu a São Longinus, o São Longuinho, e teria capacidade de alterar a realidade e dar poderes extraordinários a quem viesse a possuí-la. Longuinho, conforme a tradição popular cristã, foi o soldado romano que perfurou o corpo de Jesus quando este já estaria morto na cruz.
No enredo do romance, a caça à lança se alterna com a rotina dos estudantes, Poe alterna os estudos com a leitura de uma ficção chamada O Ciclo, atribuída a um japonês. As narrativas ocorrem paralelamente. A cada leitura de trechos do livro, a angústia do estudante se intensifica. O Ciclo narra a história de um operário que trabalha e vive isolado em um pequeno espaço de uma fábrica. Ali, ele recebe visitas esporádicas. Sua única tarefa é apertar o parafuso. “Era sempre difícil saber quando seria a próxima vez que o parafuso se soltaria: ele fazia parte de uma enorme máquina, que ficava ligada 24 horas por dia, sete dias por semana”, diz a ficção. Nela, o operário não sabia para que a máquina servia e nunca havia perguntado sobre sua função. “Não era seu trabalho questionar; seu trabalho era apenas apertar o parafuso”, completa.
William Alves, ao longo da trama, predominantemente faz referência aos estudantes com os nomes de rebatismo: Verbena, Dengo, Caneco e Bukowski, por exemplo. Em homenagem ao escritor teuto-americano Charles Bukowski (1920-1994), Bukowski é o aluno veterano, espécie de padrinho de Tiago na universidade, que o rebatiza de Poe. Assim como Poe e Bukowski, o autor cursou História. Assim como Poe, ele afirma ter vivido a experiência de ingressar no mercado de trabalho e ser ver preso a um ciclo aparentemente eterno. “Escrever o livro foi uma forma de entender aquela parte da minha vida e também incluir essas histórias do passado de maneira fluída”, argumenta.
Estudioso da obra do britânico J. R. R. Tolkien (1892-1973), que assina a trilogia O senhor dos anéis, William diz ter encontrado inspiração para abordar os personagens de Mudo momento com nomes de rebatismo na escrita deste britânico. Outro fator para tal abordagem foi a escolha da universidade em que se passa a trama ter sido um monastério. “Tolkien é um autor que tem diversos nomes para os mesmos personagens, dependendo de onde e com quem estas pessoas estão, e sempre me fascinou essa ideia de que o locus da identidade seja externo, de certa forma”, considera. Quanto à tradição religiosa da troca de nomes, o autor afirma que sempre teve interesse na “ideia de camadas de identidades sobrepostas”, como se dá no ingresso das pessoas nas ordens religiosas ou quando se escolhe um papa.

Sobre o autor
Historiador e professor, William Fernando de Souza Alves tem mestrado em Estudos Literários pela Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e atualmente cursa o Doutorado em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Com poemas e contos publicados nas antologias Versos de um novo tempo: poemas selecionados (Big Time, 2016) e Histórias necessárias: contos selecionados (Big Time, 2016), respectivamente, o autor tem Mudo momento (Cepe Editora, 2025) como a sua primeira produção literária individual.
Serviço:
Evento de lançamento de Mudo momento, de William Alves, com bate-papo entre o autor e Jacob Biziak, professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP)
Quando: 04 de março de 2026, quarta-feira
Hora: 19h30
Onde: Livraria da Travessa, Ribeirão Shopping, Av. Coronel Fernando Ferreira Leite, 1540, Loja 279, Jardim Califórnia, Ribeirão Preto (SP)
Preço: R$ 70,00 (impresso)
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Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



