O cantor e compositor Luiz Millan está lançando seu sexto CD Encontro das Águas (distribuição Tratore), no qual reforça a ponte entre os ritmos brasileiros e o jazz. É música instrumental na qual Millan reúne vários ícones da cena brasileira. Tem Amilton Godoy, Derico, Toninho Ferragutti, Hector Costita, Nailor Proveta, entre outros, e arranjos de Michel Freidenson

O título reflete situações vividas pelo artista recentemente, como ele explica: “Algumas faixas foram compostas depois de uma viagem que fiz pela Amazônia, onde pude desfrutar do contato com uma natureza magnífica, e tive o prazer de conhecer a floresta a pé e de caiaque. Esses rios nos ensinam como é possível e bonito o encontro. Parece que as pessoas estão com medo de se aproximar, de conversar, de sentir o outro, em um mundo virtual onde as trocas de afeto se tornaram cada vez mais escassas”.

Por outro lado, Millan está preparando o lançamento de um Documentário sobre a gravação do seu CD Brazilian Match (2023), que teve repercussão no Brasil e Experior. Dirigido pelo produtor pelo Arnaldo DeSouteiro, o Doc. será lançado em 2026 e tem depoimentos e clips de músicos como David Sanborn, Randy Brecker, Clémentine, Mark Egan, Ellen Johnson, New York Voices, além de brasileiros como Amilton Godoy, Michel Freidenson, Giana Viscardi, Jorge Pinheiro, e outros.

Millan lançou o primeiro CD, Entre Nuvens (2011), mas pode ser considerado um “veterano”. Formado em Medicina com especialização em Psiquiatria, nunca abandonou a música, que entrou em sua vida na infância. Chegou a gravar um LP coletivo, Ponta de Rama, com colegas da USP. Apesar de não ter mostrado suas músicas ao público durante muito tempo, nunca deixou de compor. Tem ainda os CDs O Dia em que São Paulo Floresceu (2014) e Dois por Dois (2016), este com Moacyr Zwarg, Teco Cardoso e Michel Freidenson, entre outros.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura –  O novo disco, Encontro das Águas, chega ao mercado depois de você ter viajado pela Amazônia e a viagem ter proporcionado muitas experiências. Como foi fazer passar por elas (essas experiências) e fazê-las se tornarem em ‘música’?

Luiz Millan – Eu já conhecia a Amazônia, mas pela primeira vez tive a oportunidade de fazer um voo em um hidroavião, em baixa altitude, sobre o Arquipélago de Anavilhanas e sobre o ‘Encontro das Águas entre os rios Negro e Solimões’. Essa experiência me marcou muito e foi fonte de inspiração para músicas desse novo álbum. A floresta nos revela a força, o belo, o encantamento. Por sua vez, dois rios com identidades totalmente diferentes se encontram em perfeita harmonia. Cores, temperatura, química e velocidades diversas. No mundo de hoje, quase sempre, só os iguais tendem a se encontrar. Não se trata de um encontro genuíno, mas sim de narcisismo…

Conexão Literatura – São várias gerações de instrumentistas distintas nas faixas do disco. Como você escolheu os músicos participantes do projeto?

Luiz Millan – Convidamos músicos que admiramos há longa data como Amilton Godoy, o mestre dos mestres, Cleyber de Souza, um velho amigo, e  Hector Costita, um ícone do sax. Quase todos os outros músicos, de outras gerações, já haviam participado de álbuns anteriores e nos damos muito bem: Edu Ribeiro, Adriana Holtz, Sylvinho Mazzucca, Camilo Carrara, Jorge Pinheiro, Chico Oliveira e Toninho Ferragutti. Pela primeira vez tivemos a participação de Nailor Proveta, Derico, Sidiel Vieira e Beto Caldas. Michel Freidenson, mais uma vez, foi o responsável pelos arranjos, além de tocar um piano maravilhoso. Como diz Moisés Santana, trata-se de músicos estelares, um  enorme privilégio!

Conexão Literatura – Existe muita diferença entre um disco “cantado” e um álbum “instrumental”? Em algum momento você pensou em mudar, ou seja também incluir a voz e as letras, ou já era um projeto muito definido?

Luiz Millan – Desde o início, a ideia foi fazer um álbum totalmente instrumental e minimalista. Adoro, também, a música cantada, com letra. São concepções diferentes. A música com letra já imbuída de uma mensagem definida, embora em alguns casos, seja possível haver diferentes interpretações. Por sua vez, a música instrumental é pura emoção e leva cada ouvinte para um lugar inusitado, diferente, que tem a ver com a sua história e sua personalidade. Nem toda música instrumental é passível de receber uma letra. Em alguns casos, não fica orgânico, mas não é uma regra.

Conexão Literatura –  Ao mesmo tempo você completa 70 anos de vida, convivendo com tantas pessoas da área e tanto estilo, o que toda essa experiência acaba agregando?

Luiz Millan – Tive a sorte, desde a minha juventude, de conhecer e de conviver com grandes músicos: Jorge Pinheiro, Plínio Cutait, Isso Fischer, Sylvinho Mazzucca. E depois, Michel Freidenson, Camilo Carrara, Léa Freire, Maurício Detoni, Edu Ribeiro, entre outros. Alguns se tornaram meus parceiros. Ivan Miziara, Marília Millan, Márcia Salomão e Letícia Newman fizeram letras que tive a honra de musicar. Convivi, também, com grandes intérpretes como Giana Viscardi, Ana Setton, Ana Lee. Toco piano e violão para compor. Mas nunca ousei tocar em nenhuma gravação. O que eu posso oferecer de melhor são as minhas composições… Esses instrumentistas geniais as elevaram a um patamar muito melhor! Por isso, sou muito grato a todos!

CD Encontro das Águas – Luiz Millan 2025

Conexão Literatura – Dessa vez você também fez a foto da capa, que mostra um pouco esses ‘encontros’. Como aconteceu isso?

Luiz Millan – A foto da capa é do encontro entre um rio e o mar na Bahia. Foi feita em uma viagem recente que fiz com a minha família. As fotos do encarte, da Amazônia, foram feitas por minha filha, Laís, na viagem que fizemos juntos. Além de grande médica, é uma fotógrafa sensível! Sempre gostei de participar da concepção das capas de meus álbuns e dos encartes. Tenho um imenso prazer com isso!

Conexão Literatura – Você retoma também nesse CD sua parceria com o pianista e arranjador Michel Freidenson, enquanto produtor. O que você acha que é necessário para que uma união dê tão certo como a de vocês?

Luiz Millan – Conheci o Michel há cerca de vinte anos. Desde então, formamos uma parceria rara e muito frutífera. Produzimos juntos os meus álbuns, com exceção do anterior, Brazilian Match (2023), que foi produzido pelo icônico Arnaldo DeSouteiro. Michel sempre fez os arranjos e dirigiu as gravações, além de ser um dos melhores pianistas do planeta. Somos irmãos de música e de alma!

Conexão Literatura – Algumas músicas do disco homenageiam figuras que parecem importantes na sua vida. Você pode citar algumas delas?

Luiz Millan – Sim, Moacyr Zwarg, um parceiro querido, um pianista e compositor fora de série. Fizemos um álbum juntos, o Dois por Dois, que teve sua versão ao vivo gravada na Sala São Luiz. Sylvinho Mazzucca fez sua última gravação, Menino Danado, nesse último álbum. Dediquei uma música para meu neto Raul, que se chama Cinema Mudo. Pedi para o Michel e o Proveta tocarem com o espírito do desenho animado. Fizeram isso de forma primorosa!

Conexão Literatura – Por outro lado você está preparando o lançamento de um documentário sobre a gravação do seu CD Brazilian Match (2023) que teve repercussão no Brasil e no Exterior? Como ele foi feito?

Luiz Millan – De fato, foi um álbum que teve, e ainda tem, uma repercussão espetacular nos EUA, Europa e Ásia. Esse documentário, que deverá ser lançado no próximo ano, foi dirigido pelo Arnaldo DeSouteiro e tem depoimentos e clips preciosos: David Sanborn, Randy Brecker, Ada Rovatti, Clémentine, John Tropea, Mark Egan, Alice Soyer, Ellen Johnson, New York Voices, Danny Glotieb, além de vários músicos brasileiros como Amilton Godoy, Michel Freidenson, Giana Viscardi, Sylvinho Mazzucca, Jorge Pinheiro, Edu Ribeiro, Camilo Carrara e do próprio Arnaldo.

Conexão Literatura – Já tem previsão de quando as pessoas vão poder ver o documentário?

Luiz Millan – Esperamos que seja possível fazer o lançamento no primeiro trimestre do ano que vem.

Conexão Literatura – Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o Álbum e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho?

Luiz Millan – O álbum está em todas as plataformas, distribuído pela Tratore, mas a sua versão física foi feita apenas para divulgação. Caso o leitor esteja muito interessado na versão física pode entrar em contato comigo pelo Instagram @luiz.millan. O meu site é luizmillan.com

Perguntas rápidas:

Um álbum de bossa nova nacional: “Elis & Tom” (Polygram/1974)

Um álbum de bossa nova com artista estrangeiro: Marcos Valle & Stacey Kent (Sony Music/2013)

Um (a) compositor (a): Tom Jobim

Um (a) instrumentista (a): pianista paulistano Michel Freidenson

Um (a) faixa/música: “Insensatez” (Tom Jobim/Vinicius de Moraes/1961)

Uma data especial: “o futuro!”

Luiz Millan – “Quero agradecer à Revista Conexão Literatura, a oportunidade de falar sobre o meu trabalho”.

Serviço: Artista: Luiz Millan (www.luizmillan.com)

CD: Encontro das Águas 

Selo: independente, distribuição Tratore.

Onde encontrar: Plataformas digitais

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