
Fale-nos sobre você.
Eu tenho 28 anos, sou natural de Aracaju, graduado em Letras-Inglês e mestre em Letras pela Universidade Federal de Sergipe. Eu costumo dizer que sou apaixonado pelo universo do terror: jogos, filmes ou literatura, desde sempre foi assim. Até mesmo o meu aniversário precede o Halloween. Talvez algo do destino, não sei rs. Não sou um autor experiente, estou no meu primeiro livro publicado, mas espero conseguir ampliar esse número, especialmente por gostar de criar histórias, mesmo que a maioria delas ainda permaneça dentro da minha mente. Um dia, quem sabe, todas elas ganhem vida.
Fale-nos sobre o livro. O que motivou a escrevê-lo?
A Cabana do Silêncio é o início de uma trilogia (Silêncio, Segredos e Sangue) e conta a história dos 24 alunos da 18-B, uma turma problemática e reativa do último ano do ensino médio. Na trama, eles decidem viajar para uma cabana isolada e, no local, se deparam com assassinas que buscam verdade e vingança. Como não há um protagonista estabelecido, o enredo se desdobra pelo ponto de vista de todos os personagens; assim, é possível conhecer cada um deles à medida que as mortes acontecem. É uma história que fala muito sobre ações e reações desastrosas e como tudo ocasiona e colide. É sobre a morte, o ódio e uma juventude perdida.

A motivação surgiu ainda na adolescência, em meio a uma realidade bastante influenciada pelo cinema norte-americano. Sempre fui muito fã dos famosos slashers: A Hora do Pesadelo, Pânico, Halloween, Sexta-Feira 13 etc. Então, a motivação nasce desse contato, mas, além disso, vem de uma necessidade de criar uma história própria, com meu mundo próprio e meus personagens. Minha primeira história se passa nos EUA. Em determinado momento, até tentei modificá-la, mas percebi que não ficaria natural. Hoje em dia, me arrependo de não ter feito algo ambientado aqui, mas isso é aprendizado para as próximas histórias.
Como analisa a literatura de terror/horror escrita por brasileiros?
Eu aprecio todos que criam terror dentro da nossa cultura. Acredito que temos um diferencial, uma realidade que é só nossa. Assim como o terror japonês, australiano ou africano, cada sociedade é assombrada por monstros e realidades únicas. Nosso contexto social nos permite abordar temas que até podem ser compreendidos por outros, mas há um diferencial, um tom distinto que, muitas vezes, aborda questões políticas e sociais intrínsecas à narrativa, à própria vida.
Outro dia, estava lendo um livro de um autor chamado César Ribeiro, cuja história abordava a temática do bicho-papão e a intolerância religiosa. Sinto que nós somos assombrados todos os dias por preconceitos, dores e angústias sociais, e isso influencia diretamente as narrativas. Enfim, nós temos esse diferencial.
Como analisa a questão da leitura no país?
Eu sou professor de Inglês, logo, tenho um contato direto com alunos que, muitas vezes, se mostram relutantes quando tocamos no assunto literatura. Não acho que a culpa total da falta de interesse seja das redes sociais, mas que elas têm uma influência negativa no desinteresse dos alunos, isso têm. É muito mais fácil alguém passar 1 hora rolando a tela e ter diversos estímulos do que ficar 1 hora lendo um livro. A leitura demanda silêncio, isolamento e calmaria. A sociedade está agitada demais para aquietar-se, mesmo que seja por 60 minutos. Por esse e outros motivos (como até mesmo achar absurdo pagar por um livro) acredito que seja uma cultura muito bem enraizada em nossa sociedade.
Dito isso, gostaria de agradecer de coração pela oportunidade. Essa foi minha primeira entrevista e me senti bastante lisonjeado. Muito obrigado.
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Ambos com formação em Letras, são professores, escritores e palestrantes, com dezenas de livros publicados por diversas editoras. São colunistas da revista Conexão Literatura.



