
Cecília Waldemarin é professora, escritora e defensora da educação como caminho de transformação. Autora do livro Lucas Está Offline, une reflexão e afeto em cada texto, convidando leitores de todas as idades a refletirem sobre o mundo contemporâneo e os laços humanos. Sua escrita, marcada por sensibilidade e propósito, traduz a convicção de que ensinar e escrever são formas de cuidar — e de transformar realidades
ENTREVISTA:
Revista Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no
meio literário?
Cecília Waldemarin: Meu início no meio literário aconteceu de uma forma muito natural, dentro da escola, que sempre foi o meu lugar de afeto e de transformação. Quando eu atuava como coordenadora pedagógica em uma rede municipal de ensino, foi solicitado que cada coordenador levasse uma proposta de sua escola para compartilhar com os demais. Nesse momento, tirei da gaveta um dos meus escritos e elaborei um projeto que incentivasse o surgimento de novos escritores entre alunos e professores.
O resultado foi emocionante: um aluno produziu seu primeiro livro de versos, e uma professora, inspirada pelo projeto, retomou um livro que estava engavetado e o concluiu. Quando apresentei o projeto e o coloquei em prática, o acolhimento foi muito intenso por parte da minha equipe pedagógica, da comunidade, dos colegas coordenadores, da Secretaria de Educação e até mesmo pelas lideranças da rede municipal, que me encorajaram a publicá-lo.

Revista Conexão Literatura: Você é autora do livro “Lucas está offline”, poderia comentar?
Cecília Waldemarin: Lucas Está Offline nasceu de uma inquietação sobre o uso das tecnologias e telas, especialmente entre as crianças.
Percebia como as pessoas estavam se distanciando umas das outras: famílias que, mesmo juntas, já não se olhavam, não conversavam, não compartilhavam o momento presente. Longe quem está perto, e perto quem está longe.
O livro propõe uma reflexão coletiva sobre esse fenômeno. Para além de uma história infantil, ele fala com todas as idades, convidando à redescoberta da presença, do olhar e do afeto.
Porque, no fim, o que realmente importa é o encontro — a conexão e o cuidado uns com os outros.
Revista Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas
inspirações?
Cecília Waldemarin: Meu processo de criação nasce sempre de uma emoção ou de uma inquietação. Antes de escrever, eu sinto.
Sinto o tema, o contexto e, principalmente, as pessoas envolvidas. Às vezes, uma cena cotidiana, uma conversa ou até um silêncio despertam em mim o desejo de transformar aquele instante em palavras.
Minhas inspirações vêm da vida real — da educação, das relações humanas, das lembranças e das perguntas que nos acompanham.
Gosto de escrever como quem conversa, buscando provocar reflexão, mas também acolher.
Acredito que a escrita, assim como a educação, é um ato de amor e de escuta: nasce da vontade de compreender o mundo e de transformá-lo.
Revista Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?
Cecília Waldemarin: “Lucas não escapou desse encantamento. Ele ficava cada vez mais tempo com os olhos vidrados na tela do seu celular, esquecendo-se das brincadeiras que tanto amava. Seus pais tentavam incentivá-lo a sair e brincar como antes, mas Lucas estava cada vez mais envolvido em seu mundo virtual. Sua mãe não desistiu e lembrou-se de um panfleto anunciando que haveria um torneio de futebol na cidade.”
Escolhi este trecho para destacar a importância da presença dos responsáveis na vida das crianças.
Estar junto, conversar e participar é o que ajuda a vencer o feitiço digital e a fortalecer os laços entre pais e filhos.
Revista Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu
livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?
Cecília Waldemarin: Meu livro Lucas Está Offline pode ser adquirido nas principais plataformas de e-commerce. Para acompanhar meu trabalho literário e outras reflexões sobre educação e escrita, estou no Instagram: @cecimwi
Revista Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?
Cecília Waldemarin: Vejo a leitura como um grande desafio.
Lembro das palavras de Rubem Alves, quando dizia que, antes das partituras, é preciso encantar-se com a música.
Com a leitura é o mesmo: antes das letras, vem o encantamento.
Precisamos despertar nas crianças — e também nos adultos — o prazer de ouvir histórias, de sentir as palavras.
Quando a leitura nasce do afeto, ela deixa de ser obrigação e se torna descoberta.
Revista Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?
Cecília Waldemarin: Sim! Estou muito envolvida com o projeto Lucas Está Offline, levado a escolas por meio da iniciativa “Uma Autora na Sua Escola”.
O objetivo é aproximar os alunos da escrita, mostrar o escritor como uma pessoa real e refletir sobre o uso equilibrado das tecnologias.
Cada encontro reforça o valor da literatura e da presença na vida das crianças, inspirando-me a continuar criando.
Perguntas rápidas:
Um livro: Filosofia ao Pé do Ouvido – Clovis de Barros Filho e Ilan Brenman
Um ator ou atriz: Flávia Alessandra
Um filme: Haru e Natsu — As Cartas que Não Chegaram (minissérie)
Um hobby: Escrever, ler e cuidar das plantas
Um dia especial: Todos os dias – aqueles em que encontro pequenas alegrias e boas companhias.
Revista Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Cecília Waldemarin: Lucas Está Offline celebra meu recomeço na escrita — uma nova etapa da vida em que histórias e afetos se encontram, inspirando leitores e reafirmando meu desejo de continuar contribuindo para um mundo mais sensível e humano.
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



