Fabíula Rosa é natural de Pato Branco, Paraná. Graduada em Administração de Empresas e Direito. Apaixonada por filosofia e amante do conhecimento. Seu propósito está alinhado a comunicar e a ajudar pessoas a transformarem as suas vidas e voltarem a ser as protagonistas de suas próprias histórias, por meio de uma profunda e verdadeira reflexão. Assim, poderão cumprir cada uma delas sua missão.

Instagram: @fabiularosaadvocacia

ENTREVISTA:

Revista Conexão Literatura: Fabíula, em Mapeando a Separação você une filosofia, teologia, neurociência e estoicismo em um só livro. Como essa combinação de áreas do conhecimento pode auxiliar o leitor a ressignificar a experiência de uma separação?

Fabíula Rosa: Desde a infância, a leitura me abriu portas para universos múltiplos e para perguntas que nunca cessam. Em Mapeando a Separação, decidi entrelaçar filosofia, teologia, neurociência e estoicismo porque compreendi que a dor do rompimento não se limita ao coração: ela reverbera no corpo, na mente e até na dimensão espiritual. Foram nove meses de gestação interior, em que fiz de mim mesma um laboratório vivo: cada fase pedia novas perguntas, e cada resposta exigia uma lente distinta. Assim como no Direito buscamos fundamentos sólidos para sustentar um caso, também aqui recorri a saberes que se complementam. A filosofia abre espaço para a reflexão crítica; a teologia oferece o abraço do sagrado; a neurociência traduz em linguagem biológica aquilo que sentimos; e o estoicismo nos guia a atravessar tempestades com serenidade. Não se trata de impor verdades, mas de oferecer perspectivas — pequenas lanternas que iluminam trechos do caminho e ajudam a devolver clareza em um dos momentos mais nebulosos da vida.

Revista Conexão Literatura: Muitas vezes a dor do término parece insuportável. De que maneira as ferramentas práticas que você apresenta podem ajudar o leitor a transformar esse momento difícil em um processo de autoconhecimento e renascimento pessoal?

Fabíula Rosa: No princípio, a escrita foi o abrigo onde depositei minhas dores. Cada página nascia como um grito silenciado, um desabafo que se multiplicava em dezenas de linhas. Foi nesse exercício íntimo que percebi a ausência de um guia, algo que pudesse oferecer mãos firmes a quem atravessa o abismo da separação. Então, escrevi o livro que eu mesma buscava quando estava perdida, imersa em depressão e questionando até o sentido de existir. Muitos conhecem esse vazio: é como olhar-se no espelho e não se reconhecer, como viver sem direção, sem identidade. A separação, embora se apresente como ponto final, pode ser vírgula, espaço para respiro e renascimento. Com o tempo, o amparo de uma rede de apoio e o gesto gentil da autocompaixão, é possível reescrever a própria história e reencontrar, nas entrelinhas da vida, o caminho de volta para si mesmo.

Revista Conexão Literatura: Você compartilha sua própria jornada de superação no livro. Como foi o desafio de transformar experiências íntimas em uma obra que hoje serve de apoio e inspiração para tantas pessoas?

Fabíula Rosa: Sempre caminhei de mãos dadas com a leitura e a escrita, mas foi a dor quem acendeu a chama que transformou vivência em obra. Passei a enxergá-la não como castigo, mas como parte da minha missão. Foram meses de mergulho interior e de pesquisa dedicada, até que, das sombras, nasceu um passo a passo das fases da separação. Percebi que a maioria atravessa esse per curso sem mapa, perdida em meio a labirintos de silêncio e solidão. Vivemos em uma sociedade que prefere a superfícialidade, que mascara a dor em vez de escutá-la. Mas é justamente nesse contato cru, nesse enfrentamento sem adornos, que germina a resiliência. Este livro, portanto, não é apenas um reflexo da minha história: ele se torna uma ponte. Um amparo possível para aqueles que se encontram à deriva, sem respostas, sem chão, mas que ainda carregam em si a possibilidade de reconstrução.

Revista Conexão Literatura: Durante sua escrita, quais foram os maiores aprendizados pessoais que você também conquistou ao revisitar sua própria trajetória?

Fabíula Rosa: O maior aprendizado foi perceber que não existem atalhos para a dor. Tentamos, muitas vezes, preenchê-la com “amuletos”, novos relacionamentos, distrações, fugas, mas tudo isso apenas posterga o inevitável. Descobri que é no silêncio da introspecção que repousam as respostas mais sinceras. Foi ao retornar para dentro de mim que encontrei maturidade e força. Hoje já não enxergo a dor como inimiga: ela se revela mestra. Assim como a alegria, é parte indissociável da condição humana. E quando temos apoio — seja o olhar atento de um profissional, seja a mão estendida de um amigo — conseguimos atravessar a noite escura da alma e, pouco a pouco, reencontrar a luz.

Revista Conexão Literatura: Como o estoicismo, citado em seu livro, pode ser aplicado no dia a dia de quem está enfrentando uma separação e busca manter a calma e a clareza mental?

Fabíula Rosa: O estoicismo sempre me atraiu porque é filosofia em movimento, voltada para a prática da vida real. Ele nos lembra que a serenidade vem de distinguir o que está em nossas mãos, nossos pensamentos e atitudes, daquilo que não controlamos, os fatos externos e a opinião dos outros. Em uma separação, esse discernimento é essencial: ele nos devolve foco, fortalece o autocontrole e nos ensina a aceitar o que não pode ser mudado. Entre todos os princípios, o mais transformador é a gratidão. Ser grato, mesmo na dor, é libertador: é enxergar que cada fim traz consigo um renascimento e que até os capítulos difíceis podem nos conduzir a uma vida mais plena.

Revista Conexão Literatura: Muitos leitores se identificam com obras que tratam de experiências reais. Qual tem sido o retorno do público que já teve contato com Mapeando a Separação?

Fabíula Rosa: Embora recém-lançado, o livro já tem despertado interesse até de quem nunca passou por separação. Isso porque ele toca em algo maior: a fragilidade das relações humanas em tempos líquidos, como bem descreveu Zygmunt Bauman. Em julho de 2023, o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de divórcios em cartório, números alarmantes que revelam um padrão de vínculos cada vez mais descartáveis. Muitos leitores me disseram que encontraram no livro não só um consolo, mas também uma provocação: refletir sobre escolhas, sobre como estamos nos relacionando e sobre a urgência de construir vínculos mais conscientes e sólidos.

Revista Conexão Literatura: O título do livro sugere um verdadeiro “mapa” para atravessar um período delicado da vida. Que caminhos você espera que o leitor descubra ao longo dessa leitura?

Fabíula Rosa: A separação é um processo, assim como os ciclos da natureza ou os ritos do Direito. Existe início, meio e fim. Há o luto, a perda da identidade, a mudança abrupta de rotina e, finalmente, a possibilidade de reconstrução. O título reflete essa travessia: um mapa que não evita a dor, mas ensina a lê-la como parte do caminho. Ao longo da obra, proponho reflexões como: o que é o amor? Qual a função do casamento? E, sobretudo, o que aprendemos quando ele termina? Voltar-se para si, ampliar a consciência e encontrar sentido até na dor é o que transforma a separação em recomeço. Afinal, a verdadeira cura não está em negar a ferida, mas em compreender sua mensagem.

Revista Conexão Literatura: Onde adquirir o livro?

Fabíula Rosa: Mapeando a Separação está disponível em várias livrarias do Brasil e do exterior, em versões física e digital: Amazon, Disal, Livraria Martins, Apple Store e até mesmo Casas Bahia.

Revista Conexão Literatura: Para finalizar, quais são seus próximos projetos literários e se podemos esperar novas publicações no mesmo estilo de Mapeando a Separação?

Fabíula Rosa: Novos projetos já estão em gestação, todos movidos pelo mesmo impulso: entrelaçar a reflexão teórica com a prática existencial. Quero seguir escrevendo livros que não sejam apenas obras, mas companheiros de jornada, vozes que oferecem clareza em meio à dor e sopros de inspiração a quem precisa se reinventar. Esse é o propósito que me guia: transformar minha experiência em palavra útil. Se, em meio às páginas, cada leitor encontrar ao menos uma centelha de luz capaz de iluminar suas próprias travessias, saberei que cumpri a missão que me foi confiada nesta breve e intensa passagem chamada vida.

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