
Fale-nos sobre você.
Miriam Gimenes é jornalista, escritora e editora com 20 anos de carreira. Trabalhou por 16 anos no Diário do Grande ABC, onde foi editora do caderno de Cultura&Lazer e da Dia-a-Dia Revista. Tem pós-graduação em Português e Literatura e especialização em Jornalismo Cultural e Crítica de Arte e em Patrimônio e Gestão Cultural. Ama a família, histórias, Música Popular Brasileira e sabe tudo sobre o Movimento Modernista brasileiro. Natural de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, vive em Santo André com o marido e o filho. Escreveu a primeira versão de O Burro Inteligente antes de completar 10 anos de idade. O texto original desapareceu, mas Miriam nunca perdeu o senso de justiça, a preocupação com os mais vulneráveis e o amor pela escrita. Este é seu primeiro livro.
Fale-nos sobre o livro. O que motivou a escrevê-lo?
Quando eu era criança, uma professora pediu uma redação com tema livre. A história se perdeu, mas o título que inventei – ‘O Burro Inteligente’ – nunca mais saiu da minha cabeça, inclusive por incentivo da minha mãe, que sempre me lembrou que eu deveria desenvolver essa história. Trabalhei em jornal por muitos anos. E, um dia, lá em meados de 2016, entre uma pauta e outra, me veio a inspiração e escrevi em pouco tempo os versos que compõem o livro. Acho que estava inspirada pelo fato de ter um filho ainda pequeno – o Lucas, que na época tinha três anos – e de ler muitos livros infantis para ele. Guardei o texto original no computador, mas também mandei para a minha amiga e hoje sócia, Juliana Ravelli. Fato é que saí do jornal no meio da pandemia e, como trabalhava de casa, o texto original ficou lá. Quando resolvemos fundar a Editora Urucuia, Juliana me lembrou dessa história e eu disse: ‘Imagina, se perdeu’. E ela, para minha surpresa, lembrou que havia guardado em seu e-mail. Depois de quase dez anos vamos publicá-la.

Fale-nos sobre a parceria com o Luis Carlos Fernandes, que ilustrou seu livro.
Trabalhei por muitos anos com Fernandes no Diário do Grande ABC e sempre admirei o seu traço genial. Quando escrevi o texto do livro, lá em 2016, cheguei a comentar com ele sobre esta ideia, que adorou. E, quando retomei o projeto, por incentivo da minha sócia Juliana Ravelli, rapidamente falamos com ele, que traduziu com traços precisos tudo o que quis passar com minha história. Não houve briefing – bastou jogarmos o texto para ele para dar vida aos animaizinhos que compõem este livro tão especial para nós.
Você é a fundadora da Editora Urucuia. Fale-nos a respeito. Por que resolveu abrir uma editora?
Fundei junto com Juliana Ravelli, amiga de longa data. Como já disse, trabalhamos por muitos anos no Diário do Grande ABC. E ela, por ter feito o Diarinho – suplemento infantil do jornal –, tem grande afinidade com a literatura infantil. Fato é que a vida correu, mas a nossa paixão pelos livros não. Eis que durante uma Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), em 2023, ela me mandou uma mensagem me convidando para fundar uma editora, até então sem nome. Aceitei na hora – estava em um ambiente propício para acreditar nos livros – e tempos depois a chamamos de Urucuia, nome de um rio mineiro que tem tudo a ver com a família paterna dela. Queremos que cada vez mais livros cheguem às pessoas, principalmente às crianças, e a Urucuia tem esse propósito.
Como é escrever para o público infantil?
Quem pensa que é fácil está enganado. Tem de pensar não só na ilustração, chamariz principal aos olhos dos pequenos, mas principalmente na linguagem e na mensagem que o texto vai passar. Estamos formando cidadãos e isso não é qualquer coisa, é muita responsabilidade. Então, são sementes que plantamos no aprendizado de pequenos seres que vão construir o futuro. Mas é lindo vê-los dar risadas com os textos e desenhos, porque ler também é divertido. Um privilégio e tanto, portanto.

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.
Acho que sobre a inspiração do livro. Quando criança convivi muito na chácara dos meus pais, em Atibaia. Coelhos, galinhas, marrecos, cachorros e até calanguinhos eram bichos do meu convívio. Mas os burrinhos, não. Na hora de escrever, aproveitei o título antigo que nunca saiu da minha cabeça e dei vida a esse personagem. Usei o burrinho para falar de algo que me incomoda muito: esse hábito de julgar os outros sem conhecer. Eu mesma já passei por isso várias vezes – talvez o protagonista carregue um pouco de mim –, com gente tirando conclusões sem nem me dar chance de mostrar quem eu era. E o que mais quero é que o livro ajude as crianças a serem mais empáticas, amigas e parceiras, porque ninguém merece carregar rótulos que não pediu, né?
Sobre o ilustrador:
Fernandes é ilustrador, cartunista, chargista, quadrinista, escritor, escultor e um dos maiores caricaturistas brasileiros. Com 45 anos de carreira, já ilustrou dezenas de livros e recebeu mais de 80 prêmios no Brasil e no exterior. Fernandes em Preto e Branco é sua obra mais recente, uma coletânea com 90 de suas famosas caricaturas. Natural de Avaré, no interior de São Paulo, vive no ABC Paulista com sua querida esposa Sueli. Ela o ajuda a encontrar as cores para seus projetos, pois Fernandes tem daltonismo e não consegue enxergá-las direito. Quando pintou o pombo cor-de-rosa em O Burro Inteligente, Sueli não estava por perto.
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Ambos com formação em Letras, são professores, escritores e palestrantes, com dezenas de livros publicados por diversas editoras. São colunistas da revista Conexão Literatura.



