
A eleição da escritora Ana Maria Gonçalves para a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), anunciada neste 10 de julho, reverbera com força e simbolismo no cenário literário nacional. Aos 55 anos, a mineira de Ibiá se tornou a primeira mulher negra a integrar a instituição em seus 128 anos de história — uma conquista histórica para a literatura brasileira e para o movimento negro. Essa conquista se entrelaça diretamente com o anúncio de que Ana Maria Gonçalves é a Autora Homenageada do 3º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu, que acontece entre 27 e 31 de agosto de 2025, com atividades gratuitas no Centro Histórico do município mineiro.
Com curadoria de Bianca Santana, Jeferson Tenório e Sergio Abranches, o festival, idealizado por Afonso Borges, propõe, em sua terceira edição, um mergulho crítico e poético nos rumos da humanidade, tendo como tema “Literatura, Encruzilhada e a Desumanização”. Nesse contexto, a obra de Ana Maria Gonçalves — em especial o romance “Um Defeito de Cor”, publicado em 2006 — ganha lugar central nas discussões do evento.
Escrito ao longo de cinco anos, o livro conta a história de Kehinde, uma mulher africana sequestrada, escravizada no Brasil e envolvida nas lutas por liberdade no século XIX. Inspirado na figura histórica de Luísa Mahin, mãe do abolicionista Luiz Gama, o romance já vendeu mais de 180 mil exemplares, venceu o Prêmio Casa de las Américas (2007), e foi eleito o melhor romance brasileiro do século XXI. A obra foi também enredo da escola de samba Portela no Carnaval de 2024. Com “Um Defeito de Cor”, Ana Maria Gonçalves consagrou-se como uma das vozes mais potentes da literatura brasileira contemporânea.
Além de Ana Maria Gonçalves, o escritor português Valter Hugo Mãe também será homenageado pelo festival. Sua obra — especialmente o livro “A Desumanização” — será debatida em mesas e atividades ao longo da programação.
Para o idealizador do Fliparacatu, Afonso Borges, a escolha de Ana Maria como homenageada reforça o papel do festival como espaço de transformação social. “Estamos diante de uma encruzilhada. A eleição de Ana Maria Gonçalves para a ABL rompe uma barreira histórica e representa um avanço real na construção de uma nova memória coletiva. É um gesto de afirmação que o Fliparacatu tem orgulho de celebrar”, diz.
Além das homenagens, o festival contará com debates, oficinas, lançamentos, programação infantojuvenil, feira criativa e apresentações artísticas, em diálogo com a diversidade de vozes e experiências do Brasil e do mundo. A programação será distribuída por vários espaços do Centro Histórico de Paracatu, com destaque para a Praça da Igreja Nossa Senhora do Rosário.
A exposição “Portinari para Crianças”, com 42 obras do pintor retratando a infância em suas múltiplas faces, já está em cartaz como parte da programação estendida do festival, aberta ao público até o dia 30 de junho no quintal da Casa Paracatu. O tradicional Prêmio de Redação e Desenho, voltado a estudantes da cidade, também integra as ações do festival, que reafirma seu compromisso com a educação, a diversidade e o pensamento crítico como caminhos para um futuro mais justo.
O 3º Fliparacatu é patrocinado pela Kinross, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e tem o apoio da Prefeitura de Paracatu e Academia de Letras do Noroeste de Minas.
Serviço:
3º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu
Data: 27 a 31 de agosto de 2025, quarta a domingo
Local: Centro Histórico de Paracatu (MG) – Entrada gratuita
Mais informações @fliparacatu – www.fliparacatu.com.br
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com
