Ana Maria Gonçalves – FliAraxá 2017 (photo Frankli Caldeira)

A eleição da escritora Ana Maria Gonçalves para a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), anunciada neste 10 de julho, reverbera com força e simbolismo no cenário literário nacional. Aos 55 anos, a mineira de Ibiá se tornou a primeira mulher negra a integrar a instituição em seus 128 anos de história — uma conquista histórica para a literatura brasileira e para o movimento negro. Essa conquista se entrelaça diretamente com o anúncio de que Ana Maria Gonçalves é a Autora Homenageada do 3º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu, que acontece entre 27 e 31 de agosto de 2025, com atividades gratuitas no Centro Histórico do município mineiro.

Com curadoria de Bianca Santana, Jeferson Tenório e Sergio Abranches, o festival, idealizado por Afonso Borges, propõe, em sua terceira edição, um mergulho crítico e poético nos rumos da humanidade, tendo como tema “Literatura, Encruzilhada e a Desumanização”. Nesse contexto, a obra de Ana Maria Gonçalves — em especial o romance “Um Defeito de Cor”, publicado em 2006 — ganha lugar central nas discussões do evento.

Escrito ao longo de cinco anos, o livro conta a história de Kehinde, uma mulher africana sequestrada, escravizada no Brasil e envolvida nas lutas por liberdade no século XIX. Inspirado na figura histórica de Luísa Mahin, mãe do abolicionista Luiz Gama, o romance já vendeu mais de 180 mil exemplares, venceu o Prêmio Casa de las Américas (2007), e foi eleito o melhor romance brasileiro do século XXI. A obra foi também enredo da escola de samba Portela no Carnaval de 2024. Com “Um Defeito de Cor”, Ana Maria Gonçalves consagrou-se como uma das vozes mais potentes da literatura brasileira contemporânea.

Além de Ana Maria Gonçalves, o escritor português Valter Hugo Mãe também será homenageado pelo festival. Sua obra — especialmente o livro “A Desumanização” — será debatida em mesas e atividades ao longo da programação.

Para o idealizador do Fliparacatu, Afonso Borges, a escolha de Ana Maria como homenageada reforça o papel do festival como espaço de transformação social. “Estamos diante de uma encruzilhada. A eleição de Ana Maria Gonçalves para a ABL rompe uma barreira histórica e representa um avanço real na construção de uma nova memória coletiva. É um gesto de afirmação que o Fliparacatu tem orgulho de celebrar”, diz.

Além das homenagens, o festival contará com debates, oficinas, lançamentos, programação infantojuvenil, feira criativa e apresentações artísticas, em diálogo com a diversidade de vozes e experiências do Brasil e do mundo. A programação será distribuída por vários espaços do Centro Histórico de Paracatu, com destaque para a Praça da Igreja Nossa Senhora do Rosário.

A exposição “Portinari para Crianças”, com 42 obras do pintor retratando a infância em suas múltiplas faces, já está em cartaz como parte da programação estendida do festival, aberta ao público até o dia 30 de junho no quintal da Casa Paracatu. O tradicional Prêmio de Redação e Desenho, voltado a estudantes da cidade, também integra as ações do festival, que reafirma seu compromisso com a educação, a diversidade e o pensamento crítico como caminhos para um futuro mais justo.

O 3º Fliparacatu é patrocinado pela Kinross, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e tem o apoio da Prefeitura de Paracatu e Academia de Letras do Noroeste de Minas.

Serviço:

3º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu

Data: 27 a 31 de agosto de 2025, quarta a domingo

Local: Centro Histórico de Paracatu (MG) – Entrada gratuita

Mais informações @fliparacatu – www.fliparacatu.com.br

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