
ENTREVISTA:
Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?
Fénelon Tartari: Iniciei na escrita aos nove anos escrevendo poesias e rimas. Com o tempo fui me interessando cada vez mais pela ficção, até realizar a oficina literária “O Futuro do lado de cá” com o escritor e professor Rodrigo Acioli em 2022. Desde então, não paro de escrever.
Conexão Literatura: Você é autor do livro “Verty Society – Era Traidário – volume 1”, poderia comentar?
Fénelon Tartari: Verty Society, meu primeiro romance de ficção distópica, nasceu durante a oficina de escrita do Rodrigo Acioli em 2022. O objetivo era escrever um conto com elementos de ficção e distopia. Porém, eu não conseguia parar de escrever, e foi aí que o meu livro nasceu. Acredito que a oficina me proporcionou além da técnica da escrita e muita imersão literária, um solavanco para que eu pudesse exacerbar através da ficção e fantasia, um desabafo interno que há anos tinha vontade de colocar para fora. Dessa forma, considero que minha obra, apesar de todo mundo lúdico o qual criei de uma sociedade no futuro, é também uma severa crítica à nossa sociedade.

Trata-se de um manifesto literário em prol da diversidade, da inclusão e da liberdade.
Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?
Fénelon Tartari: Meu processo criativo é orgânico, fluido. Mesmo escrevendo ficção, minhas inspirações vêm do dia a dia; vivencias, aprendizados e acontecimentos da vida. Sonhos também são influenciadores constantes na minha escrita.
Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?
Fénelon Tartari:
“Como ela não conseguia ser como as outras meninas? Leve e sentir-se bem como elas? O que havia de tão estranho dentro de si, a ponto de sentir-se tão diferente? Ou, melhor dizendo, o que fazia com que Shell não se sentisse pertencente ao próprio corpo divino que lhe fora dado? Dentro de sua cabeça era como se duas Shells habitassem o mesmo lugar. Uma era sua alma, que ela amava e respeitava. A outra era o seu corpo, que deveria ser seu templo, mas não passava de um tormento, algo de que ela não se sentia parte, um verdadeiro peso, no qual não conseguia se identificar toda vez que se olhava no espelho; tinha nojo, asco, até mesmo pavor de se olhar, pois não era quem ela era, ou melhor, não era quem sentia que realmente era, em sua verdadeira essência. Por que seu corpo não refletia a verdadeira imagem de seu âmago?
Shell não sabia, mas era por isso que ela não dava a mínima para o seu corpo e não queria se exercitar e, assim, conforme foi crescendo, ia cada vez mais tendo desprezo por um corpo do qual não se sentia parte. Há cada ano Shell ficava cada vez mais sedentária e preguiçosa, ficando trancafiada em seu quarto a maior parte do tempo. Imersa em seus livros, que eram a única coisa que preenchia de certa forma sua alma masculina.”
Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?
Fénelon Tartari: Verty Society está disponível na Amazon (clique aqui) nas versões físicas e e-book.
Também está disponível nas livrarias físicas em São Paulo – Martins Fontes, Drumond, Livraria da Vila, Loyola e em breve em algumas outras do Brasil.
Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?
Fénelon Tartari: No Brasil, apenas 52% da população se declara leitora, com uma média anual de 4,9 livros por pessoa, dos quais apenas 2,5 são por vontade própria. A alfabetização funcional plena atinge só 12% dos adultos, evidenciando dificuldades de compreensão crítica. Fatores como falta de tempo e desinteresse, influenciado pelas redes sociais e o uso exacerbado do celular limitam o hábito, agravados pelo acesso desigual ao livro e à educação de qualidade. A leitura ainda é vista como obrigação escolar, e não como prática cultural, refletindo um país que lê pouco e interpreta menos. É fundamental termos políticas contínuas e inclusão social efetiva. De toda forma, grandes eventos literários como a Bienal, Feira do Livro e outros tem sido fundamentais para difundirmos e incentivarmos a leitura no país, especialmente para o público jovem.
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?
Fénelon Tartari: No momento estou escrevendo o volume II de Verty Society e também com outros projetos relacionados a dramaturgia, que em breve divulgarei.
Perguntas rápidas:
Um livro: “O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde”
Um ator ou atriz: “Cate Blanchett”
Um filme: “Me Chame Pelo Seu Nome (2017), de Luca Guadagnino”
Um hobby: “Cinema na madrugada”
Um dia especial: “O lançamento do meu livro Verty Society, a realização de um sonho após três anos de gestação” 🙂
Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Fénelon Tartari: Gostaria de mais uma vez dizer que Verty Society é um manifesto em prol da diversidade, da inclusão e da liberdade. Dedico minha obra à minha querida mãe Jocely Tartari, que foi uma artista e sempre me apoiou nos meus sonhos, e a todas pessoas diversas, que assim como eu, ajudam a deixar o mundo mais plural.
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



