
Nasci em Umuarama, no Paraná, e vivi minha infância em Iguatemi. Na adolescência, me mudei para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde moro até hoje. Sou formado em Direito, atuo como advogado e também exerço a função de juiz leigo na cidade. Sempre tive uma relação forte com a literatura, o que me levou a publicar minha primeira antologia de contos, intitulada O Megalomaníaco Medíocre e Outras Histórias, durante a pandemia. O Voo do Pássaro Caído é meu primeiro romance.
ENTREVISTA:
Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?
Rafael Nogueira Fernandes: Sempre gostei de ler, desde muito novo, e sempre fui um aluno mais voltado às humanidades — gostava de história, filosofia, redação — além de ser apaixonado por cinema. Mas, sinceramente, nunca tive a pretensão de me tornar escritor, era algo que simplesmente não passava pela minha cabeça. Isso mudou durante a pandemia. Estava trancado em casa, como todo mundo, quando vi a divulgação de um concurso de contos. Pensei: “por que não?”. Escrevi meu primeiro conto, enviei… e não parei mais. Foi assim que tudo começou, de forma despretensiosa.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “O Voo do Pássaro Caído”, poderia comentar?
Rafael Nogueira Fernandes: Voo do Pássaro Caído é meu primeiro romance, e nasceu do desejo de dar uma voz diferente ao Amor — ele mesmo é quem narra a história. O Amor observa, provoca, questiona e, de certa forma, conduz os personagens pelos caminhos da memória, do afeto e da dor. Ele (Amor) acompanhei de perto a construção dos personagens Alex e Olga, dois indivíduos marcados por experiências antagônicas, ao se encontrarem, passam a refletir sobre a vida, o amor e a solidão. O livro se passa em Campo Grande, cidade onde moro, e acho que isso ajudou a dar mais verdade ao cenário.
Conexão Literatura: Como é o seu processo de criação? Quais são as suas inspirações?
Rafael Nogueira Fernandes: Meu processo de criação é bem espontâneo e depende muito da inspiração — que, pra ser honesto, não vem sempre. Escrevo quando algo realmente me atravessa, quase sempre nas madrugadas de domingo pra segunda, com música ao fundo e uma taça de vinho ou algum outro álcool por perto. Gosto desse clima meio solitário e introspectivo, onde tudo parece mais sensível e propício pra escrita.
Minhas maiores inspirações vêm da literatura que me tocou profundamente. Dostoiévski é, sem dúvida, meu autor favorito — a forma como ele mergulha nas contradições humanas me impacta muito. Também me influencio bastante pela ironia e o sarcasmo de Gogol e Machado de Assis, pela prosa poética de Guimarães Rosa e pelo realismo fantástico de Borges e Bulgákov. Claro que há muitos outros escritores, brasileiros e estrangeiros, inclusive contemporâneos, que admiro e me inspiram, mas esses são, sem dúvida, minhas principais referências.
Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?
Rafael Nogueira Fernandes: Claro! Há vários trechos do livro que considero marcantes, mas esse em especial é um momento em que a personagem Olga tem uma espécie de epifania, uma dessas percepções silenciosas sobre a vida:
“Já percebeu como a gente gosta de observar as janelas, especialmente no alto da noite, como que pensássemos: ‘Qual é a vida vivida ali? Quais histórias, amores, desgraças e sonhos aqueles pontos de luzes distantes escondem?’ E também como gostamos de ver a cidade brilhante em um ponto alto remoto. Em suma, gostamos de nos colocar como observadores de um ponto inacessível e misterioso. Me parece que a gente é mais gente quando longe do tangível, como se a janela do outro tivesse uma história não contada que valesse a pena ouvir, como se as estrelas pudessem nos dizer por telepatia o segredo da vida e as luzes da cidade vistas do alto nos fizessem questionar que talvez aquele amontoado de gente desconhecida que vive sob o cinza do concreto carregue consigo uma sobrevivente melancolia colorida.”
Conexão Literatura: Como o leitor interessado deve proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?
Rafael Nogueira Fernandes: O leitor que tiver interesse em conhecer mais sobre o meu trabalho pode me seguir nas redes sociais pelo perfil @rafamartevv, onde compartilho reflexões, trechos dos meus escritos e novidades sobre meus projetos literários. O livro O Voo do Pássaro Caído está disponível para compra no site da Editora Bestiário, na Amazon, tanto em formato físico quanto digital, e está gratuito no Kindle Unlimited por 30 dias. Será um prazer trocar ideias com quem se sentir tocado pela leitura!
Conexão Literatura: Como você analisa a questão da leitura no Brasil?
Rafael Nogueira Fernandes: Vejo a questão da leitura no Brasil com certa ambiguidade. Por um lado, acredito que em poucos países há tanta gente talentosa escrevendo como aqui — autores com vozes potentes, originais, muitos ainda anônimos por uma série de razões. Por outro lado, é inegável que o número de leitores tem diminuído, seja pela correria do dia a dia, seja pela disputa do pouco tempo livre com as redes sociais e outras formas de entretenimento imediato.
Infelizmente, muitos escritores acabam não tendo a projeção que merecem, muitas vezes por falta de investimento em marketing e também porque os prêmios literários tendem a valorizar certos estilos ou linhas editoriais específicas. Escrever no Brasil, especialmente de forma independente, é quase sempre um ato de resistência e de amor genuíno ao ofício. Mas ainda tenho esperança de que possamos retomar o hábito da leitura com mais força — que a leitura volte a ocupar um espaço mais central em nossas vidas. Que tenhamos mais tempo para ler e, principalmente, mais vontade de escutar o que tantos bons autores têm a dizer.
Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?
Rafael Nogueira Fernandes: Sim, tenho alguns contos já escritos e a ideia é escrever mais para lançar uma nova antologia no fim ano que vem. No momento, estou em uma fase mais voltada aos estudos e a projetos pessoais, então a escrita acabou ficando em segundo plano. Mas assim que essa fase passar, pretendo me dedicar com mais intensidade a um projeto maior — um romance mais longo, um verdadeiro calhamaço que está na minha cabeça há anos, esperando a hora certa para ganhar forma. É um projeto ambicioso, ao qual quero me entregar por completo quando tiver tempo e tranquilidade para isso.
Perguntas rápidas:
Um livro: O Idiota
Um ator: Christian Bale
Um filme: Mr. Nobody
Um hobby: Ler e correr
Um dia especial: 09 de maio
Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Rafael Nogueira Fernandes: Agradeço muito pela oportunidade de participar. Para quem se interessar, O Voo do Pássaro Caído é um livro que começa de forma leve, quase como uma conversa cotidiana, mas vai se densificando ao longo da narrativa, à medida que a escuta e a compreensão entre os personagens se transformam em um processo quase terapêutico. Muita gente tem comentado que o final os surpreendeu — o que, pra mim, é um bom sinal. No mais, é isso: que tenhamos um ano generoso, e que a leitura continue sendo essa ponte de conexão, esse espelho que nos lembra do que nos faz humanos.
Paulista, escritor e ativista cultural, casado com a publicitária Elenir Alves e pai de dois meninos. Criador e Editor da Revista Conexão Literatura (https://www.revistaconexaoliteratura.com.br) e colunista da Revista Projeto AutoEstima (http://www.revistaprojetoautoestima.com.br). Chanceler na Academia Brasileira de Escritores (Abresc). Associado da CBL (Câmara Brasileira do Livro). Já foi Educador Social e também trabalhou por 18 anos no setor de Inclusão Digital na Cidade de S. Paulo, numa rede de solidariedade que desenvolve ações de promoção da vida em várias partes do país e do mundo, um trabalho desenvolvido para pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Participou em mais de 100 livros, tendo contos publicados no Brasil, México, China, Portugal e França. Publicou ao lado de Pedro Bandeira no livro “Nouvelles du Brésil” (França), com xilogravuras de José Costa Leite. Organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir) e “Time Out – Os Viajantes do Tempo” (Editora Estronho). Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, adora pizza, séries televisivas e HQs. Autor dos romances “Jornal em São Camilo da Maré” e “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe”. Entre a organização de suas antologias, estão os títulos “O Legado de Edgar Allan Poe”, “Histórias Para Ler e Morrer de Medo”, “Contos e Poemas Assombrosos” e outras. Escreveu a introdução do livro “Bloody Mary – Lendas Inglesas” (Ed. Dark Books). Contato: ademirpascale@gmail.com



