Por Ademir Pascale

Desde jovem, fui cativado pelo mistério das palavras e pelas vastas paisagens da imaginação. Em minha trajetória pela literatura, poucos autores me impactaram tão profundamente quanto John Ronald Reuel Tolkien, ou simplesmente J. R. R. Tolkien. Ao longo das décadas, Tolkien não apenas escreveu livros; ele construiu um universo. Criou línguas, povos, histórias milenares e dragões que nos fazem crer que a fantasia, às vezes, é mais real do que o mundo ao nosso redor.

Tolkien é mundialmente conhecido como o “pai da fantasia moderna”, título mais do que merecido. Sua habilidade de moldar mundos inteiros com profundidade histórica, mitológica e linguística é inigualável. Não se trata apenas de contar histórias, mas de criar uma mitologia própria, com direito a cosmogonia, teogonia e até idiomas completos, como o quenya e o sindarin — línguas élficas que ainda fascinam estudiosos e fãs até hoje.

O autor nasceu em 1892 na África do Sul, mas viveu a maior parte de sua vida na Inglaterra. Foi professor de anglo-saxão na Universidade de Oxford e especialista em literatura medieval. Sua paixão pela linguagem e pelos mitos antigos inspirou a criação de Arda, o mundo onde se passam suas histórias, incluindo a célebre Terra-média.

Entre seus principais livros, destaco três obras fundamentais para entender a magnitude de sua criação:

O Hobbit (1937)
Escrito inicialmente para seus filhos, O Hobbit narra a aventura de Bilbo Bolseiro, um hobbit tranquilo que é arrastado para uma jornada inesperada com um grupo de anões em busca de um tesouro guardado por um dragão chamado Smaug. É uma narrativa encantadora, leve e com um toque de humor, mas que já aponta para a grandiosidade do universo tolkieniano. Este livro é a porta de entrada ideal para o mundo de Tolkien.

O Senhor dos Anéis (1954-1955)
Dividido em três volumes (A Sociedade do AnelAs Duas Torres e O Retorno do Rei), O Senhor dos Anéis é uma continuação direta de O Hobbit, mas com um tom mais épico, maduro e sombrio. Aqui, acompanhamos Frodo Bolseiro em sua missão de destruir o Um Anel, forjado por Sauron, o Senhor do Escuro. A obra é um tratado sobre amizade, coragem, tentação e sacrifício. Sua narrativa é densa, repleta de detalhes históricos e lendas internas. Um verdadeiro épico moderno.

O Silmarillion (publicado postumamente em 1977)
Essa obra é um mergulho profundo na mitologia da Terra-média. Apresenta a criação do mundo e os acontecimentos anteriores às histórias de O Hobbit e O Senhor dos Anéis. É uma leitura mais exigente, mas também mais rica para os que desejam compreender a totalidade do universo criado por Tolkien. Destaco os contos das Silmarils, jóias criadas pelos elfos que desencadeiam guerras e tragédias; e a história de Beren e Lúthien, um dos romances mais belos da fantasia.

O mundo de Tolkien é povoado por elfos imortais, anões orgulhosos, homens corajosos e criaturas sombrias, como orcs e trolls. Os dragões, como Smaug, são temíveis e inteligentes, figuras majestosas que representam poder, cobiça e destruição. Cada povo tem sua história, sua cultura e seu idioma. E tudo isso está entrelaçado em uma narrativa que valoriza o bem, a honra e a resistência diante das trevas.

A influência de Tolkien não se limita à literatura. Suas obras inspiraram gerações de escritores, músicos, artistas e cineastas. As adaptações cinematográficas dirigidas por Peter Jackson, especialmente a trilogia O Senhor dos Anéis (2001–2003), trouxeram a Terra-média para as telas com maestria. O impacto cultural foi imenso. Os filmes ganharam diversos prêmios, incluindo 17 Oscars no total, sendo 11 apenas para O Retorno do Rei. Embora as adaptações de O Hobbit não tenham o mesmo peso narrativo, elas também contribuíram para ampliar o alcance do autor para novas gerações.

Tolkien não era apenas um contador de histórias. Ele acreditava no poder da fantasia como uma forma de verdade. Em um de seus ensaios mais famosos, Sobre Histórias de Fadas, ele defende que a fantasia é essencial para o ser humano, pois nos permite escapar das amarras do cotidiano e vislumbrar algo maior. Uma de suas frases mais memoráveis resume bem essa visão:

“Nem todos os que vagueiam estão perdidos.”
(Not all those who wander are lost.)

Essa citação, parte de um poema dentro de O Senhor dos Anéis, tornou-se símbolo da liberdade de pensamento e da jornada interior de cada um de nós.

Hoje, tantos anos após sua morte, Tolkien continua a ser uma referência essencial na literatura mundial. Seu legado é eterno. Ao ler suas obras, não apenas viajamos por florestas élficas e montanhas enevoadas, mas também redescobrimos o valor da amizade, da coragem e da esperança.

Como escritor e leitor, sou grato a Tolkien. Ele me ensinou que as palavras podem criar mundos. E que, por trás de cada página virada, pode haver uma nova Terra-média esperando para ser descoberta.

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